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Cinema / Literatura

Jornal de Espiritismo nº 96 · Setembro 2019Página 1710 min

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CINEMA / LITERATURA Deixamos alguns extractos da introdução do ensaio intitulado “Ramatís, o Espírito pseudo - -sábio” que na época ─ décadas de 50, 60 e 70 do século XX ─ invadiu o movimento espírita com “revelações” que confundiram muitos espíritas, levando-os a situações ridículas e desprestigiantes para o Espiritismo. Vejamos: «Para muitas pessoas que foram habituadas a ler Ramatís sem a segurança do conhecimento espírita que a Codificação de Kardec nos faculta, a afirmação de que estamos perante um Espírito mistificador e pseudo-sábio, pode ser considerada leviana.

Mas, não! Ao escrevermos sobre Ramatís e sua obra não nos move qualquer intuito de desrespeito para com tal Espírito e, muito menos, para os seus seguidores e admiradores, move-nos sim o profundo respeito, veneração mesmo, que temos para com a Doutrina Espírita que Ramatís amesquinha e ridiculariza com fantasias e revelações excêntricas, expressas, muitas vezes de forma arrogante. Nos primeiros anos da minha militância esRamatís, o Espírito pseudo-sábio!

pírita ─ últimos anos da década de setenta e primeiros da década de oitenta ─ lia, de quando em quando, nomeadamente por parte do professor Herculano Pires, críticas devastadoras à obra de Ramatís. Como não conhecia a obra, nem tão pouco os objectos ─ teorias e revelações ─ das críticas, mantinha-me em silêncio, no entanto muito curioso e ansioso para conhecer os factos. Sem jamais deixar de ler as obras da Codificação, as obras de Léon Denis (1846-1927), as obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier (1910-2002) e Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), procurei as obras de referência de Ramatís, e encaixei-as no meu programa de leituras e estudo que me havia imposto.

Assim que as li, fiquei admirado como Ramatís era tão acatado por muitos espíritas, designadamente alguns dirigentes. Perante a evidência factual da mistificação, senti uma necessidade imperiosa de a denunciar, o que o fiz de forma pública num seminário promovido, em Lisboa, pela Federação Espírita Portuguesa, no dia 21 de Abril de 1985 e no ano seguinte, a 8 e 9 de Fevereiro, em Lagos, no 2º Encontro de Jovens Espíritas.

» Registo ainda uma experiência pessoal que me marcaria até hoje: «Estávamos no final de 1979, ou princípio de 1980 ─ no início do meu contacto com o Espiritismo ─, quando um dia nos foi dito por uma pessoa que frequentava, como eu, o Centro Espírita «Perdão e Caridade» (CEPC), em Lisboa, que Kardec já estava ultrapassado, já tinha sido superado; e, fazia-nos a comparação com uma planta que tinha nascido, crescido, dado flores e frutos e que agora estava a murchar, pois que já tinha cumprido a sua missão.

Explicava-me, então, que já existiam novas revelações que suplantavam a obra do Codificador. Lembro-me como se fosse hoje, (…). Tais afirmações criaram em mim uma indignação e mal-estar tão grandes que me marcariam até hoje. Tal amigo, mais antigo do que eu nas lides espíritas (…) estava-se a referir aos livros de Ramatís e muito particularmente às obras, «A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores» (1955) e «Mensagens do Astral» (1956), títulos que por si só tinham algo que não me soavam bem, comparados com os da rica bibliografia espírita, cuja leitura já me vinha empolgando.

Na altura já tinha lido praticamente, pela primeira vez, a obra de Kardec, excluindo a Revista Espírita, que ainda não estava divulgada em Portugal; também já tinha lido vários livros psicografados por Francisco Cândido Xavier e a obra monumental da lavra mediúnica de Yvonne do Amaral Pereira, “Memórias de um suicida”. Portanto, tinha consciência da tremenda injustiça e violência moral, que era feita com a afirmação irresponsável, leviana e gratuita de que «Kardec já tinha sido superado», não obstante ainda não ter lido nada de Ramatís.

Como neófito no movimento espírita, limitei-me a ouvir em silêncio, com um aperto no coração, sem qualquer reacção. Gostaria de esclarecer que tinha feito uma grande caminhada, desde minha infância, até encontrar, ou reencontrar, o Consolador, que aquela metáfora da «planta que murchou», o ridicularizava, destruindo ao mesmo tempo a esperança no Espiritismo naqueles que dele se abeiravam.» Vamos registar apenas um dos absurdos que contêm cada um dos livros que lançaram o ramatismo no meio dos espíritas.

No primeiro, datado de 1955, «A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores», faz revelações disparatadas, anticientíficas e antimorais, como o da existência duma ave gigante, originária dum dos seus satélites e que está a ser domesticada para transportar mercadorias dos satélites para o Planeta e vice-versa. No entanto, já possuem naves ultra sofisticadas para nos visitarem. Nós tão atrasados em relação a eles, já reformamos os animais de tiro (cavalo, burro, etc.)

que durante milénios nos serviram. Como poderia uma ave voar no espaço? Carregada e fazendo milhares de quilómetros. Como? No segundo livro que consolidou o ramatismo junto da ignorância fascinada, «Mensagens do Astral», datado de 1956, data em que o homem ainda não tinha viajado no espaço e entrado na órbita da Terra, fala do “Fim do Mundo Terra”, como a conhecemos, resultante da aproximação dum “astro intruso” que vem a caminho da Terra e, que ao passar junto do nosso planeta vai verticalizar o seu eixo, levando a gigantescos cataclismos que dizimarão 2/3 da população ─ mais de 5 biliões de pessoas perecerão ─ sugando os seus Espíritos, que irão com ele.

O mais caricato é que Ramatís afirma as datas e horas do início de tal catástrofe e antes do final do milénio estaria tudo consumado. O mais preocupante é que o Espírito mistificador para se impor cita recorrentemente “O Livro dos Espíritos”, como se fosse um grande entendido no mesmo, levando logo os incautos a lhe abrirem as portas para paulatinamente se insinuar junto da ignorância vaidosa e assim ridicularizar a mensagem do Espírito da Verdade.

Este ensaio é constituído por 25 páginas A4 e respectiva bibliografia e índice. Abre com uma sábia instrução do saudoso professor José Herculano Pires: «Kardec obedeceu ao princípio espírita de que só devemos aceitar o que estiver provado cientificamente. Este critério rigoroso livrou-o de aceitar revelações mediúnicas que invalidariam a sua obra.» Quem desejar lê-lo integralmente basta solicitar à redação por mail para o receber grátis em pdf.

Texto: Carlos Alberto Ferreira Kardec Alguns dos grandes espíritos que passaram pela Terra, vindo em missão, deixaram um legado que é impossível negar. Colocando de lado as idolatrias que muitas vezes nos impedem de usar a razão, sentimos frequentemente a necessidade de lhes prestar sentidas homenagens e elogios, que temos a certeza que eles próprios dispensariam, mas que têm como objetivo revelar a admiração, agradecer-lhes o trabalho e a importância que tiveram nas nossas vidas.

O mais importante será, sem qualquer dúvida, não os deixar cair no esquecimento e ajudar a que as suas obras, os seus ensinamentos e o seu exemplo perdurem e sirvam de mola impulsionadora da nossa evolução íntima e do progresso cultural, moral e intelectual da sociedade. A história que este filme se propõe contar é uma história que muitos já conhecem, pelo menos os factos mais importantes, mas que serve para relembrar a importância deste homem singular e a obra extraordinária que ele ajudou a construir.

Com Leonardo Medeiros no papel de protagonista, o filme conta a história de Hippolyte Leon Denizard Rivail, o homem por detrás do pseudónimo mais conhecido e que abraçou a missão de codificar a Doutrina Espírita. Como é possível ser espírita sem conhecer Allan Kardec? Quase 10 anos depois de levar mais de 4 milhões de brasileiros aos cinemas com o filme “Nosso Lar”, o realizador Wagner de Assis voltou a apostar no segmento Espírita agora com o filme “Kardec”.

Estreado em maio, o filme já esteve em mais de 400 salas em todo o Brasil. A partir de 1822, quando se instalou definitivamente em Paris, o professor Rivail iniciou a sua carreira de pedagogo e educador, caracterizada pela procura da reforma do ensino público, da aplicação do método de Pestalozzi através de técnicas que valorizassem a ação, o diálogo, a experiência prática e o amor, privilegiando o desenvolvimento integral da criança nos seus aspetos intelectuais e morais.

Rivail dedicou cerca de 30 anos da sua vida à educação e saiu no início da década de 50, desapontado pela preponderância e controlo que a igreja readquiriu com a subida ao poder de Napoleão III. Alguns anos depois, a convite de amigos, foi exposto a uma sessão de mesas girantes que ele pretendia desacreditar. No entanto, de imediato ficou refém dos factos. Constatou a realidade do fenómeno que não poderia tratar-se de um fenómeno simplesmente magnético, pois não havia lei da física que explicasse como um objeto em movimento poderia responder de forma lógica e concreta às questões que lhe fossem colocadas.

O seu espírito de investigador entusiasmou-se pela ideia, entrevendo que por detrás das aparentes futilidades tratadas, estaria algo muito mais sério, uma nova lei, uma causa inteligente que ansiava por ser desvendada. A partir dessa altura, querendo distinguir a sua atividade profissional como pedagogo dos seus trabalhos na área Espírita, ele adotou como pseudónimo o nome de um druida que viveu na Gália por volta do ano 58 AC, e que segundo o que o Espírito Zéfiro lhe dissera, ele teria sido numa anterior encarnação: Allan Kardec.

O filme vai-se desenrolando através de vários episódios da vida de Allan Kardec e possui uma fotografia assinalável, retratando de forma preciosa a cidade de Paris do século XIX. A partir de 31 de agosto será mais fácil assistir ao filme “Kardec”, uma vez que os seus direitos foram adquiridos pela Netflix. Título Original: “Kardec” Realizado por Wagner de Assis Elenco: Leonardo Medeiros, Guilherme Piva, Genézio de Barros Brasil, 2019 – 110 min.

Por Carlos Miguel SETEMBRO.OUTUBRO.2019 foto direitos reservadosComo conheceu o Espiritismo? Ana PaulaPor intuição, sempre senti o apelo da doutrina, até que uma amiga me levou a uma palestra púbica… - Frequenta algum centro espírita? Ana PaulaSim, frequento o Centro Cultural Espírita, de Caldas da Rainha. - Qual a sua opinião acerca do “Jornal Espiritismo”? Ana PaulaO “Jornal de Espiritismo” é um excelente meio de divulgação da doutrina espírita, pois através da qualidade dos artigos divulgados, do conteúdo credível dos mesmos, bem como pela forma acessível através da qual chega ao público em geral (espíritas ou não), faz dele um excelente complemento cultural.

De salientar ainda a sua importância quanto à divulgação de eventos e atividades a realizar ou realizadas pela ADEP, bem como por vários centros espíritas. - Do que já conhece do Espiritismo, ele mudou algo na sua vida? Ana PaulaDo que já conheço sobre o Espiritismo devo afirmar que em muito mudou a minha vida. Ter consciência sobre as leis morais de Deus, as mesmas que Jesus de Nazaré tentou ensinar à Humanidade, e o efeito da sua aplicabilidade na minha vida, tem-me ajudado a crescer moralmente e consequentemente no relacionamento com o próximo.

Ter sido despertada para o facto de que não há efeitos sem causas e que todos temos iguais oportunidades de evolução através da reencarnação, ajudou-me a compreender de onde vim, onde estou e para onde vou. Em suma, o conhecimento e estudo da doutrina espírita faz de mim um ser humano feliz. Ana Paula reside em Caldas da Rainha e, hoje reformada, foi funcionária no quadro das atividades bancárias. Está na casa dos 50 anos.

IMPRESSÃO DIGITAL O primeiro pesquisador a estudar casos de experiências de quase-morte (EQM) em crianças foi Melvin Morse, médico pediatra dos Estados Unidos, há cerca de 32 anos? Em algumas mortes violentas (por acidente, por exemplo) o Espírito é surpreendido, fica perturbado, não aceitando que esteja morto pois, apesar de ver o seu corpo, não compreende que esteja separado, durando essa ilusão até ao completo desprendimento da matéria, sendo aqui, de grande importância as preces de ânimo pelo que partiu?

Na obra “A Psicografia à Luz da Grafoscopia”, publicada anteriormente na revista científica “Semina”, da Universidade Estadual de Londrina (Brasil), o autor, Carlos Augusto Pérandrea, com base em mensagens psicografadas por Francisco Cândido Xavier, comprova a realidade das comunicações mediúnicas, comparando a letra padrão do indivíduo antes da morte com a sua assinatura aposta na mensagem psicografada, chegando, desse modo, por meio de análises técnicas, à verificação da autenticidade?

Vai ser lançada em Portugal, nas XV Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, Caldas da Rainha, no próximo mês de Setembro, pela Federação Espírita Portuguesa, a 4.ª edição da obra “A Génese”, publicada em meados do século XIX por Allan Kardec? O Espírito, criado simples e ignorante, não necessitará mais de reencarnar quando, progredindo através de inúmeras existências, atingir o estado de Espírito puro? Sendo a felicidade terrena relativa à posição de cada um, existe, entretanto, uma medida comum para todos os homens: para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura eafé no futuro?