Centrais
Jornal de Espiritismo nº 96 · Setembro 2019Página 103 min
A vida triunfa Ao converter-se gravações de antigas videocassetes VHS, da década de 1990, encontrámos um seminário ministrado na sede da Federação Espírita Portuguesa por uma jovem médica sobre vários aspetos da mediunidade. Embora tivesse estado lá a gravar, a verdade é que já há muitos anos, com o vaivém das responsabilidades, há muitos anos que se me tinha apagado da memória o conteúdo desses dias. No mister de “cortar” as pontas na digitalização amadora, conseguiu ver-se nalgumas partes da apresentação audiovisual, ainda através de acetatos, alguns gráficos retirados do referido livro.
Que boa surpresa! Encontrámos depois com facilidade a obra na internet, entre outros livros eletrónicos, e ao folheá-lo lá estavam realmente esses e outros gráficos que analisam elementos variados das cartas mediúnicas vindas maioritariamente de jovens desencarnados, na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Depois de reformado da profissão de funcionário público, já em idade avançada, Francisco Cândido Xavier entre as responsabilidades que tinha em mãos, enquanto decorriam palestras sobre temas doutrinários, ia psicografando.
Nessa época, em Uberaba, no estado de Minas Gerais, no Brasil, o centro espírita em que se enquadrava a sua colaboração era visitado diariamente por centenas de pessoas, muitas delas oriundas das mais variadas regiões desse país. Muitas delas eram pais e mães que transportavam consigo o problema de falecimento dos seus filhos, normalmente durante a juventude. Obviamente, na verdade, apenas uma minoria desses pais cheios de saudades reunia condições para que se tornasse útil uma mensagem dos seus filhos desencarnados, quando estes estavam em condições de as dar.
Essa minoria, porém, reúne ainda assim dezenas de mensagens mediúnicas com uma notável quantidade de detalhes que configuram fortes evidências da imortalidade da alma. O livro não apresenta apenas o tratamento de dados das mensagens, mas também descrições dos cenários em que estes factos se passaram: «Diante de um público numeroso, duzentas a trezentas pessoas, por noite, o médium retira os óculos, cobre os olhos com a mão esquerda e, suavemente, inicia a escrita.
O lápis corre célere, captando seis, oito ou mais cartas-mensagens, três a quatro horas além da meia-noite. O público não percebe a troca de espíritos comunicantes. Todas as mensagens são colocadas no mesmo bloco por uma paciente auxiliar, sra. Zilda Batista, abnegada cooperadora do Grupo Espírita da Prece que há cerca de trinta anos cumpre essa tarefa. Concluídos os trabalhos, o presidente, sr. Weaker Batista, chama em voz alta o destinatário, que se mantém em pé, próximo à cabeceira da mesa, enquanto o próprio médium procede à leitura da carta.
São momentos de indisfarçável emoção para muitos, de vitória sobre a perplexidade de outros e de abalo do ceticismo para alguns. E, sem dúvida, de algumas decepções porque, segundo expressão do médium, o “telefone toca de lá para cá” e não como se supõe “de cá para lá”.» Remetemos para «A vida triunfa» os leitores interessados, mas partilhamos aqui alguns dos gráficos, sublinhando que até neste peculiar e restrito universo da mediunidade psicográfica há dados equiparáveis a resultados que temos publicado nalgumas das edições anteriores.
fotos ulisses.com.pt Não o temos visto nas livrarias que temos visitado, mas a verdade é que reúne os requisitos para ser um clássico da literatura espírita. Intitula-se «A vida triunfa – pesquisa sobre mensagens que Chico Xavier recebeu», foi publicado em São Paulo, Brasil, em 1990, pela editora do jornal mensal «Folha Espírita», e é da autoria de Paulo Rossi Severino, assessorado pela equipa da Associação de Médicos Espíritas de São Paulo (AME-SP).
