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Opinião (pág. 16)

Jornal de Espiritismo nº 99 · Março 2020Página 162 min

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Há cientistas que têm a imortalidade como uma possibilidade biológica. Parece óbvio que essa ideia não leva em conta muitos dados adquiridos por vários ramos da ciência, começando pelo princípio biológico da evolução, que «O Livro dos Espíritos» luminosamente antecipou: “do átomo ao arcanjo, tudo na natureza se encadeia; o arcanjo de hoje começou ele próprio pelo átomo”. Léon Denis lucidamente afirmava: “o Espírito dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal, desperta no Homem”.

Se os sequazes da imortalidade física parecem desprezar dados que a ciência alcançou, já nem falo em religião (no sentido original da palavra), a qual «O Evangelho Segundo o Espiritismo» demonstra perfeitamente compatível com a ciência, sendo-lhe complementar e não contraditória. Para religiosos, imortalidade física não só não tem atrativos como até configura um total absurdo. O Homem é imortal por natureza; porquê buscar a sua imortalidade na prisão acanhadíssima do corpo físico?

Absurdo puro; ainda é possível julgar que o Homem é o seu corpo físico? É difícil entender pessoas de ciência não encararem a matéria física como simples estado temporário da energia, que é, e não origem ou princípio seja do que for. Que pensarmos de uma crisálida ambicionar a imortalidade no “conforto” e “segurança” do seu casulo, desinteressada da fase de vida seguinte, muito mais rica, como borboleta? E a evolução universal não acaba na borboleta.

Mesmo na absurda hipótese de o Homem ser o seu corpo físico, que vantagens ofereceria uma vida de várias centenas de anos (já nem digo imortalidade), com todos os medos fantásticos e reais que se conhecem: medo dos outros homens, medo dos animais, medo de perder bens ou entes queridos, medo de catástrofes naturais ou provocadas, medo de acidentes vulgares, de doenças, contágios, crises sociais, guerras, etc. etc. etc.?

Luís Pasteur ponderava sabiamente: um pouco de ciência, afasta-nos de Deus; mais ciência, aproxima- nos d’Ele. Procurar a imortalidade, uma contradição, faz lembrar a complementaridade da ciência e da religião no pensamento de Einstein: religião sem ciência é cega, ciência sem religião é coxa. O aprofundar da ciência desmoronou o materialismo, contudo a viciação intelectual materialista não foi erradicada de vez na mente humana.

Novas de alegria - 24 O livro sagrado hindu, Bhagavad Gita, cerca de quatro séculos a.C. cantava que tudo é «maya» (ilusão) e só o espírito é realidade, permanência. Jesus de Nazaré, educador e pedagogo ímpar da Humanidade, advertia que só o espírito vivifica, a carne (matéria) para nada aproveita. Einstein demonstrou matematicamente que no Universo material tudo é relativo. A ideia da imortalidade física parece- me francamente contraditória.

Presto o devido respeito aos seus proponentes, intelectual e cientificamente muito mais apetrechados do que eu. Absolutamente certo de que o trabalho dessa investigação nunca será inútil, pode-se esperar dele conhecimentos novos de grande utilidade para os vários aspetos da vida humana. Não, porém, o contrassenso da imortalidade física. Por João Xavier de Almeida A propósito da crescente longevidade humana e das admiráveis conquistas da ciência nessa área, a IMORTALIDADE vem sendo abordada em publicações nacionais e estrangeiras, defendendo-se a sua exequibilidade.

Para religiosos, imortalidade física não só não tem atrativos como até configura um total absurdo. foto a rquivo MARÇO.ABRIL.