Pesquisa
Jornal de Espiritismo nº 96 · Setembro 2019Página 54 min
Recentemente tivemos o privilégio de ler um artigo publicado na revista científica “Neuroendocrinology Letters” que se intitula “Aspetos históricos e culturais da glândula pineal: comparação entre as teorias propostas pelo Espiritismo nos anos 40 e as evidências científicas atuais”. Este introduz pela primeira vez os livros de André Luiz na literatura científica, sendo de louvar o estudo e a curiosidade dos autores adstritos à publicação deste artigo no meio científico.
Pesquisando na “PubMed”, o maior motor de pesquisa de artigos científicos, facilmente se obtém na íntegra este artigo, o que evidencia o exercício lento mas assertivo de união da Medicina e Espiritualidade. Este ensaio não substitui o artigo supracitado e, mais do que um resumo, pretende apenas estimular a réstia de inquietude que lateja em todos nós e encorajar o leitor a saciar-se posteriormente com o texto original.
O objetivo do artigo é, por um lado, compilar a informação trazida nos livros psicografados por Francisco Cândido Xavier a partir do espírito André Luiz sobre a glândula pineal, em particular em “Missionários da Luz” de 1945, “No Mundo Maior” de 1947 e “Evolução em Dois Mundos” de 1958, que abordavam esta temática em maior profundidade. Por outro lado, o artigo pretende comparar essa informação trazida por psicografia por uma pessoa iletrada em meados do século XX com as evidências científicas atuais.
Introdutoriamente é-nos apresentada a pineal como “uma estrutura com uma massa de aproximadamente 0,5g que faz protusão na fase posterior do diencéfalo” (Guyton & Hall 2006). Considerada inicialmente com uma utilidade vestigial, atualmente a pineal é essencial na regulação no organismo humano, nomeadamente na cronobiologia e na produção de melatonina. Segundo André Luiz, esta estrutura do cérebro está envolvida em diferentes áreas do nosso funcionamento, nomeadamente a Saúde Mental, o Sistema Endócrino ou o Sistema Reprodutor.
Relativamente ao Sistema Mental, André Luiz afirmava que a pineal é a “glândula da vida mental”, que “na qualidade de controladora do mundo emotivo” é “o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da criatura terrestre“, muito antes sequer de se ter isolado em 1958 a melatonina, a principal hormona produzida pela pineal. Mais de 50 anos depois, já no século XXI, foi demonstrado que a melatonina exerce ação antidepressiva em modelos animais (Raghavendra et al.
2000) e que pode ter um importante papel como adjuvante na terapêutica da depressão (Maldonado et al. 2009). Hoje sabe-se que os distúrbios alimentares estão associados a alterações nos níveis de melatonina (López-Muñoz et al. 2011) e há estudos a sugerir o impacto da melatonina na melhoria das mudanças de comportamento relacionadas com processos demenciais, designadamente no que diz respeito à agitação, irritabilidade e distúrbios do apetite coexistentes.
Estes dados salientam finalmente a relação desta hormona com o “mundo emotivo” já estabelecida por André Luiz, visto que começaram a estabelecer conexões entre a alteração fisiológica da glândula pineal e a psicopatologia. Também outros órgãos e sistemas são abrangidos pela sua ação. Tal como dizia André Luiz, “através da secreção de enerSe publicar um livro poderá estar à distância do uso livre e relaxado da pena que pousa na nossa escrivaninha e assim ser um sonho alcançável de alguns de nós.
Publicar um artigo científico requer uma metodologia específica, bem-definida, demorada e exigente, sendo frequentemente o próprio rigor e conhecimento técnico que nos afastam de tornar esse objetivo tangível. foto pixabay gias psíquicas subtis, a pineal mantém o controlo de todo o Sistema Endócrino.” De facto, anos mais tarde a interação da melatonina com outras hormonas viria a ser estabelecida, nomeadamente com a serotonina, cortisol e TSH.
Quanto ao Sistema Reprodutor, para André Luiz a melatonina assume uma “posição na experiência sexual … básica e absoluta”, concordante com afirmações subsequentes que afirmam que “existe evidência sobre o papel facilitador da melatonina no comportamento sexual” (Grugni et al. 1994). No seio do Espiritismo, uma das situações que nos desperta mais interesse prende - -se com a pineal ser a interface entre o mundo físico e o espiritual, paradigma já trazido no século XVIII por René Descartes que afirmava que a harmonia requer uma perfeita comunicação entre o corpo físico e a alma.
A mediunidade, sendo uma das formas dessa interconexão corpo-alma se expressar, tem uma relação estrita com a glândula pineal. Esta ideia, inicialmente exposta nos livros psicografados por Francisco Cândido Xavier e posteriormente ignorada durante décadas, começa a aproximar-se dos estudos científicos que se debruçam sobre estas matérias. De facto, atualmente alguns deles afirmam que a glândula pineal está ativada durante a meditação religiosa (Buxton OM, L’hermite-Balériaux M, Hirschfeld U, Van Cauter E (1997)).
Uma das questões colocadas no artigo é qual terá sido a fonte destas informações científicas escritas por Francisco Cândido Xavier que viriam a ser descobertas tanto tempo depois? Como leitores atentos, percebemos que este artigo levanta a possibilidade da existência de um mundo espiritual, através do qual foram obtidas informações anos antes de terem sido comprovadas cientificamente no mundo material. Como será a mediunidade das pessoas que retiraram a glândula pineal?
Esta e muitas outras questões serão resolvidas no porvir. O maior interesse dos cientistas é que estejamos mais esclarecidos no futuro. Uma coisa é certa: no intervalo de 70 anos este órgão passou de vestigial a vital. E André Luiz até agora não estava mal. Por Álvaro Silva Segundo André Luiz, esta estrutura do cérebro está envolvida em diferentes áreas do nosso funcionamento, nomeadamente a Saúde Mental, o Sistema Endócrino ou o Sistema Reprodutor.
