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Capa da edição nº 96 do Jornal de Espiritismo

96Jornal de Espiritismo nº 96

Setembro 2019 · 19 secções · ≈ 78 min de leitura

Esta edição aborda a campanha Setembro Amarelo, destacando a importância da prevenção ao suicídio e o apoio emocional e espiritual. Explora a mediunidade como uma faculdade natural, explicando que visões ou vozes não indicam perigo, mas sensibilidade mediúnica que pode ser gerida. Apresenta ainda uma 'Receita para melhorar' de Chico Xavier, o valor do perdão e a essência da oração, sublinhando que as dores são resultantes das nossas ações e que o amor e a oração são ferramentas poderosas para a superação.

Suicídio
Prevenção
Mediunidade
Perdão
Oração
Espiritismo

Capa

Página 11 min

96 ANOXVI JDE SETEMBRO . OUTBRO . 2 0 1 9 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Não o temos visto nas livrarias em que temos passado, mas a verdade é que junta todos os requisitos para ser um clássico da literatura espírita. Intitula-se «A vida triunfa – pesquisa sobre mensagens que Chico Xavier recebeu», foi publicado em São Paulo, Brasil, em 1990, pela editora do jornal mensal «Folha Espírita» e é da autoria de Paulo Rossi Severino, assessorado pela equipa da AME-SP.

Pág. 10 5 PESQUISA ASPETOS DA MEDIUNIDADE A glândula pineal e a mediunidade num artigo científico. A vida triunfa 9 ENTREVISTA ADEP: 20 ANOS Em setembro, esta associação sem fins lucrativos conclui mais um aniversário. 8 CRÓNICA O DESAFIO DE MELHORAR A proposta está ao alcance de cada um: ser feliz. 15 OPINIÃO PERDOAR É PRECISO O perdão é uma das atitudes mais sublimes, não apenas 7 vezes… foto ulisses.com.pt SETEMBRO.

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Editorial / Conto

Página 23 min

EDITORIAL / CONTO Um pouco por toda a parte a etiqueta Setembro Amarelo remete para uma campanha anual, durante todo o mês, sobre prevenção do mais grave dos comportamentos autolesivos. A expressão originou-se nos EUA, em 1994, através de um rapaz chamado Mike, de 17 anos, e de um automóvel, um Mustang, que restaurou e pintou de cor amarela. Nem os familiares mais próximos, nem tão pouco os seus amigos, tinham percebido que este jovem atravessava uma fase tão difícil ao ponto de o levar a destruir irreversivelmente o seu corpo material.

Muito afetados, os amigos presentes no seu velório tiveram oportunidade de deparar com uma cesta cheia de cartões que continham uma mensagem – “Se precisar, peça ajuda” – e estavam adornados com uma fita amarela. Podia ser só intenção, mas, não é que alguns desses os cartões chegaram realmente a gente que carecia de apoio específico? Este facto foi o rastilho que despoletou um movimento importante de prevenção de comportamentos autolesivos.

Quando alguém tem essas ideias tão infelizes, é necessário o devido acompanhamento médico e psicológico, bem como o apoio de amigos e da família. Um bom amparo espiritual também ajuda. Falar do que se sente nessa fase ajuda a abrir portas para as soluções emergentes. Este problema de saúde pública toma contornos precisos quando através de reuniões mediúnicas os amigos espirituais trazem alguém que se suicidou. Charles F.

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Correio

Página 35 min

Ouvia chamar o nome Escreve J.C.: «Ontem vi um vídeo vosso no YouTube e decidi enviar esta mensagem. Em criança eu via pessoas no meu quarto ao ponto de dormir quase até aos meus 13/14 anos com a minha avó na cama dela, por ter tanto medo desses acontecimentos. Depois eram vozes constantes, ouvia chamar o meu nome, outras vezes passos, sem estar ninguém à minha volta. A história é mais complexa que isto, no entanto, pretendo ser breve no e-mail.

(…) Devo procurar ajuda? Estou em perigo?». Resposta – Lemos a sua mensagem, que nos sensibilizou. Porém, não é uma novidade propriamente dita nos apelos que temos recebido ao longo dos anos. Não está em perigo, mas deve procurar ajuda. Não precisa de viver com essa dificuldade se estudar, perceber por que é que isso acontece e criar outro tipo de padrão de sintonia vibratória (modo de sentir e pensar) que desligue essa perturbação.

Há uma informação interessante: ninguém precisa de viver assim para sempre. Isso irá melhorar e adiantamos que depende sobretudo de atitudes interiores que sejam capazes de isolar esse tipo de interações, favorecendo por sua vez a intervenção normalmente impercetível de amigos espirituais que se preocupam consigo e lhe desejam o maior êxito, na boa utilização do seu livre-arbítrio, nesta passagem terrena tão importante.

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FEP foto pixabay Novas de alegria – 21 À luz de “O Evangelho segundo o

Página 43 min

FEP foto pixabay Novas de alegria – 21 À luz de “O Evangelho segundo o Espiritismo” (OESE), temos ponderado a natureza da prece: energia mental emitida com determinada intenção, tendo na fé uma componente fulcral. Nada sugere necessidade ritual de paramentos, cerimónias, recitações em coro. Inútil adorno ao ato da prece, o ritual não lhe acrescenta valor ou eficácia; rouba-lhe até alguma energia, pela atenção que requere.

Modelo e guia para a Humanidade, Jesus exaltou a singeleza e autenticidade na oração, advertiu da inutilidade do fraseado extenso e rebuscado (Mat 6:7), como se dirigido ao capricho de exigentes divindades mitológicas, e não ao Pai de infinita misericórdia. O Bom Pastor enfatizou (João 4:24) que o poder e eficácia da prece residem nela mesma, não em atavios de culto externo. Importa proferi-la com fé e concentração, seus elementos - -base, de modo a sintonizar energeticamente as regiões superiores, de altíssima frequência, da Vida e do Universo.

Relata S. Lucas (7:20) que o Divino Amigo, quando proferiu o inesquecível Sermão da Montanha, ali passara toda a noite em oração. Ninguém entende que, “toda a noite em oração”, signifique ter o Rabi recitado longas fórmulas e ladainhas, num opulento cerimonial com círios, incenso, cânticos, paramentos. Lógico, sensato, é entender que o Mestre passou horas de recolhimento profundo, em sintonia com altíssimas frequências vibratórias da Vida maior.

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Pesquisa

Página 54 min

Recentemente tivemos o privilégio de ler um artigo publicado na revista científica “Neuroendocrinology Letters” que se intitula “Aspetos históricos e culturais da glândula pineal: comparação entre as teorias propostas pelo Espiritismo nos anos 40 e as evidências científicas atuais”. Este introduz pela primeira vez os livros de André Luiz na literatura científica, sendo de louvar o estudo e a curiosidade dos autores adstritos à publicação deste artigo no meio científico.

Pesquisando na “PubMed”, o maior motor de pesquisa de artigos científicos, facilmente se obtém na íntegra este artigo, o que evidencia o exercício lento mas assertivo de união da Medicina e Espiritualidade. Este ensaio não substitui o artigo supracitado e, mais do que um resumo, pretende apenas estimular a réstia de inquietude que lateja em todos nós e encorajar o leitor a saciar-se posteriormente com o texto original.

O objetivo do artigo é, por um lado, compilar a informação trazida nos livros psicografados por Francisco Cândido Xavier a partir do espírito André Luiz sobre a glândula pineal, em particular em “Missionários da Luz” de 1945, “No Mundo Maior” de 1947 e “Evolução em Dois Mundos” de 1958, que abordavam esta temática em maior profundidade. Por outro lado, o artigo pretende comparar essa informação trazida por psicografia por uma pessoa iletrada em meados do século XX com as evidências científicas atuais.

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Breves

Página 64 min

Braga: Curso Básico de Espiritismo A Associação Sociocultural Espírita de Braga (ASEB) já abriu as inscrições para uma nova turma presencial de Curso Básico de Espiritismo. Os interessados podem inscrever-seé gratuito – on-line ou na própria ASEB. Este curso inicia a 7 de setembro do corrente ano e termina em 27 de junho de 2020. Na internet, o link é esteaseb.com.pt. Esta ligação pode ser também reencaminhada por si para alguém que creia estar interessado em integrar o grupo de estudo.

Caldas da Rainha: Curso Básico de Espiritismo O Centro de Cultura Espírita (CCE) também já abriu as inscrições para uma nova turma presencial de Curso Básico de Espiritismo. A iniciar a 5 de outubro, prevê-se que termine em junho do ano que vem. Acontece aos sábados entre as 17h00 e as 18h15. Esta associação sem fins lucrativos tem a sua sede localizada na Rua Francisco Ramos, n.º 34, R/C. Sitecceespirita.wordpress.com.

Porto: Curso Básico de Espiritismo O Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), cuja sede fica na Rua Fonseca Cardoso, n.º 39, 1.º Dt.º Frente, Porto, inicia às 21h30 do próximo dia 23 de setembro, segunda-feira, uma nova edição do curso básico de espiritismo. Antes disso, porém, dia 21 do mesmo mês, sábado, inicia uma outra turma de curso básico para agilizar horários de quem não pode ir às 2-feiras à noite. Num e noutro caso, temas como os precursores da doutrina espírita, as vidas sucessivas, a pluralidade dos mundos habitados, as leis morais, o fluido cósmico universal, a mediunidade ou a escala espírita serão itens de estudo conjunto numa formação que se baseia na interatividade com os participantes.

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Entrevista

Página 73 min

Falar sobre o suicídio já não é tão “proibido” como em tempos que já lá vão. Mas preveni-lo, é cada vez mais desafio imperativo de quem informa, educa, vigia ou aconselha. A própria OMSOrganização Mundial de Saúdeconsidera o suicídio um caso de saúde pública e que em 90% dos casos estão associados a patologias de ordem mental e são diagnosticáveis e tratáveis. Depressão, tristeza, frustração, melancolia, angústia, desemprego, trabalho, problemas de saúde, aborrecimentos familiares, inércia ou a culpa por não estar de bem com a vida… Quem não conhece estas palavras que contextualizam espectros que “ferem” o estado emocional, psíquico e social de muitos de nós, ao mesmo tempo que impõem lancinantes dores físicas, psicológicas e sociais de tamanho relevo?

Atarefada com a posse de bens materiais, a sociedade atual assume diferentes formas de entender a problemática do suicídio de acordo com a “visita” deste flagelo no próprio ou nos acompanhantes de quem a “recebe”. Despreocupadamente, afirma-se que “cão que late não morde”… Mas a realidade vivida quotidianamente e demonstrável pelas estatísticas revela que, pelo menos, dois terços dos casos anunciaram a intenção previamente.

Toda a criatura tem problemas, mais ou menos graves para resolver, enquanto habitante do Planeta Azul, e, entretanto, nem todas procuram refúgio pelo suicídio. Depende de respostas individuais às agruras da vida. Segundo o dicionário, suicídio, é: “Ato intencional de tirar a própria vida”. Não vamos deter - -nos aqui nos aspetos materiais que o termo contém. Podemos passar a analisar numa ótica espiritual: é possível tirar-se a própria vida?

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Entrevista (pág. 8)

Página 88 min

Conte-nos, rapidamente, sobre a sua vida pessoal, quando se sentiu com o acidente emocional a ponto de acalentar a ideia de suicídio? Ana FranciscaNão é fácil abreviar em poucas linhas uma história de vida, mas… uma infância infeliz, uma família desestruturada, uma adolescência castrada, ajudaram na criação do perfil de uma pessoa insegura, muito ansiosa, e com necessidade de aprovação por parte dos outros.

Posteriormente um divórcio complicado, uma vida profissional demasiado exigente e que entretanto deixou de ser gratificante, a falta de uma rede de suporte familiar, um esgotamento, uma posterior depressão, o preconceito social face à depressão, um sentimento de autocomiseração, alargado também aos filhos, por fim, a falta de esperança e de vontade de viver. A depressão, a tristeza gerada constantemente, o esperar que os dias passassem rápido, a falta de objetivos… A vontade suicida assaltava-me constantemente ao ponto de procurar quais as formas que, poderiam gerar menos sofrimento a mim e às minhas filhas.

A depressãoea ansiedade não são sinais de fraqueza. Tinha consciência disso e estava a ser tratada? AFLi muito sobre o tema. Percebi que era um quadro clínico de depressão e que muitas vezes exigia tratamento químico. Fui acompanhada por psicólogos, psiquiatras. Experimentei vários tipos de terapia, nomeadamente hipnose clínica e EMDR (uma terapia na área da psicologia). É preciso muita coragem. Como é que se sentia?

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Notícia

Página 95 min

Embora a primeira reunião de trabalho tenha decorrido em julho desse ano, foi em setembro que tomou personalidade jurídica. Para recordar essa data, escolhemos o modelo simples de pergunta e resposta para nesta página deixar o registo da efeméride. Para saber mais pode visitar no site da ADEP os posters sobre diversas das iniciativas desenvolvidas, bem como um pequeno caderno comemorativo desta data que, em breve, será disponibilizado em versão eletrónica com estas e mais perguntas.

Como surgiu a ADEP? – Para responder há que recorrer à memória e a alguns documentos para precisar as datas significativas. Assim, é certo que a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) teve a sua primeira reunião de trabalho na mesma tarde da apresentação do projeto e das suas atividades a curto prazo, em 31 julho de 1999, ainda como associação sem personalidade jurídica, em Caldas da Rainha. Ao aproveitar o período de férias profissionais de verão, foram convidadas duas dezenas de pessoas de todo o país para se encontrarem nesta cidade do Centro de Portugal, mais acessível para quem vinha do Norte e os que vinham do Sul.

José Carlos Lucas, um dos primeiros convidados para este projeto, era então dirigente na Associação Cultural Espírita, de que fora fundador. Pelas 14h30 do dia 31 de julho de 1999, sábado, estavam lá quase todos os que foram convidados, vindos de cidades como Braga, Porto, Caldas de S. Jorge, Caldas da Rainha, Lisboa, Sines, Olhão. A ordem de trabalhos dessa tarde foi esta: 1 – Explicar o projeto ADEP; 2 – Avançar e organizar planificações e frentes de trabalho; 3 – Diversos.

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Centrais

Página 103 min

A vida triunfa Ao converter-se gravações de antigas videocassetes VHS, da década de 1990, encontrámos um seminário ministrado na sede da Federação Espírita Portuguesa por uma jovem médica sobre vários aspetos da mediunidade. Embora tivesse estado lá a gravar, a verdade é que já há muitos anos, com o vaivém das responsabilidades, há muitos anos que se me tinha apagado da memória o conteúdo desses dias. No mister de “cortar” as pontas na digitalização amadora, conseguiu ver-se nalgumas partes da apresentação audiovisual, ainda através de acetatos, alguns gráficos retirados do referido livro.

Que boa surpresa! Encontrámos depois com facilidade a obra na internet, entre outros livros eletrónicos, e ao folheá-lo lá estavam realmente esses e outros gráficos que analisam elementos variados das cartas mediúnicas vindas maioritariamente de jovens desencarnados, na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Depois de reformado da profissão de funcionário público, já em idade avançada, Francisco Cândido Xavier entre as responsabilidades que tinha em mãos, enquanto decorriam palestras sobre temas doutrinários, ia psicografando.

Nessa época, em Uberaba, no estado de Minas Gerais, no Brasil, o centro espírita em que se enquadrava a sua colaboração era visitado diariamente por centenas de pessoas, muitas delas oriundas das mais variadas regiões desse país. Muitas delas eram pais e mães que transportavam consigo o problema de falecimento dos seus filhos, normalmente durante a juventude. Obviamente, na verdade, apenas uma minoria desses pais cheios de saudades reunia condições para que se tornasse útil uma mensagem dos seus filhos desencarnados, quando estes estavam em condições de as dar.

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Pesquisa (pág. 12)

Página 126 min

foto arquivo Caso n.º 10 Extraímos um dos casos transcritos na parte que o livro «A vida triunfa» lhes dedica. Ilustra-se assim a matéria-prima sobre que se debruça a obra nos gráficos publicados, ou seja, as mensagens psicografadas. Nome: Ronaldo Malafronto Idade: 23 anos Nome do Pai: Sr. Malafronto; Nome da Mãe: Thereza Malafronto Data e local do nascimento: 28/5/1950, em São PauloSP Data e local do falecimento: 13/2/1973, às 22 horas, em São PauloSP Causa do falecimento: aneurisma cerebral.

(...) A mensagem “Querida mãezinha, peço a sua bênção. Daria tudo o que sou para retratar-me no que escrevo, de modo a falar ao seu carinho com toda a realidade de minha vida nova, mas porque não sei como fazer para alcançar isso, peço a Deus para que as nossas saudades consigam conversar, aqui, mamãe, nesta hora desejada e, ao mesmo tempo, imprevista. Venho com a vovó Philomena (1) e com o tio Raphael (2) pedir seu consolo.

Pedir sua fé em Deus. Parece, mamãe, que a dor é uma nuvem a envolver os nossos sentimentos. Entendo isso melhor agora, que voltei, de inesperado, para a vida que, na essência, é a vida verdadeira. No princípio os problemas foram muito grandes, porque, quando ouvi suas súplicas de pranto, a aflição me tomou de assalto. Foi tudo tão rápido naquele fevereiro (3) em que eu fazia tantos planos (4). Bastou uma veia (5) a partir-se eamáquina do corpo cedeu à queda.

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Opinião

Página 135 min

São quase cinco detenções por dia. Cerca de 70% dos casos estão relacionados com violência no contexto de uma relação amorosa e em que as mulheres são as vítimas, existindo alguns casos em que é o homem que sofre violência e também casos de violência sobre idosos e sobre crianças. A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), através da sua Rede de Apoio a Familiares e Amigos de Vítimas de Homicídio, publicou no seu relatório anual que em 2018 existiram 87 casos de homicídio em Portugal, sendo que em cerca de 37% dos casos existia uma relação de intimidade entre vítima e agressor.

Será possível erradicar a violência da nossa sociedade sem antes eliminar os gérmenes dos comportamentos agressivos que existem dentro do círculo da intimidade? A 3.ª parte de «O Livro dos Espíritos» trata das Leis Morais, leis divinas ou naturais que regem o universo. Uma dessas leis é a Lei da Sociedade, que estabelece um conjunto de princípios de relacionamento, mostrando como eles são preciosos para potenciar o crescimento e desenvolvimento saudável a nível mental, intelectual e espiritual.

Fomos e somos moldados pelos nossos relacionamentos. Para o ser-humano, o contacto com o outro não é uma escolha, é uma necessidade, já que se sabe que o isolamento social provoca alterações biológicas que deterioram a saúde do corpo, tornando-o mais suscetíveis a infeções, cancro e doenças mentais. O isolamento é tão penalizador que se torna insuportável. Os críticos das celas solitárias, usadas como uma punição para os encarcerados que violam as regras dos estabelecimentos prisionais, referem-se a esse castigo como uma “tortura psicológica”.

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Crónica

Página 145 min

No contexto da doutrina espírita, a palavra “caminho” é bem reveladora da sua profundidade filosófica. O caminho da alma e do espírito faz-se incessantemente, nos percursos das suas múltiplas existências. A experiência do caminho reflete momentos de grande recolhimento, de introspeção, de meditação, de predisposição interior, porque a alma fica mais desmaterializada e exposta às dádivas da Natureza. Em tempos remotos, muito antes da cristianização, a peregrinação não tinha uma conotação religiosa.

Estava relacionada com uma longa viagem, geralmente realizada em país estrangeiro, como indica a palavra latina “peregrinatio”, referindo-se ao viajante que percorre essas terras como “peregrinator” ou “peregrinus”. No tempo da civilização romana era um estatuto próprio de quem tinha escolhido a carreira militar, quais soldados percorriam a pé, os vastos territórios da Europa, da Ásia e do Norte de África. Faz parte da natureza do Ser Humano sentir a necessidade de afirmar a sua condição de viajante e as motivações que o guiam são inúmeras: a procura de evasão, experimentar as rotas da liberdade, fugir da rotina, encontrar um sentido para a vida e para a morte, buscar uma outra forma de vida ou sistema de valores que rompam com o passado.

O sentido religioso da peregrinação remonta ao templo de Salomão, em Jerusalém, o qual era procurado por muitos judeus para celebrarem as suas cerimónias do culto, por ocasião das festas da Páscoa, da Dedicação e dos Tabernáculos. Mais tarde, Jesus também marcou presença nestas festas. Os nossos irmãos judeus, cristãos, muçulmanos, budistas, hindus têm também o seu culto de peregrinação. Independentemente das diferentes crenças religiosas, os peregrinos manifestam estados de alma que são comuns a qualquer peregrinação espiritual.

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Opinião (pág. 15)

Página 154 min

Perdoar é preciso, faz falta à Humanidade como o pão para a boca. Perdoar é, igualmente, preciso (de precisão), pois alcança fatalmente o perdoado, com um impacto fatal. O poder do perdão é tão grande que Jesus de Nazaré, há dois mil anos, apontava esta prática como o caminho para a espiritualização do Homem, ao recomendar perdoar os inimigos. Perdoar 70 x 7, isto é, sempre. Perdoar não é esquecer (tudo o que nos acontece fica gravado no nosso psiquismo); perdoar não é amar de igual modo o criminoso ou alguém que nos ame muito.

Obviamente, temos sentimentos diferentes relativamente aos demais, variando com a maior ou menor afinidade que tenhamos com essas pessoas. Mesmo lembrando o mal que nos possam ter feito, mesmo que gostemos mais ou menos desta ou daquela pessoa, conforme as afinidades, o ensinamento que Jesus (o grande psicoterapeuta da Humanidade, no dizer do Espírito Joanna de Ângelis) deixou é que é sempre possível perdoar. Isso significa entender o outro, entender por que agiu de determinada maneira; significa compreender que é um ser em evolução, mesmo errando, mesmo prejudicando; significa ter uma visão holística da Humanidade, a espraiar-se pelos séculos sem fim, ao longo das reencarnações, saber e sentir que, amanhã, esse ser hoje condenável socialmente, será melhor, atingindo o vértice da evolução espiritual, um dia, dentro da lógica das vidas sucessivas e progressivas (“O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec).

Perdoar não significa ser condescendente com o erro, não significa omitir-se, desculpar o crime, mas sim, independentemente da aplicação coerciva das leis humanas, entender, não odiar, não desejar mal, sentir apesar de tudo, o espírito de irmandade universal que a todos nos liga, nos múltiplos patamares evolutivos de cada um. Quando se atinge esse estado, o Homem pacifica-se por dentro, serena, age em conformidade com a sua tranquilidade interior, independentemente do que aconteça exteriormente.

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Opinião (pág. 16)

Página 165 min

Por séculos e séculos o Homem procurou em vão uma fórmula mágica ou um poder Divino que fosse capaz de o libertar das amarras da doença e da morte, transformando-o num ser feliz, perfeito e eterno, não percebendo que, afinal, ele tinha sido criado com o destino marcado de atingir a perfeiçãoea felicidade, e que dispunha de um tempo eterno para o conseguir. Mas os apelos da matéria, apesar das repetidas experiências, fizeram- no esquecer a sua Essência Divina e a procurar externamente o que só no seu íntimo poderia encontrar – a felicidade, resultante da conquista progressiva e laboriosa de qualidades e virtudes, num processo de mudança constante alicerçado no autoconhecimento e autoaperfeiçoamento.

Atualmente, o Homem está cada vez mais consciente da necessidade de percorrer esse caminho interno de mudança, mas tem também consciência do quanto ele oferece resistência e dificuldade – por mais simples que pareça ser uma mudança, esta confronta-se com quedas e falhas que muitas vezes levam ao desânimo. Por isso, o propósito deste pequeno texto é relembrar que todos os caminhos de mudança são atravessados pelas montanhas milenares dos nossos erros e imperfeições e que atingir a meta implica ultrapassar essas montanhas, o que exige esforço e perseverança.

Se desistirmos nunca conseguiremos ver a paisagem serena da dificuldade vencida. Consciente das dificuldades de transformação do ser humano, Allan Kardec escreveu: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” Não disse que o verdadeiro espírita tinha de ser perfeito, nem tão pouco que tinha de vencer suas imperfeições, mas que tinha de se esforçar para as vencer, pressupondo, desta maneira, que seria um processo com dificuldades e quedas a exigir esforço constante.

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Cinema / Literatura

Página 1710 min

CINEMA / LITERATURA Deixamos alguns extractos da introdução do ensaio intitulado “Ramatís, o Espírito pseudo - -sábio” que na época ─ décadas de 50, 60 e 70 do século XX ─ invadiu o movimento espírita com “revelações” que confundiram muitos espíritas, levando-os a situações ridículas e desprestigiantes para o Espiritismo. Vejamos: «Para muitas pessoas que foram habituadas a ler Ramatís sem a segurança do conhecimento espírita que a Codificação de Kardec nos faculta, a afirmação de que estamos perante um Espírito mistificador e pseudo-sábio, pode ser considerada leviana.

Mas, não! Ao escrevermos sobre Ramatís e sua obra não nos move qualquer intuito de desrespeito para com tal Espírito e, muito menos, para os seus seguidores e admiradores, move-nos sim o profundo respeito, veneração mesmo, que temos para com a Doutrina Espírita que Ramatís amesquinha e ridiculariza com fantasias e revelações excêntricas, expressas, muitas vezes de forma arrogante. Nos primeiros anos da minha militância esRamatís, o Espírito pseudo-sábio!

pírita ─ últimos anos da década de setenta e primeiros da década de oitenta ─ lia, de quando em quando, nomeadamente por parte do professor Herculano Pires, críticas devastadoras à obra de Ramatís. Como não conhecia a obra, nem tão pouco os objectos ─ teorias e revelações ─ das críticas, mantinha-me em silêncio, no entanto muito curioso e ansioso para conhecer os factos. Sem jamais deixar de ler as obras da Codificação, as obras de Léon Denis (1846-1927), as obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier (1910-2002) e Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), procurei as obras de referência de Ramatís, e encaixei-as no meu programa de leituras e estudo que me havia imposto.

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Entrevista a frequentadores Sabia que?

Página 182 min

Era uma vez um cientista que vivia preocupado em descobrir como poderia melhorar o mundo. Por mais voltas que desse à cabeça, estudos que fizesse, consultas a obras de diversos filósofos, da antiguidade até aos nossos dias, não estava a ser fácil encontrar uma forma de consertar o mundo. Passava os dias fechado no seu escritório para encontrar a solução para o seu problema e não conseguia chegar a uma conclusão.

Certo dia, o seu filho pequeno, de seis anos, invadiu-lhe o escritório na esperança de convencer o pai a irem passear e brincarem juntos o resto do dia. O pai, rapidamente começou a pensar numa forma de entreter o garoto para que o deixasse nas suas árduas tarefas. Olhou à sua volta e reparou numa revista que estava em cima da sua secretária. Ao folhear a revista encontrou um mapa do mundo numa das páginas e resolveu tirar essa folha e cortá-la em vários pedacinhos para que se transformasse num puzzle.

Entregou os pedacinhos todos ao filho e disse-lhe: - Toma este pequeno puzzle que tem o mundo e vai tentar unir as peças todas para que fique novamente certinho. É um trabalho muito difícil. Quero ver se consegues fazer isso sozinho, sem ajuda de ninguém. O pequeno não tinha noção da forma do mundo, pois era ainda muito novo para saber isso. O pai estava certo que, assim, o filho estaria entretido por algumas horas o que lhe daria sossego para continuar à procura de soluções para o seu problema de querer endireitar o mundo.

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Sustentável

Página 193 min

Iniciativa experimental da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), a ADEP.tv foi para o ar assim que o estúdio ficou livre para produção, pelo meio- dia de domingo, 28 de julho. Os rostos de serviço desta vez foram Ulisses Lopes e Noémia Margarido. Dadas as boas- vindas, a conversa desenrolou-se com comentários sobre a edição em circulação do «Jornal de Espiritismo». Como se estava já próximo de um evento de referência, as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, que decorrem no Centro Cultural e Congressos, de Caldas da Rainha, no fim de semana de 28 e 29 de setembro, subordinadas ao tema geral “Conflitos existenciais: causas e soluções”, os diálogos seguiram por esse caminho e incluíram um telefonema em direto com José Lucas, membro da organização dessas jornadas.

Os intervenientes referiram uma mão-cheia de outros acontecimentos que se desenrolam no movimento espírita português até final do ano. É o caso do 36.º Encontro Nacional de Jovens Espíritas, em Coimbra, das Jornadas Culturais Espíritas de Vale de Cambra, do fórum em Leiria sobre obsessão, o seminário sobre medicina e espiritualidade da AME Lisboa, bem como o seminário na cidade do Porto organizado pela AME Norte. Falaram ainda da abertura de novas turmas de curso básico de espiritismo em Braga, Caldas da Rainha e Porto nos meses de setembro e outubro.

O cinema teve o seu lugar quando falaram do filme sobre Divaldo Pereira Franco, sem esquecer um outro em produção sobre Paulo de Tarso e o que teve os direitos de emissão adquiridos pela Netflix sobre Allan Kardec, do mesmo realizador de «Nosso Lar». O livro escolhido por Noémia Margarido para ser referido nesta oportunidade foi “O que é o espiritismo?”, de Kardec. Pode (re)ver este programa de uma hora quer no canal de YouTube quer na página do Facebook da ADEP.

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Última

Página 202 min

Se responder está a ajudar A ADEP tem em curso um questionário que tem em vista colaborar com o movimento espírita e justapõe-se na Lusofonia a anteriores edições deste inquérito concebido por Ivan Franzolin, Brasil. Assim, para comparação de dados globais entre ambos os países, as perguntas são praticamente as mesmas formuladas da mesma maneira. Neste ângulo, a ADEP está a divulgar até 30 de novembro de 2019 um pequeno questionário que pede a sua colaboração.

As perguntas estão aquihttps://forms.gle/LVZ8taAH5r6uQTYP6 A pesquisa pretende apurar dados sobre o modo de pensar e de se comportar dos adeptos da doutrina espírita, depois apos larga divulgação das obras de Allan Kardec. Uma vez concluído, com estes indicadores, as associações podem identificar as necessidades dos frequentadores e trabalhadores dos centros espíritas, além de ajustar as suas estratégias e ações de comunicação.

Note que o questionário não possui respostas certas e erradas. O conteúdo da pesquisa será tratado de forma global, sem a identificação pessoal dos participantes. Os resultados serão disponibilizados oportunamente no site da ADEP: www.adep.pt. Jornadas de Cultura Espírita do Oeste As XV Jornadas de Cultura Espírita do Oeste vão ter lugar no Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha no fim de semana de 28 e 29 de setembro.

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