Notícia
Jornal de Espiritismo nº 96 · Setembro 2019Página 95 min
Embora a primeira reunião de trabalho tenha decorrido em julho desse ano, foi em setembro que tomou personalidade jurídica. Para recordar essa data, escolhemos o modelo simples de pergunta e resposta para nesta página deixar o registo da efeméride. Para saber mais pode visitar no site da ADEP os posters sobre diversas das iniciativas desenvolvidas, bem como um pequeno caderno comemorativo desta data que, em breve, será disponibilizado em versão eletrónica com estas e mais perguntas.
Como surgiu a ADEP? – Para responder há que recorrer à memória e a alguns documentos para precisar as datas significativas. Assim, é certo que a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) teve a sua primeira reunião de trabalho na mesma tarde da apresentação do projeto e das suas atividades a curto prazo, em 31 julho de 1999, ainda como associação sem personalidade jurídica, em Caldas da Rainha. Ao aproveitar o período de férias profissionais de verão, foram convidadas duas dezenas de pessoas de todo o país para se encontrarem nesta cidade do Centro de Portugal, mais acessível para quem vinha do Norte e os que vinham do Sul.
José Carlos Lucas, um dos primeiros convidados para este projeto, era então dirigente na Associação Cultural Espírita, de que fora fundador. Pelas 14h30 do dia 31 de julho de 1999, sábado, estavam lá quase todos os que foram convidados, vindos de cidades como Braga, Porto, Caldas de S. Jorge, Caldas da Rainha, Lisboa, Sines, Olhão. A ordem de trabalhos dessa tarde foi esta: 1 – Explicar o projeto ADEP; 2 – Avançar e organizar planificações e frentes de trabalho; 3 – Diversos.
Esta foi considerada uma reunião inicial de formação da ADEP. Nessa altura, apresentou-se um audiovisual explicativo do projeto, incluindo a sua finalidade de trabalho prolongado no tempo. Apresentou-se uma planificação geral de iniciativas da ADEP e cada atividade foi trabalhada e entregue a uma equipa restrita de pessoas, coordenada por uma delas, e distribuída por todos os elementos. Nessa reunião, face ao interesse de tomar personalidade jurídica, formou-se uma lista dos órgãos sociais da ADEP, deliberando-se que, tão breve quanto possível, se faria a sua legalização.
Distribuíram-se propostas de sócios pelos elementos presentes. Das 20 pessoas convidadas, quatro não puderam estar presentes. Logo à partida foi bem explicado que o único objetivo da ADEP era trabalhar em busca de uma meta de qualidade de conteúdo e de forma. Nada mais. A ADEP veio depois a adquirir personalidade jurídica em setembro de 1999, com a ajuda importante de Isaías Pinho de Sousa, num notário em Santa Maria da Feira.
Antes dessa reunião de julho de 1999, o que levou à decisão de avançar com a criação de uma associação de divulgadores de espiritismo? – Avançou-se com este projeto porque poucos A Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) celebra em setembro de 2019 o seu 20.º aniversário. foto arquivo meses antes, J. Gomes tinha sido persuadido por Adonay Barreto, da Amazónia, Brasil, que seria importante avançar e criar uma associação de divulgadores.
Adonay tinha vindo apoiar graficamente um encontro nacional de jovens espíritas em Viana do Castelo (dias 30 de abril e 1 e 2 de maio de 1999, o n.º 16, realizado numa escola secundária). A ideia já tinha surgido antes, pela circunstância das ADE (associações de divulgação do espiritismo) serem, nessa altura, referidas com frequência na imprensa espírita brasileira e na internet que estava a generalizar-se desde há poucos anos.
Porém, como Portugal é um país de pequena extensão, acreditava que esses departamentos de atividade poderiam funcionar dentro da Federação Espírita Portuguesa o que, afinal, não foi realmente funcional. Que solução poderia surgir? – Bem, uma associação à qual só se ligassem pessoas sintonizadas com as metas definidas e cujo único interesse consistisse em serem úteis. Os projetos, para serem consistentes, têm de ter continuidade.
Os integrantes teriam de ter conhecimentos doutrinários nada dúbios e caráter participativo. Seria uma associação que se restringisse apenas a trabalho bem orientado, com uma estratégia definida. Em relação aos integrantes, seria melhor ainda se essas pessoas tivessem perfis adequados oriundos das suas profissões: professores para trabalharem do ponto de vista didático os cursos que se viessem a fazer para ajudar a dar mais qualidade a colaboradores do movimento espírita; gente da imprensa que soubesse o que é comunicar de forma correta pela escrita e pela palavra oral; gente que soubesse de língua portuguesa para não publicar erros; professores de inglês para traduções de textos; fotógrafos com boa formação; etc.
Que iniciativas começou a ADEP por desenvolver? – Havia uma folha de planificação com diverADEP: duas décadas sas iniciativas que foi entregue naquela altura a responsáveis, embora algumas delas já estivessem praticamente feitas. Foi o caso do site da ADEP, naquela altura ainda sem domínio próprio, assim como do curso básico de espiritismo disponibilizado pela internet. Na altura este curso funcionava com tutores que acompanhavam os inscritos – tudo gratuito, claro – por email.
Como não havia mais recursos, criou-se um boletim «Informativo espírita», de duas páginas, distribuído por email, na verdade, o antecessor deste jornal (JDE), pois durante os primeiros anos ADEP não tinha financiamento para publicar sequer uma única edição impressa. Isso tornou-se possível quatro anos depois graças à ajuda decisiva de Isaías Pinho de Sousa que, em 2003, adiantou o pagamento de publicidade da sua empresa e com essa ajuda foi possível imprimir e criar receita com assinantes para dar continuidade bimestral a este jornal com o seu primeiro número a ser distribuído em novembro/dezembro de 2003.
Começaram logo a enviar-se os comunicados noticiosos para uma lista de destinatários com notícias a curto prazo do movimento espírita. Em 21 de julho de 2019, semanal, ia no seu n.º 1160. E muitas outras iniciativas foram desenvolvidas. E projetos para o futuro? – Não temos meios para multiplicar a esmo o que fazemos, pelo que, o que nos interessa é manter regularmente as tarefas que temos em mãos, como o «Jornal de Espiritismo», por exemplo, aumentando a sua qualidade.
É preferível do que ceder à tentação de nos envolvermos em demasiadas tarefas e forçosamente perdermos qualidade nas que já desenvolvemos e possam ser mais úteis aos destinatários. Isto percebe-se pelo facto de ser tudo feito nos tempos livres dos envolvidos, sem financiamentos, nem remuneração. Se os houvesse, poderíamos contratar técnicos que desenvolvessem conteúdos segundo planos de trabalho que viéssemos a concretizar.
Mas isso não só nos preocupa como nem sequer está no horizonte que temos por diante. Contudo, estamos sempre abertos a sugestões, que analisamos e vemos se fazem sentido, na perspetiva de melhor servir quem procura o que vamos produzindo. SETEMBRO.OUTUBRO.
