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Entrevista a frequentadores Sabia que?

Jornal de Espiritismo nº 95 · Maio 2019Página 182 min

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Ai marido, como seria bom termos uma galinha. – Desabafou a Ti ‘Cremilde com o marido. E continuou: – A galinha punha ovos que davam para fazer umas omeletes, uns ovos estrelados, ovos mexidos, uns bolinhos e assim a nossa barriguinha não teria tanta fome. E ainda podíamos ir vender os ovos, que sobrassem, para arranjar uns dinheirinhos que muito jeito nos daria. Com ele podíamos comprar uns bifes, umas batatas… e, olha, até uns sapatos e umas roupas novas.

– Ó mulher, muito tu sonhas. Falas ao desbarato que nem paras para pensar no que dizes. Vamos mas é trabalhar. As terras esperam pelo nosso trabalho. E a Ti ‘Cremilde continuava: – Depois, com umas roupinhas novas, punha-me toda bonita e ia para as festas todas das aldeias e dançava, ria, saltava… e sempre de barriguinha cheia, pois a galinha dava-me o que eu precisasse. O Sr. Manel abanava a cabeça, já desanimado com a tagarelice da sua esposa, que nunca se calava e que dava mesmo para tirar a paciência de qualquer um com aquela conversa em corrupio, todos os dias.

Eram já horas de almoçar, andava o casal de velhinhos a trabalhar na terra, a fazer as suas sementeiras e a Ti ’Cremilde a tagarelar sem fim, quando apareceu um mendigo a pedir “Qualquer coisinha para comer, bons senhores…”. – Olhe, vem mesmo a calhar. Está mesmo na hora de comer qualquer coisinha. Eh…e por acaso, até temos três côdeas de pão. Uma para o meu Manel, outra para mim e sobra outra para si. O pedinte agradeceu profundamente e aproveitou o gesto caridoso da boa senhora para lhes informar que ele, na realidade, era um mágico e que sempre que alguém era bom, ele concedia três desejos.

A Ti ‘Cremilde nem pensou um minuto: – Aiii…quem me dera ter uma omelete na minha côdea de pão. Estava mesmo, mesmo a apetecer-me…! E não é que em cima da sua côdea de pão apareceu uma omelete bem gordinha e amarelinha?! O marido quando viu que o seu primeiro desejo tinha sido desperdiçado daquela maneira, pôs mãos à cabeça, resmungou de imediato e sem pensar um segundo: – Que raio de gulodice! Havias de ficar com essa omelete colada na testa.

O que havia do Sr. Manel ter dito. É que de imediato, a omelete estava já colada na testa da Ti ‘Cremilde. E como de fato a omelete era avantajada, nem se via a cara da velha senhora. Puxava o Sr. Manel por uma ponta para uma lado e a senhora, fincava os pés no chão, e inclinava-se com firmeza para trás, mas era inglório o esforço, não descolava mesmo. – AiAii…põe-me normal !!! – Pediu ela muito angustiada. E nesse momento a Ti ‘Cremilde voltou ao que era.

– Da omelete, nem sinal…! - Desabafou a velhinhaAo menos podia ter ficado no meu pão… Entretanto, o pedinte, que na verdade era um mágico, lembrou-lhes que os três pedidos já tinham sido gastos e desapareceu sem deixar rasto. Tanta coisa podia ter sido feita com os desejos… Resta a lição “Muito falar, muito errar”, ou então, “Antes que fales vê o que dizes”. Pensa no que dizes INFANTIL Por Manuela Simões 06 JULHO.AGOSTO.