Correio
Jornal de Espiritismo nº 99 · Março 2020Página 34 min
Mediunidade espontânea «Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a vossa atenção. Sou uma pessoa que me considero simples. O universo tem-me dado um presente que quero desenvolver, já que é uma parte espiritual muito especial. (…) Em termos gerais, posso ver, ouvir e até falar línguas de que desconheço o significado das palavras. É um mundo que sinto que devo desenvolver. Gostaria de saber se de alguma maneira podem indicar onde posso procurar a tal orientação que tanto procuro».
Resposta: «Percebemos muito bem as suas palavras, não se preocupe com isso. Costumamos dizer que é sempre mais importante educar do que desenvolver. Quando existem faculdades mediúnicas, que até podem deixar de existir a dada altura com a mesma expressividade, desenvolver pode aumentar a capacidade da ferramenta e, como todo o apetrecho utilitário, vai precisar de capacidade de execução por parte de quem lida com ele.
Por outro lado, educar as faculdades equivale a abrir um caminho de amadurecimento durante o qual o suposto médium apreende informações úteis para saber equilibrar e transmitir apenas o que for edificante, a fim de que a sua atividade se torne, sem qualquer tipo de remuneração, obviamente, um serviço de fraternidade e esclarecimento no campo do eterno bem. Este caminho de esclarecimento deve ser feito a um ritmo que não seja nada precipitado, dentro do preceito «vou devagar, pois tenho pressa».
É algo que não se faz sozinho. Uma associação espírita com a qual se afinize, onde haja um programa fraterno de instrução, é o local normalmente mais adequado para quem tem faculdades mediúnicas. A disciplina de um local tranquilo como são essas coletividades, no tempo e no espaço, com a devida assistência dos amigos espirituais, permite pouco a pouco entender melhor os processos de educação dentro de cujo programa todos estamos engajados no plano evolutivo.
Caso deseje, pode ver as moradas de associaçõesnão conhecemos todasde que temos conhecimento no site da ADEPhttp://adep.pt/todos-os- distritos/ Agora que este ano finda, encontrará decerto em 2020 um ano cheio de clareiras para aumentar a sua aprendizagem no sentido de criar mais paz e alegria na sua casa mental. Por isso, ficam os nossos votos de Bom Ano Novo!». Ajudar um familiar «Gostava de vos pedir aconselhamento para ajudar um jovem familiar meu.
Desde pequenino diz ouvir vozes, tem pressentimos e sentimentos estranhos que não consegue compreender. Para além das vozes, que ainda hoje continua a ouvir, na adolescência começou também a ver pessoas que já morreram. Ele sempre foi muito reservado, e por vezes até revoltado e foi guardando estas coisas só para ele, pois achava que não era normal e tinha vergonha ou medo de contar.Agora pediu-me ajuda, pois tem piorado e ele não está a conseguir lidar com a situação.
Não percebe nem encontra justificação para o que lhe acontece e começa a ter algumas crises de ansiedade. Quero ajudá-lo, mas a verdade é que não sei como. Podem ajudar-me?». Resposta: «Pelo que nos descreve na sua mensagem, é possível que o seu familiar tenha um tipo de sensibilidade a que chamamos mediunidade, que mais não é do que algo comum a todas as pessoas, mas que algumas podem apresentar com maior acuidade. Não é doença, é uma característica normal com que se pode aprender a lidar sem problemas, como acontece a tanta gente nossa conhecida.
Quem a tem não precisa de viver uma vida cheia de problemas. Sendo a mediunidade uma faculdade que se pode equilibrar ou educar, o seu famiiar deverá estudar esse assunto. Esse caminho de esclarecimento, sobre o que se passa com ele e a maneira pela qual poderá vir a regular com tranquilidade essas percepções, pode começar a ser feito a partir do momento em que procure perto de si uma associação espírita. Ao conversar com as pessoas esclarecidas que ali colaboram, pode começar a criar uma estrutura de paz e alegria.
Aquilo que pensamos e sentimos atrai o que for afim. Daí a importância de ter bons sentimentos no dia a dia. Repare que as associações espíritas nunca cobram pela ajuda que prestam a quem as visita. Embora não conheçamos a maioria desses grupos, no site da ADEPhttp://adep.pt/todos-os-distritoshá uma lista de associações ao longo do território português. Procure uma em que se sinta bem, perto de si, e verá que, se o seu familiar se começar a informar sobre como lidar com essas faculdades mediúnicas, a seu tempo elas virão a ser geradoras de bem-estar, ao invés do que ele deverá andar a sentir por estes dias sem o apoio necessário.
Se tiver vontade, veja esta palestra informativa, que ajudará com certeza: https://youtu.be/rKRgDyiSGvg Não descure também a medicina, cujo papel é invariavelmente útil à saúde de todos. Esperamos que tudo corra bem, uma vez que a vida para todos nós está em permanente mudança e os horizontes de sabedoria e amor que Deus nos coloca adiante no trilho evolutivo aguardarão sempre pelos nossos passos. Saudações fraternas».
foto pixabay Faltavam apenas quatro dias para entrarmos no corrente ano e a missiva desta senhora chegou… Costumamos dizer que é sempre mais importante educar do que desenvolver. MARÇO.ABRIL.
