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Crónica

Jornal de Espiritismo nº 95 · Maio 2019Página 142 min

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“Pai Nosso”, filão riquíssimo de sabedoria e espiritualidade, tem sido lauto manancial de reflexão nos textos anteriores. Discorramos também sobre outra passagem bíblica envolvendo o tema oração, a muito citada parte final da 1.ª epístola de Paulo aos Tessalonicenses: “… vivei sempre contentes, orai sem cessar”. O trecho pode causar estranheza, parecendo humanamente inviável, mesmo insensata, a ideia de se estar constantemente em oração.

Existirá de alguma forma tal possibilidade? Sim, existe; expõe-na com perfeita lógica e razoabilidade “O Evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo 17, item 10. Aí, “Um Espírito Protetor” ilustra sabiamente uma certa forma de oração, com imenso valor; demos-lhe, pois, a palavra (com negritos nossos): “Não penseis que, ao exortar-vos à oração incessante e à evocação mental, queiramos levar-vos a viver uma vida mística, fora das leis da sociedade em que viveis.

Não. Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens: Novas de alegria – 20 sacrificai-vos às necessidades e até mesmo às frivolidades de cada dia, mas fazei - -o com um sentimento de pureza que as possa santificar”. “Sois chamados ao contacto de espíritos de naturezas diversas, de carateres antagónicos, não melindreis nenhum daqueles com quem vos encontrardes. Estai sempre alegres e contentes, com a alegria duma boa consciência”.

“A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre ou em repelir os prazeres que a condição humana permite. Basta referir todos os vossos atos ao Criador. Basta começar ou acabar uma ação elevando-Lhe o pensamento, pedindo a Sua proteção para executá-la, ou a Sua bênção para a obra acabada. Ao fazer qualquer coisa, voltai o pensamento para a fonte suprema; nada façais sem que a lembrança de Deus venha purificar e santificar os vossos atos”.

Eis uma fórmula simples para enriquecermos a vivência pessoal e lhe imprimirmos dia a dia valioso sentido superior. Faz lembrar a LOGOTERAPIA, celebrizada pelo psiquiatra vienense Viktor Frankl: sobrevivente a condições duríssimas, extremas, de três campos de concentração nazis, ele alcançou a idade de cem anos, com o fecundo SENTIDO PARA A VIDA que salvou e valorizou a sua própria e as de tantos concidadãos, durante e após a segunda guerra mundial.

A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre ou em repelir os prazeres que a condição humana permite. Ocorre-nos também a figura cativante do Poverello de Assis, e um conhecido episódio que dele se conta. Francisco estava a cuidar do jardim, quando se aproximou frei Leão, perguntando: ”Pai Francisco, o que faria se lhe dissessem que morreria hoje mesmo?”. Imperturbável, sem interromper a jardinagem, Francisco respondeu tranquilamente: “Continuava apenas a trabalhar”.

Sim, ele “referia” ao Pai Criador cada ato do seu dia a dia, consagrando-o, assim, com um alto sentido de vida. Irmanava-se com toda a natureza e com cada ser – a irmã flor, o irmão pássaro, o irmão Sol, a irmã Lua…– não por uma pieguice de frade, mas pela consciência profunda que tinha da beleza e sabedoria do Pai em toda a Sua formosíssima Criação. Por João Xavier de Almeida foto pixabay JULHO.AGOSTO.