Correio
Jornal de Espiritismo nº 96 · Setembro 2019Página 35 min
Ouvia chamar o nome Escreve J.C.: «Ontem vi um vídeo vosso no YouTube e decidi enviar esta mensagem. Em criança eu via pessoas no meu quarto ao ponto de dormir quase até aos meus 13/14 anos com a minha avó na cama dela, por ter tanto medo desses acontecimentos. Depois eram vozes constantes, ouvia chamar o meu nome, outras vezes passos, sem estar ninguém à minha volta. A história é mais complexa que isto, no entanto, pretendo ser breve no e-mail.
(…) Devo procurar ajuda? Estou em perigo?». Resposta – Lemos a sua mensagem, que nos sensibilizou. Porém, não é uma novidade propriamente dita nos apelos que temos recebido ao longo dos anos. Não está em perigo, mas deve procurar ajuda. Não precisa de viver com essa dificuldade se estudar, perceber por que é que isso acontece e criar outro tipo de padrão de sintonia vibratória (modo de sentir e pensar) que desligue essa perturbação.
Há uma informação interessante: ninguém precisa de viver assim para sempre. Isso irá melhorar e adiantamos que depende sobretudo de atitudes interiores que sejam capazes de isolar esse tipo de interações, favorecendo por sua vez a intervenção normalmente impercetível de amigos espirituais que se preocupam consigo e lhe desejam o maior êxito, na boa utilização do seu livre-arbítrio, nesta passagem terrena tão importante.
Eles ensinam que passamos no plano material para retificarmos tendências pouco edificantes, dentro do denominador comum de angariar maior amor e sabedoria, tal qual Jesus de Nazaré ensina há 2 mil anos no evangelho. Não precisa de viver com essa dificuldade se estudar, perceber por que é que isso acontece e criar outro tipo de padrão de sintonia vibratória (modo de sentir e pensar) que desligue essa perturbação. Pelo que diz, deverá ter alguma sensibilidade mediúnica.
Para médicos reducionistas e acomodados, tudo isso se restringe ao campo da esquizofrenia ou descompensações afins. Para médicos mais esclarecidos o assunto é amplo e mais complexo, podendo até, segundo os casos, nada ter a ver com psicopatologia. Há um resumo de estudo científico que agrupa essas diferenças. Isto aponta no sentido de que a mediunidade é algo normal, uma faculdade como outras que temos e com as quais lidamos bem.
Sobre o visitante infeliz que sente por vezes: quando algo semelhante acontece, trata-se de alguma entidade espiritual ignorante a que, sem perceber como ainda, dá acesso. A chave está na sua mão. Quando perceber que isso vai acontecer, junte os seus melhores sentimentos, ore a Deus ou a Jesus se preferir, com fé, e verá que, fazendo isso dentro do roteiro das leis da natureza que regem esses fenómenos, tudo se pacificará.
Para aprender mais, deveria estudar o assunto com bibliografia útil. Se for ao site da ADEP <http://adep.pt/> encontra uma lista de associações espíritas (não conhecemos nem metade, pelo que deverá escolher uma em que se sinta bem). Procure o serviço de atendimento privado (nunca se paga nada; se pagar não é uma associação espírita). Se viver longe de alguma associação, pode fazer o curso básico de espiritismo on linehttp://adep.
pt/curso. Disponha. Votos de muita paz e êxito espiritual. OBSESSOR Diz assim J.A.: «Preciso de um conselho. O meu neto tem um obsessor que o faz fazer umas birras. Levá-lo ao um centro espírita está fora de questão, é impossível, como Maomé não vai à montanha, tento que a montanha vá a Maomé». Resposta – Lemos a sua mensagem e é oportuno recordar que, independentemente das experiências que passamos na vida, nunca estamos distantes da bondade de Deus.
Muita gente perguntará – se Deus é bom por que razão permite que haja dor nos seus mais variados matizes. À luz do que os amigos espirituais ensinam, as dores na sua origem primeira são invariavelmente criadas por nós próprios ao interagirmos em livre-arbítrio com as leis da natureza que regem a nossa evolução. Apesar do rigor dessas leis que nos orientam e educam, a pedra filosofal do estado de consciência a que chamamos alegria/felicidade relativa reside na reformulação da nossa vida mental para que as tais leis possam responder dentro de nós num fluxo de paz.
Aprender este processo demora o seu tempo, como o fruto que amadurece na árvore, mas acaba por acontecer a toda a gente, neste e noutros planos da vida. O que podemos fazer entretanto consiste em perguntarmos o que estamos a fazer – ou o que deixamos de fazer – para que tenhamos as respostas da vida que temos tido. Se não estamos bem, há que estudar para melhorar o circuito de causa e efeito. Não é como carregar num botão.
É um processo de continuidade. Se estamos bem, convém perceber o que fizemos que deu esse resultado feliz e guardar o processo criativo no próprio ser. O livre-arbítrio dos outros é deles, logo não nos compete alterar. A experiência própria, que nos está a trazer ao longo de milénios pelas vidas sucessivas da noite dos tempos ao presente e a um porvir decerto mais feliz quando o construirmos, deve ser da própria individualidade, por questões de mérito e de experiência intransferível.
Senão a evolução não funciona. Porém, podemos sempre, sem constrangimentos, orar de forma simples e afetiva a favor de outrem. A maior parte das pessoas menospreza esse recurso de amparo, contudo, o seu valor quando bem aplicado vai burilando as situações menos felizes transportando-as para dias melhores paulatinamente. Qual acontece consigo, o amor que temos pelos filhos e netos é sempre uma mais-valia espiritual a resguardar.
É uma luz que, sentida com amor, se acende cá dentro do ser espiritual que somos com a faculdade de iluminar o presente e o porvir. Toda a sombra, por mais que pareça demorada, será sempre passageira no decurso do tempo sem fim em que todos estamos a aprender. Desejamos que tenha um fim de semana cheio de paz e alegria e tão rapidamente quanto possível a melhor tranquilidade familiar. foto pixabay Alguns leitores colocam questões.
Algumas delas preenchem esta página com a vantagem de poder adiantar uma pergunta que pode igualmente ser sua. SETEMBRO.OUTUBRO.
