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Capa da edição nº 99 do Jornal de Espiritismo

99Jornal de Espiritismo nº 99

Março 2020 · 20 secções · ≈ 70 min de leitura

A edição de Março/Abril de 2020 do Jornal de Espiritismo explora a natureza espiritual do homem à luz de Allan Kardec, abordando a dor e a sua utilidade, a importância do amor e dos bons sentimentos para a percepção espiritual, e as leis naturais que regem a vida após a morte. Inclui uma crónica sobre gratidão e valoração, uma entrevista sobre a importância da leitura e da informação, e a apresentação de fenómenos espíritas documentados em Portugal. A seção "Correio" responde a questões sobre mediunidade espontânea e como ajudar familiares com sensibilidade mediúnica.

Mediunidade
Dor e Sofrimento
Leis Naturais
Amor
Espiritualidade
Cura Espiritual

Capa

Página 11 min

99 ANO XVII JDE MAR Ç O . ABRIL . 2 0 2 0 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 1 . 0 0 Na visão espiritista, feita a partir das obras de Allan Kardec como é normal, existe uma natureza espiritual quer nos outros seres vivos quer na espécie humana. O que pensa disso? Pág. 10 5 CONSULTA E SE A DOR NÃO EXISTISSE? Se a dor não existisse seria mesmo maravilhoso?

O princípio inteligente nos animais e no ser humano 12 CRÓNICA AGRADECER E VALORIZAR É possível ter uma atitude sistemática de atenção ao que de extraordinário acontece à nossa volta. 9 ENTREVISTA INFORMAÇÃO AO PREÇO DE UM CAFÉ Quem não lê, cristaliza, embrutece, estagna. 17 LITERATURA FACTOS ESPÍRITAS EM PORTUGAL Publicado na viragem do ano, o livro relata 15 fenómenos, documentados. MARÇO.ABRIL.

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Editorial / Conto

Página 25 min

EDITORIAL / CONTO Vítor é um homem que traz um sorriso consigo. Inscreveu-se numa associação nortenha no curso básico de espiritismo e, ao saber que por vezes há até espíritas que não se dão bem com o pós-vida material, diz mais ou menos assim: “Não sei como é que me vou safar quando for chamado à vida espiritual!”.* Não adianta temer. Com as informações que se extraem do intercâmbio mediúnico torna-se possível conhecer melhor o funcionamento dessas leis naturais e agir e função delas.

Veja bem: isso é normal na vida. Quando começámos a gatinhar e, depois, a andar sobre os próprios pés, por inexperiência caímos, batemos com o cotovelo e o joelho, até com a cabeça. Mesmo assim, não tardou muito e já estávamos a aprender como relacionar com equilíbrio a lei da gravidade e a necessidade de locomoção. Existem também leis da natureza que regulam o nível das perceções – visuais, auditivas, tácteis, etc. – que temos ao despertar na vida espiritual depois da morte do corpo físico.

A experiência é peremptória: sem amor no coração não teremos olhos para a luz, no dizer de Clarêncio com a pena de André Luiz/Francisco Cândido Xavier em “Entre a Terra eoCéu”. São os bons sentimentos próprios do dia a dia que abrem as percepções espirituais para podermos ver quem nos vem dar a boas-vindas e orientar na nova morada, aquela mesma que Jesus de Nazaré já dizia serem muitas na casa de Deus, o universo. São os bons sentimentos próprios do dia a dia que abrem as percepções espirituais para podermos ver quem nos vem dar a boas-vindas e orientar na nova morada Não se dá de início bem com a vida espiritual quem repete demasiadas vezes atitudes que revelam haver conhecimento sem a vivência que ilumina.

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Correio

Página 34 min

Mediunidade espontânea «Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a vossa atenção. Sou uma pessoa que me considero simples. O universo tem-me dado um presente que quero desenvolver, já que é uma parte espiritual muito especial. (…) Em termos gerais, posso ver, ouvir e até falar línguas de que desconheço o significado das palavras. É um mundo que sinto que devo desenvolver. Gostaria de saber se de alguma maneira podem indicar onde posso procurar a tal orientação que tanto procuro».

Resposta: «Percebemos muito bem as suas palavras, não se preocupe com isso. Costumamos dizer que é sempre mais importante educar do que desenvolver. Quando existem faculdades mediúnicas, que até podem deixar de existir a dada altura com a mesma expressividade, desenvolver pode aumentar a capacidade da ferramenta e, como todo o apetrecho utilitário, vai precisar de capacidade de execução por parte de quem lida com ele.

Por outro lado, educar as faculdades equivale a abrir um caminho de amadurecimento durante o qual o suposto médium apreende informações úteis para saber equilibrar e transmitir apenas o que for edificante, a fim de que a sua atividade se torne, sem qualquer tipo de remuneração, obviamente, um serviço de fraternidade e esclarecimento no campo do eterno bem. Este caminho de esclarecimento deve ser feito a um ritmo que não seja nada precipitado, dentro do preceito «vou devagar, pois tenho pressa».

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FEP foto arquivo Neste contexto, um dos mais recentes livros “Até já”

Página 43 min

publicado para o estudo do Espiritismo, direcionado a jovens a partir dos 15 anos, traz duas histórias para que possamos levar os jovens a refletir sobre a imortalidade. E, em jeito de conversa informal, na contracapa, uma reflexão que passamos a transcrever, procurando suscitar a curiosidade e interesse a todos quantos partilhem da nossa preocupação pela preparação da juventude.

“Acordamos todos os dias e, muitas vezes, levantamo-nos de forma automática, sabendo que a seguir vamos vestir-nos, tomar o pequeno-almoço e, na maioria dos casos, vamos para a escola. Temos a certeza de que o autocarro há-de passar, a escola estará no mesmo lugar, iremos encontrar os amigos, professores, de quem gostamos ou não… enfim, parece-nos que há dias em que tudo corre sobre rodas, não é preciso nem pensar. Porém, outros há em que nos deparamos com notícias amargas, acontecimentos dramáticos, os quais ninguém estava à espera.

O mundo para à nossa volta eocéu cobre-se de cinza… A vida chama-nos à razão! Afinal, é preciso pensar… é necessário desvendar a nossa essência, sair do automatismo das nossas ações e utilizar as ferramentas espirituais que dormem em nós. Como entender a morte? Ela acontece todos os dias, tal como os nascimentos… Mas como entender esse princípio e esse fim? Fim? O que significa ser imortal? Afinal, quem somos nós? Questões que nos assaltam e que também são ilustradas na vida das personagens das duas histórias que trazem um novo ponto de vista acerca da vida, do Ser e de Deus.

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Encontro

Página 54 min

E se a dor não existisse? No entanto, na nossa condição terrena a dor desempenha um papel essencial para a sobrevivência das espécies e para o desenvolvimento individual e coletivo do Homem. Refletindo inicialmente apenas sobre a dor física, é pelo medo de a sentir que se evitam muitas situações passíveis de a causar – a criança afasta-se de uma fonte de calor porque sabe que provoca dor, por exemplo. É para a minimizar que imobilizamos instintivamente uma articulação após uma queda.

É para a superar que se procura ajuda médica quando ela surge... Esta dor assume um papel de proteção biológica inquestionável, funcionando como um sinal de alarme perante uma lesão ou doençaea alteração da sua perceção acarreta consequências graves e pode mesmo colocar a vida em risco. Como situação-limite, refira-se a existência de uma rara doença congénita relacionada com uma mutação genética que se caracteriza pela incapacidade de sentir dor e que conduz, inevitavelmente, à morte prematura dos seus portadores.

Mas há outras situações mais comuns que nos mostram as possíveis complicações decorrentes de alterações da sensibilidade álgica ou termo - -álgica – a polineuropatia diabética é um exemplo bem conhecido de todos. Então, em relação a esta dor não resta margem de dúvida que ela constitui elemento essencial na nossa vida. Mas se o papel desta Dor, conhecida como Dor-Alerta é de fácil entendimento, a sua fisiopatologia é extremamente complexa e continua a merecer a atenção de muitos investigadores.

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Breves

Página 64 min

Aniversário do Centro de Cultura Espírita No mês de janeiro comemorou-se o 17º aniversário do Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha. Foram cinco semanas com conferências diferentes do habitual, como que a recarregar as “baterias” dos frequentadores desta associação espírita. Com uma página no Youtube com mais de 160 conferências gravadas e disponíveis, página em www.cceespirita.wordpress.com, o Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha é apenas mais uma associação espírita portuguesa, entre as mais de 120 existentes no Continente e nas Ilhas.

Neste aniversário foi lançado um novo livro “Factos Espíritas em Portugal”, da autoria de José Lucas, edição da Federação Espírita Portuguesa (FEP); teve lugar um debate em torno de duas entrevistas ao prof. Dr. José Raul Teixeira (Físico, espírita, médium); J. Gomes (Porto) fez brilhante palestra sobre a evolução das espécies na ótica espírita; Luténio Faria (médico) deslocou-se de Águeda para falar de “Espiritismo e Saúde”; e Gláucia Lima (psiquiatra) encerrou o mês, abordando “As demências à luz do espiritismo”.

É sempre momento de festejar um aniversário, mas um aniversário de um centro espírita tem algo de especial, senão vejamos: são 17 anos de atividade contínua, gratuita, dia após dia, semana após semana, mês após mês, sem qualquer remuneração, a não ser a do bem-estar fruído, pelo facto de se ser útil ao próximo. Não se cobra pelas atividades nem se aceitam donativos dos frequentadores. Apenas os sócios, espíritas convictos, se quotizam, livremente, para pagarem as contas do aluguer, água, luz e outras despesas.

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Breves Cupão de Assinatura

Página 72 min

Desejo receber na morada que indico o “Jornal de Espiritismo” durante uma ano, pelo que junto cheque ou vale postal a favor da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, JE, Apartado 161 – 4711-910 BRAGA (portes incluídos). Assinatura anual (Portugal continental) € 7,00 Assinatura anual (Outros locais) € 15,00 Nome Morada Telefone E-mail N.º de contribuinte Assinatura Cartas inéditas a Kardec A Fundação Espírita André Luiz criou uma parceria com o Instituto Canuto Abreu e desenvolveu o projeto Cartas de Kardec, com vista a «garantir a preservação de um material inédito que guarda a memória do Espiritismo».

Segundo a notícia, «o lado humano e familiar de Allan Kardec, os bastidores e a troca de cartas da sociedade espírita do seu tempo, são absolutamente desconhecidos. Um dos documentos do acervo, por exemplo, lança luz sobre a genialidade, a fé racional e a humanidade do codificador». A preservação desta memória histórica tem por epicentro um acervo de 740 manuscritos inéditos que sobreviveram após 150 anos de perseguição.

Para este efeito a dita fundação tem em vista obter financiamento para poder «recuperar e tornar público esse extraordinário legado por meio de um Memorial do Espiritismo, um site contendo as cartas digitalizadas, traduzidas e comentadas, uma série de livros, um banco de imagens e um filme narrando a saga das cartas que sobreviveram à queima propositada do espólio de Kardec, a um saque nazista e diversas tentativas de destruição e ocultação».

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Notícia

Página 83 min

Informação relativa aos dados pessoais dos assinantes do JDE O JORNAL DE ESPIRITISMO (JDE), publicado periodicamente pela Associação de Divulgadores de Espiritismo (ADEP), possui uma modalidade de chegar aos seus Leitores através do pagamento de uma assinatura anual, para a qual se torna necessário o preenchimento de um Cupão de Assinante onde consta por razões óbvias sobretudo o nome, a morada e a forma de contacto, enquanto dados pessoais de identificação.

O jornal segue pelo correio, juntamente com informação da política de privacidade. A forma preferencial de contactar os assinantes sobre os assuntos relacionados com a sua assinatura do jornal, quando necessário, é o e-mail, mas quando por alguma razão excecionalmente este não funciona de forma adequada pode ser necessário estabelecer um contacto telefónico. Por isso, quando alguém assina o JDE está a concordar automaticamente com a cedência dos seus dados pessoais para este fim.

Os dados pessoais dos assinantes, presentes no Cupão de Assinante do JDE, são guardados numa pasta a que tem acesso o colaborador em serviço nessa tarefa, não sendo partilhada com mais ninguém, salvo se algum responsável da ADEP ligado a este setor vier a necessitar de esclarecer alguma dúvida. Terminado o período de assinatura do JDE, se o assinante não a renovar, o dito cupão de assinante arquivado na respetiva pasta será fisicamente destruído no prazo de um ano pelo colaborador ligado a essa tarefa.

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Entrevista

Página 94 min

Informação espírita ao preço de um café São os espíritas acomodados, aqueles que entraram para o espiritismo mas provavelmente o espiritismo ainda não foi interiorizado quanto baste, a fim de um dia, sair lá de dentro, naturalmente, num estado mais avançado da sua espiritualidade. Felizmente a maioria das associações espíritas portuguesas está cada vez mais a valorizar o estudo do espiritismo, a par da prática e do serviço ao próximo: está tudo interligado.

Nem poderia ser de outro modo. São associações sem fins lucrativos que têm nos seus programas anuais o curso básico de espiritismo, o estudo de educação da mediunidade, entre outras formações. Pode-se aferir a literacia espírita de uma associação pelos livros e jornais que vende. Quando os dirigentes dizem que não se consegue vender um jornal ou um livro da codificação que seja, algo está mal na orientação dessa associação espírita.

foto arquivo Quem não lê, cristaliza, embrutece, estagna. O mesmo se passa no que concerne aos espíritas que, muitas vezes abdicam da leitura, do estudo, inclusive de um simples jornal, pois, dizem não ter tempo. Se o Espiritismo é ciência, filosofia e moral, como conhecer o mesmo sem um estudo profundo, contínuo e metódico? Felizmente a maioria parece ter apanhado o pensamento de Allan Kardec que trouxe ao mundo um amplo movimento cultural chamado doutrina dos Espíritos.

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Centrais

Página 102 min

O princípio inteligente nos animais e no ser humano foto pixabay Porém, isso não quer dizer que a palavra Espírito no significado que a doutrina espírita lhe deu se possa aplicar aos animais, por muito que estes sejam fonte de curiosidade e afeto. Não surpreende que esse fator se faça sentir, pois ao longo dos processos de domesticação os animais domésticos foram antropomorfizados, ao contrário do que ocorreu com os seus ascendentes no estado selvagem.

Um bom exemplo disso é algo tão próximo na evolução das espécies como o lobo eocão serem antagonizados, o primeiro – segundo os contos tradicionais – como vilão, pois come ovelhas e cabras, e o segundo como “melhor amigo do homem”. Nessa seleção artificial própria da domesticação, para reprodução começaram por ser escolhidos, segundo o critério da mansidão, aqueles derivados do lobo em que se acentuavam as características expressivas que mais tocassem a alma dos seus donos e defendessem o gado com bravura.

Isto não quer dizer que tenham exatamente a mesma forma de sentir e, muito menos, de ver o mundo que é própria do ser humano. A questão torna-se mais percetível se se expuser a forma como o espiritismo entende o homem. Nesta perspetiva, cada um de nós é um Espírito que tem um corpo material e um corpo espiritual, sendo este último chamado de perispírito. Quando ocorre o fenómeno irreversível da morte do corpo material, as ligações que existem entre o perispírito e o corpo que morre vão-se desfazendo e vemo- nos a dada altura na dimensão espiritual, sendo exatamente os mesmos, e com o corpo espiritual idêntico ao corpo material, com mãos, pés, roupa, etc.

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Centrais (pág. 11)

Página 116 min

Na visão espiritista, feita a partir das obras de Allan Kardec como é normal, existe uma natureza espiritual quer nos outros seres vivos quer na espécie humana. chimpanzés são exemplos de animais que sabem que se estão a ver a si próprios no reflexo de um espelho. Muitos outros animais não sabem, como se percebe nalguns parques de estacionamento quando, na primavera, uma lavandisca ou um rabirruivo ao passarem pelo retrovisor externo de um automóvel acha que viu um rival e farta-se de defecar contra o vidro para o afastar do seu território.

Por exemplo, nas reuniões mediúnicas, não é possível pelo próprio funcionamento das leis da natureza, face à incompatibilidade dos corpos espirituais, ver um médium psicofónico – o popular médium “de incorporação” – a ter uma manifestação, por exemplo, de um cão ou de um gorila. Uma ressalva deve ser feita mediante casos pouco frequentes que reportem uma aparência animalizada que podem aparentar alguns Espíritos, refletindo algumas características no seu comportamento durante o transe mediúnico, seja porque se encontrem em estado de desequilíbrio acentuado na vida espiritual quer porque queiram mistificar ou perturbar uma reunião mediúnica que por alguma razão acolhe este tipo de manifestações infelizes.

Nestes casos amor e energia são a melhor atitude para que a intervenção dos benfeitores espirituais que superintendem os grupos mediúnicos que o mereçam possam prestar a ajuda possível. Esta tipologia, como se percebe, não provém da manifestação de um animal através do médium, mas de um ser humano desencarnado em provação a caminho de se reabilitar para uma vida construtiva. Neste âmbito, é obrigatória a leitura do item 236 de “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, do qual salientamos algumas linhas: “Explanarei hoje a questão da mediunidade dos animais, levantada e sustentada por um dos vossos mais fervorosos adeptos.

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Opinião

Página 124 min

Amparado pelo silêncio, o seu canto ecoou pelo espaço. Após alguns segundos, calou- se e partiu da mesma forma inesperada como tinha chegado. Então, o sábio disse para os discípulos: “Até amanhã!”. Despertar para as bênçãos com que a vida nos surpreende, aprendendo a colocar ênfase no que de extraordinário temos à disposição, é um segredo para vivermos de forma mais lúcida e plena. Um estudo de 2003 do departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, envolvendo 2600 adultos, demonstrou que aqueles que sentiam gratidão a Deus tinham um menor risco de depressão, fobias, crises de ansiedade e vícios como álcool, tabaco e drogas ilegais.

Um outro estudo da Universidade de Zurique procurou relacionar os sentimentos de gratidãoea satisfação escolar de um grupo de alunos do 6º e 7º ano. Mais de 200 alunos foram divididos em três: os que iriam fazer uma lista diária, durante três semanas, de 5 coisas pelas quais se sentiam gratos, os que iriam escrever 5 coisas pelas quais se sentiam aborrecidos e os que não iriam fazer qualquer lista. Três semanas depois, num inquérito à satisfação escolar, os alunos do grupo da gratidão demonstraram um maior índice de satisfação escolar em comparação com os outros dois grupos, especialmente em relação ao grupo que estava focado em escrever sobre os aborrecimentos.

A questão primordial para a coleção de benefícios que a gratidão proporciona, é que as pessoas que se sentem gratas acentuam os aspetos positivos das suas vidas em vez de serem consumidos pelos problemas e pelos medos. E é simples fazê-lo porque depende apenas da predisposição para criar novos hábitos, dando prioridade mental às coisas boas em vez de estarmos focados no que é ruim. O que dificulta a tarefa é o facto de existir muita experiência acumulada em falta de atenção, anos e séculos de comportamentos sistemáticos em que nos concentramos naquilo que falta e em que tomamos as pessoas, a vida, os momentos, a natureza e a saúde como garantidos.

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Opinião (pág. 13)

Página 136 min

Porém, não é vulgar encontrar nesses estudos sobre o poeta, mesmo nos trabalhos de crítica literária, a referência a uma carta de sua autoria, dirigida a sua tia Anica, escrita em Lisboa, no dia 24 de junho de 1916. Este documento da sua correspondência pessoal está publicado em «Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Autobiográficas, Fernando Pessoa, Introduções, Organizações e Notas de António Quadros, Mem Martins: Publicações Europa- América, 1986, pág.

127», o qual constitui uma revelação do comportamento mediúnico narrado na primeira pessoa. Fernando Pessoa expressa claramente o seu espanto perante os comportamentos psíquicos que classificou de misteriosos, quando a partir de março de 1916 «começou a ser médium», face à constatação de ter «começado de repente, com a escrita automática». Esta designação é inerente à psicografia direta ou manual, conforme vem descrita em «O Livro dos Médiuns».

Fernando Pessoa escreveu os pormenores sobre a manifestação deste comportamento, apesar de se confessar como um «elemento atrasador nas sessões semiespíritas» que frequentava. Certo dia, quando regressava a casa, depois ter vindo do Café da Brasileira, sentiu uma «vontade de, literalmente, pegar numa caneta e pô-la sobre o papel», apercebendo-se de que se tratava de um impulso. Escreveu Fernando Pessoa que momentaneamente não tomou consciência do facto, porque o tomou como um comportamento natural de quem pudesse estar distraído, «de pegar numa pena para fazer rabiscos».

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Opinião (pág. 14)

Página 144 min

Nos estudos deste psicólogo 80% da população terrestre são pessoas fisiológicas. Logo as que se ocupam do desenvolvimento moral contribuindo para a evolução da humanidade são cerca de 15% a 20%. O que não é estranho, uma vez que a Terra ainda é habitada por espíritos imperfeitos. Para pertencer a este segundo grupo, o das pessoas psicológicas é necessário desenvolver a consciência, e é ao fazê-lo que descobrimos o que queremos fazer, podemos e devemos, porque nem tudo o que queremos devemos, da mesma forma que nem tudo o que devemos podemos executar; “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” (Paulo, Coríntios 6:12).

O desenvolvimento da consciência é essa relação entre o bem e o mal (bemconforme as Leis de Deus; malé tudo o que se lhe opõe). Todos os seres, principalmente os animais, trazem as marcas dos instintos Energia sexual, energia de vida básicos e o aparelho genésico está na base de todos, pois a reprodução faz parte da vida. Sexo é um dos departamentos orgânicos de maior importância no reino animal. Freud dedicou-se a estudar a sexualidade no ser humano, retirou-lhe os tabus, as castrações, mitos e colocou o sexo como função orgânica onde o prazer constitui o êxtase a fim de nos ajudar no processo de reprodução.

Aos poucos o homem foi ganhando um entendimento diferente e cortando os vínculos com as ideias castradoras do passado onde o sexo era imoral, pecaminoso e imundo. A função sexual é assim uma das belas características do ser humano, porém, pode ser motivo de júbilo ou de transtorno. Muitos dos transtornos de origem afetiva (psicose, transtornos depressivos, bipolaridade) têm a sua origem nos conflitos sexuais que podem ser de diferentes ordens.

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Opinião (pág. 15)

Página 153 min

Esta frase prolongou-se por uns longos 36 minutos de conversa, em que o monólogo que vinha do outro lado ganhou por 10-0 à tentativa de diálogo. Ouvi, e fiquei feliz por verificar que já consigo ouvir… estou a aprender algumas coisas, nesta vida! Um casal na casa dos 70 anos. As queixas do costume: “Ele está insuportável, não o consigo aturar. Não sei se aguento mais, qualquer dia vou embora, sem saber para onde e como.

” Numa quase vã tentativa de opinar, lá para a 12.ª tentativa, consegui “meter a ficha” e dizer qualquer coisa, no meio daquele rol de mágoas, ressentimentos, queixumes. Falámos dos momentos de namoro deles, do casamento, do nascimento dos filhos, das alegrias, dos êxitos materiais, das oportunidades desta vida. Do outro lado, lá vinha “pois é, foi tão bonito, quem me dera que fosse assim, mas agora é diferente, é uma tristeza”.

Vejamos o coleccionador de carros antigos. Antes de serem antigos, eram modernos, fonte de todos os prazeres na condução, úteis. Depois, perderam a graça, ficaram velhos, uns sem peças, outros para a sucata, já não prestavam, diziam, pois outros modelos mais modernos tinham vindo para o seu lugar. No entanto, há sempre quem seja obstinado, quem não desista de limpar e consertar o carburador, meter uma mola nova, um retoque na pintura e, quando se dá por ela, temos um carro de colecção, extremamente valioso, que os outros ambicionam mas não conseguem comprar, pois o preço é exorbitante e raramente está à venda.

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Opinião (pág. 16)

Página 162 min

Há cientistas que têm a imortalidade como uma possibilidade biológica. Parece óbvio que essa ideia não leva em conta muitos dados adquiridos por vários ramos da ciência, começando pelo princípio biológico da evolução, que «O Livro dos Espíritos» luminosamente antecipou: “do átomo ao arcanjo, tudo na natureza se encadeia; o arcanjo de hoje começou ele próprio pelo átomo”. Léon Denis lucidamente afirmava: “o Espírito dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal, desperta no Homem”.

Se os sequazes da imortalidade física parecem desprezar dados que a ciência alcançou, já nem falo em religião (no sentido original da palavra), a qual «O Evangelho Segundo o Espiritismo» demonstra perfeitamente compatível com a ciência, sendo-lhe complementar e não contraditória. Para religiosos, imortalidade física não só não tem atrativos como até configura um total absurdo. O Homem é imortal por natureza; porquê buscar a sua imortalidade na prisão acanhadíssima do corpo físico?

Absurdo puro; ainda é possível julgar que o Homem é o seu corpo físico? É difícil entender pessoas de ciência não encararem a matéria física como simples estado temporário da energia, que é, e não origem ou princípio seja do que for. Que pensarmos de uma crisálida ambicionar a imortalidade no “conforto” e “segurança” do seu casulo, desinteressada da fase de vida seguinte, muito mais rica, como borboleta? E a evolução universal não acaba na borboleta.

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Cinema / Literatura

Página 177 min

CINEMA / LITERATURA Pela primeira vez temos a oportunidade, em Portugal, de tomarmos conhecimento de factos espíritas ocorridos em território nacional, através do livro. Factos estes que ao longo dos tempos estiveram envoltos nas trevas da ignorância que geraram muitas fantasias, medos, perturbações e superstições. Este pequeno, grande livro, relata-nos 15 fenómenos, documentados pelo companheiro José Lucas, que nos demonstram a realidade da imortalidade do espírito.

Noutros países, como na Grã-Bretanha, Estados Unidos da América, Brasil, Factos espíritas em Portugal Itália, etc., personalidades relevantes no campo da ciência não tiveram medo nem preconceitos para enfrentarem o ridículo dos seus pares e da opinião pública, tendo-nos legado várias obras que nos demonstram à saciedade a imortalidade dos Espíritos. Allan Kardec na introdução de “O Livro dos Espíritos” afirma que «As comunicações entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem facto sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas.

Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.» O Codificador, através dos seus pacientes trabalhos realizados em meados do século XIX, na capital da cultura do planeta da época – Paris – enfrentando todo o tipo de preconceitos, calúnias e maldade, legou-nos um monumento de lógica, o Espiritismo, que qualquer pessoa medianamente inteligente pode ler e compreender. Essa herança é constituída na sua base por cinco livros publicados entre 1857 e 1868, que definitivamente desmistificam as fantasias que os homens construíram a respeito da vida depois da morte.

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Entrevista a frequentadores Sabia que?

Página 182 min

Era mais um dia de ir à escola e Carolina acordou com um mau humor que ninguém conseguia suportar. Aliás, esse era o seu estado habitual. Tinha tudo o que todos os meninos sonhavam. - O que hei-de fazer? – suspirava a mãe consigo própria. - Carolina, hoje está um dia lindo. Podes vestir um vestido e despacha-te para ires para a escola. – dizia-lhe a mãe com alegria. - Grande coisa… sol… se correr fico toda transpirada… - murmurava com os seus botões.

Depois de se vestir, agarrou num gancho com uma bonequinha, e ia a colocá-lo nos seus cabelos quando sentiu a bonequinha a mexer-se entre os seus dedos e ouviu uma vozinha muito fina: - Heiii…olha lá…assim vais arrancar-me do teu gancho, eu caio e ainda me aleijo. A Carolina arregalou os olhos para olhar melhor para o gancho e ver se estava a sonhar. Não, nada disso. Era mesmo um ser muito pequenino que estava ali a falar com ela.

Ela era tão bonitinha. - Eu sou a Fada Alegria. Vá, coloca o gancho e vamos embora para a escola. Já estás atrasada. Carolina não contava com aquela situação e, sem responder, pôs-se a caminho da escola. - Carolina, ó Carolina, levanta a tua cabeça. A olhar para o chão eu ainda caio daqui de cima. - Chata! Ainda não paraste de falar. Não quero olhar para ninguém. - Olha, vêaD.Luísa a sair da casa dela. Hoje vai de bicicleta para o trabalho.

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Sustentável

Página 192 min

Lisboa ganhou o prémio de “Capital Verde Europeia 2020”. A distinção procura reconhecer o trabalho que a cidade tem vindo a desenvolver durante a última década em áreas como a ecologia e eficiência energética, bem como a sua política de resíduos e a sustentabilidade social da cidade. É a primeira vez que uma capital do Sul da Europa conquista esta distinção, geralmente atribuída às cidades nórdicas. Durante o ano de 2020, Lisboa será palco de conferências, exposições, eventos, festas e muitas atividades relacionadas com o ambiente.

O programa é extenso e pensado para todos. Segundo a Câmara, para além de encontros, seminários e conferências nacionais e internacionais no âmbito da Capital Verde Europeia, irão realizar- se uma série de exposições que serão acolhidas por vários parceiros da iniciativa, como o Museu da Eletricidade e o MAAT, o Museu Nacional de História Natural e da Ciências da Universidade de Lisboa, instalações da EPAL e da Fábrica de Água em Alcântara, o Pavilhão do Conhecimento, a Gare Marítima de Alcântara, entre outros.

Paralelamente existirá um programa educativo para as escolas de Ensino Básico e Secundário de Lisboa e uma série de iniciativas que pretendem envolver milhares de idosos. Alguns dos eventos já calendarizados: a Urban Future Global Conference 2020 (1 a 3 de abril), o Planetiers World Gathering (23 e 25 abril), ITS 2020, (sobre transportes inteligentes (18 a 21 maio), a Semana Verde Europeia sobre biodiversidade (1 a 3 de junho), a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas (2 a 6 junho) e a EcoProcura 2020 (a realizar-se durante o mês de novembro).

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Última

Página 202 min

Encontro Nacional de Jovens Espíritas O 37.º Encontro Nacional de Jovens Espíritas subordina-se ao tema geral «SOS Jovem: ilumina a tua consciência» e decorre em Águeda em 18 de abril de 2020, dia em que se celebra mais um aniversário sobre a publicação de «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, em 1857. É de sublinhar que estes eventos centrados na juventude começaram em 27 e 28 de julho de 1985 em Águas Santas, no subúrbio da cidade do Porto, e intitulou- se Minicongresso de Jovens Espíritas – eventos conhecidos desde o segundo até hoje como ENJE, encontros nacionais de jovens espíritas.

Congresso Espírita Internacional A Federação Espírita Portuguesa (FEP) está a organizar um congresso internacional que decorrerá no auditório da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa em 3 e 4 de outubro de 2020. «Desafios e soluções» é o tema central deste congresso. A instituição organizadora afirma no seu site que «este Congresso Espírita Internacional, reunindo espíritas de várias latitudes e experiências geográficas e socioculturalmente diversificadas, procurará privilegiar as abordagens que contribuam para ampliar as diversas dimensões do tema da transição planetária, contribuindo para o debate, para a permuta de experiências e para a construção de plataformas de reflexão».

O prazo para apresentação de temas sujeitos a uma seleção termina em 30 de abril e devem ser enviados nas condições indicadas pela organização do evento para esta morada eletrónicacongressoespirita2020@gmail.com. As condições para essa candidatura estão definidas no site da FEPhttps://feportuguesa.pt. É neste site que encontra também tudo para se inscrever, caso deseje estar presente. A notificação de aceitação terá lugar até 31 de junho de 2020.

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