Entrevista
Jornal de Espiritismo nº 96 · Setembro 2019Página 73 min
Falar sobre o suicídio já não é tão “proibido” como em tempos que já lá vão. Mas preveni-lo, é cada vez mais desafio imperativo de quem informa, educa, vigia ou aconselha. A própria OMSOrganização Mundial de Saúdeconsidera o suicídio um caso de saúde pública e que em 90% dos casos estão associados a patologias de ordem mental e são diagnosticáveis e tratáveis. Depressão, tristeza, frustração, melancolia, angústia, desemprego, trabalho, problemas de saúde, aborrecimentos familiares, inércia ou a culpa por não estar de bem com a vida… Quem não conhece estas palavras que contextualizam espectros que “ferem” o estado emocional, psíquico e social de muitos de nós, ao mesmo tempo que impõem lancinantes dores físicas, psicológicas e sociais de tamanho relevo?
Atarefada com a posse de bens materiais, a sociedade atual assume diferentes formas de entender a problemática do suicídio de acordo com a “visita” deste flagelo no próprio ou nos acompanhantes de quem a “recebe”. Despreocupadamente, afirma-se que “cão que late não morde”… Mas a realidade vivida quotidianamente e demonstrável pelas estatísticas revela que, pelo menos, dois terços dos casos anunciaram a intenção previamente.
Toda a criatura tem problemas, mais ou menos graves para resolver, enquanto habitante do Planeta Azul, e, entretanto, nem todas procuram refúgio pelo suicídio. Depende de respostas individuais às agruras da vida. Segundo o dicionário, suicídio, é: “Ato intencional de tirar a própria vida”. Não vamos deter - -nos aqui nos aspetos materiais que o termo contém. Podemos passar a analisar numa ótica espiritual: é possível tirar-se a própria vida?
A quem idealiza ou pratica tal ato, cabe ajudar e esclarecer, não condenar, pois apesar de responsáveis, nem sempre são culpados. Como assegurou Harry Weinberger (1888-1944): “o foto arquivo maior direito do mundo é errar”. Mesmo os implicados têm o direito ao arrependimento e à mudança de atitude. Certo será que, depauperados são acolhidos através de uma escuta ativa dada pela terapia da palavra amiga e compreensiva por meio do instrumento da mediunidade e acima de tudo, com a ajuda pronta e eficaz de “mãos” atentas e generosas do “Outro Mundo”.
Efetivamente, há muitos e muitos casos, escutados em reuniões de atendimento espiritual e devidamente documentados por esse mundo fora que, nos levam a observar as consequências da opção voluntária da perda da bolsa de estudos oferecida pela reencarnação, saindo pelo suicídio. Admite-se que apesar de muitos desafios que temos pela frente, para se promover o atendimento digno, o diagnóstico preciso, a medicação adequada e acessível, o acompanhamento correto e eficiente, saber que é possível prevenir a ocorrência de novos casos de suicídio – tratando ou até mesmo curando as doenças que precipitam ou agravam os pensamentos suicidas – é algo extremamente positivo e alentador.
É preciso, entretanto, abrir caminho para abordagem espiritual mais eficiente, regular e assertiva, junto das Associações Espíritas que, promovam o atendimento digno e combatam o preconceito contra esse segmento numeroso da população. Contudo, encetar um tratamento para o comportamento suicida sem um acompanhamento técnico adequado – psiquiatra e psicólogo – e, acima de tudo, sem a ajuda pronta e eficaz de apoio espiritual – palestras, passes e leituras edificantes – é quase ineficaz.
Que o diga Ana Francisca, pseudónimo de uma amiga de 49 anos, divorciada, professora, que viveu intensamente as acritudes da ideação suicida, mas a quem a consciência do sofrimento gerou energia de autoconhecimento e da busca da sabedoria que o Espiritismo comporta. Suicídio: uma bolsa de estudos perdida Muitos vêem-no como um estigma da sociedade; outros apoiam aqueles que lutam contra as suas garras; outros ainda preferem fingir que ele não existe.
É um assunto invisível, ausente sobre o qual preferimos não falar. Mas seja como for, o suicídio é um problema intemporal e pode entrar na nossa vida quando menos esperamos, através de um amigo, um familiar direto ou até mesmo connosco. DIVULGUE OS ACONTECIMENTOS DA SUA ASSOCIAÇÃO Envie as suas notícias para adep@adeportugal.org e, para além de ser enviada por e-mail, será inserida na Agenda do movimento espírita português, no respectivo dia e mês, facilitando assim a consulta de eventos espíritas nacionais.
Aceda a essa agenda em www.adeportugal.org. CUPÃO DE ASSINATURA Desejo receber na morada que indico o “Jornal de Espiritismo” durante uma ano, pelo que junto cheque ou vale postal a favor da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, JE, Apartado 161 – 4711-910 BRAGA (portes incluídos). Nome Morada Telefone E-mail N.º de contribuinte Assinatura anual (Portugal continental) € 7,00 Assinatura anual (Outros países) € 15,00 Assinatura SETEMBRO.
