Pesquisa (pág. 12)
Jornal de Espiritismo nº 96 · Setembro 2019Página 126 min
foto arquivo Caso n.º 10 Extraímos um dos casos transcritos na parte que o livro «A vida triunfa» lhes dedica. Ilustra-se assim a matéria-prima sobre que se debruça a obra nos gráficos publicados, ou seja, as mensagens psicografadas. Nome: Ronaldo Malafronto Idade: 23 anos Nome do Pai: Sr. Malafronto; Nome da Mãe: Thereza Malafronto Data e local do nascimento: 28/5/1950, em São PauloSP Data e local do falecimento: 13/2/1973, às 22 horas, em São PauloSP Causa do falecimento: aneurisma cerebral.
(...) A mensagem “Querida mãezinha, peço a sua bênção. Daria tudo o que sou para retratar-me no que escrevo, de modo a falar ao seu carinho com toda a realidade de minha vida nova, mas porque não sei como fazer para alcançar isso, peço a Deus para que as nossas saudades consigam conversar, aqui, mamãe, nesta hora desejada e, ao mesmo tempo, imprevista. Venho com a vovó Philomena (1) e com o tio Raphael (2) pedir seu consolo.
Pedir sua fé em Deus. Parece, mamãe, que a dor é uma nuvem a envolver os nossos sentimentos. Entendo isso melhor agora, que voltei, de inesperado, para a vida que, na essência, é a vida verdadeira. No princípio os problemas foram muito grandes, porque, quando ouvi suas súplicas de pranto, a aflição me tomou de assalto. Foi tudo tão rápido naquele fevereiro (3) em que eu fazia tantos planos (4). Bastou uma veia (5) a partir-se eamáquina do corpo cedeu à queda.
O desejo de exprimir os meus pensamentos era muito forte. Queria falar, pedindo ao papai para que ficasse, pedir à senhora para não esmorecer, conversar com o Ricardo (6) solicitando a ele mais assistência para o seu carinho (7), mas os lábios estavam selados. Mamãe, porque a gente não pensa em dizer tudo o que se quer enquanto a palavra pode sair da boca? Não sei. Aquilo tudo, com aquela impressão de fim de existência, me fez chorar por dentro, mas as lágrimas eram iguais às vozes que se mantinham presas comigo.
Minhas pálpebras também estavam cerradas e aquele orvalho de dor que me nascia no coração ficou estancado... Por isso, mãezinha, é que a senhora e os nossos tiveram a impressão de que eu chorava no corpo imóvel (8). Ver, eu não vi, mas as suas perguntas nesse sentido eram muitas (9) e minha bisavó Philomena, que me tomou por outra mãe, explicou-me o que se passara. Quando me retiraram da forma física extenuada, as comportas se abriram e as lágrimas que eram em mim preces a Deus, rogando forças em vão para dizer alguma coisa, rolaram pela face.
Não pense que seu filho estava sofrendo. Acontece que dormi e só acordei em outro lugar com as suas exclamações. Pensei que estivesse num hospital da Terra, semelhante àqueles que conhecemos, mas me encontrava em outra parte da nossa mesma Terra, que a gente aí não consegue ver. O anseio de conforto me doía no espírito e só muito depois é que vim a saber tudo o que acontecera. O tratamento de minhas forças não me atingiu os sentimentos e, por isso, o desejo agoniado de dar notícias continuou...
Venho pedir à senhora para viver e ficar tranquila (10). A vovó Pasqualina (11) precisa e precisa muito de seu carinho e de seus cuidados. Tenho ido vê-la com o meu avô Angeloantonio (12), um amigo muito amado que mais me parece um tronco florido de amor (13). Mãezinha, perdoe meu pai (14) se ele não resistiu à ocorrência (15). Tenho procurado levar até ele alguma esperança. Mamãe, aqui, a nossa visão é diferente da visão de que nos servimos no mundo.
Papai não é mau, nem desertou. Sofreu e desanimou. Agora, precisamos pensar nele como sendo também seu filho. Ricardo e eu temos nele um irmão porque nesse aspeto a senhora orará por ele e abençoá-lo-á onde estiver, no rumo diverso a que se entregou. Peço a sua coragem e a sua fé. Não existe morte. Temos uma vida imensa a conquistar. O que temos na Terra física é só uma fração dos tesouros que Deus criou para a nossa felicidade.
Sei que a senhora tem andado fatigada e nervosa (16). Sem tranquilidade a buscar-me sem esperança, mas rogo a sua fortaleza e não cultive qualquer ideia de solidão. Onde estão os necessitados, aí se acomoda a parte mais atribulada dos filhos de Deus, reclamando socorro (17). Aqui tenho aprendido muitas lições. Meus pobres 23 anos (18) de corpo físico foram apenas um sonho. A realidade está por aqui a chamar - -nos para Deus, principalmente através dos que sofrem mais do que nós mesmos.
Mãezinha, não disponho de muito tempo. Mas estou quase feliz porque pude escrever e falar que a amo sempre e cada vez mais. Não se entristeça. Estarei ao seu lado. Ajude a todos, a todos que Deus nos confiou na família, mas sabendo sempre que o nosso lar no Butantã (19) é um pedacinho da humanidade, a grande família que também espera por nós. Mãezinha, transformemos as nossas saudades em tarefas de amor ao próximo e confiemos em Deus (20).
Minha tia Oliva (21), como deseja que a chame, abraça a senhora e vovó e pede - -lhe paciência com a querida avozinha Pasqualina. Jesus nos dará forças. Não posso continuar. Querida mamãe, receba todo o meu amor, com toda a dedicação de seu filho sempre seu e sempre reconhecido. Ronaldo.” Mensagem recebida em 9/4/1976, em Uberaba, MG, pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública no Grupo Espírita da Prece.
Esclarecimentos 1 - Philomena Oliva, avó materna de dona Tereza Malafronto. 2 - Raphael Cantáforacunhado de dona Tereza, tio de Ronaldo. 3 - 13 de fevereiro de 1974 - dia do falecimento de Ronaldo (10 horas da noite). 4 - Fazia tantos planos porque se sentia realizado. Pela primeira Vez ia ter carro próprio, foi buscar a carta de motorista à tarde e faleceu à noite. Tinha novo emprego, onde ia ganhar mais, trabalhou apenas um dia e meio na Ford Willys.
5 - Faleceu em dez minutos por rompimento de aneurisma cerebral. 6 - Ricardo Malafrontoseu irmão. 7 - Ricardo tem estado um pouco afastado da mãe. 8 - Durante o velório dona Tereza e alguns amigos notaram que as lágrimas rolavam pelas faces mortas. 9 - Dona Tereza queria saber porque o filho chorava, seria angústia de tê-la deixado ou outro sofrimento? 10 - Antes da morte do filho dona Tereza tentou o suicídio em certa ocasião que se achava desesperada.
Ronaldo salvou-aefê-la jurar que nunca mais atentaria contra a existência. 11 - Pasqualina Angeloantonio é mãe de dona Tereza e avó de Ronaldo. 12 - Egídio de Angeloantonio é avô de Ronaldo. (Repare na grafia correta Angeloantonio, em palavra única). 13 - O avô queria muito bem ao neto, desde pequeno. 14 - O pai de Ronaldo é alcoólatra. 15 - Deixou o lar definitivamente 15 dias depois do falecimento de Ronaldo. 16 - De fato, dona Tereza chegou a tomar em um mês mais de 100 injeções.
Ia ao cemitério para chamar pelo filho, em casa clamava por ele, gritava pedindo uma palavra de consolo. 17 - Ronaldo sempre gostou de ajudar os pobres e os humildes. 18 - Nasceu em 28/5/1950. 19 - Ronaldo só viu os alicerces, quando faleceu eles moravam na Radial Leste, estando os prédios em construção. 20 - Convite de Ronaldo para que sua mãe continue a tarefa de amor ao próximo que ele gostava de fazer. 21 - Vicenta Olivatia de dona Tereza.
Extrato do livro «A vida triunfa», publicação FE, 1992, de Paulo Rossi Severino/ equipa da AME-SP. SETEMBRO.OUTUBRO.
