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Jornal de Espiritismo nº 99 · Março 2020Página 102 min
O princípio inteligente nos animais e no ser humano foto pixabay Porém, isso não quer dizer que a palavra Espírito no significado que a doutrina espírita lhe deu se possa aplicar aos animais, por muito que estes sejam fonte de curiosidade e afeto. Não surpreende que esse fator se faça sentir, pois ao longo dos processos de domesticação os animais domésticos foram antropomorfizados, ao contrário do que ocorreu com os seus ascendentes no estado selvagem.
Um bom exemplo disso é algo tão próximo na evolução das espécies como o lobo eocão serem antagonizados, o primeiro – segundo os contos tradicionais – como vilão, pois come ovelhas e cabras, e o segundo como “melhor amigo do homem”. Nessa seleção artificial própria da domesticação, para reprodução começaram por ser escolhidos, segundo o critério da mansidão, aqueles derivados do lobo em que se acentuavam as características expressivas que mais tocassem a alma dos seus donos e defendessem o gado com bravura.
Isto não quer dizer que tenham exatamente a mesma forma de sentir e, muito menos, de ver o mundo que é própria do ser humano. A questão torna-se mais percetível se se expuser a forma como o espiritismo entende o homem. Nesta perspetiva, cada um de nós é um Espírito que tem um corpo material e um corpo espiritual, sendo este último chamado de perispírito. Quando ocorre o fenómeno irreversível da morte do corpo material, as ligações que existem entre o perispírito e o corpo que morre vão-se desfazendo e vemo- nos a dada altura na dimensão espiritual, sendo exatamente os mesmos, e com o corpo espiritual idêntico ao corpo material, com mãos, pés, roupa, etc.
Em boa parte vem daí a confusãoea perplexidade com que os Espíritos distraídos que se comunicam pela mediunidade, em reuniões de auxílio dedicadas aos que necessitam desse apoio, demorarem de início a perceber que já não estão no plano material, mas sim na vida espiritual. Por outro lado, no caso dos animais em geral, entende-se que há também um corpo espiritual que se desprende quando algum morre. Isso não quer dizer que seja o Espírito do animal em causa, mas sim o seu Princípio Inteligente ligado ao respetivo corpo espiritual a desprender-se até ter oportunidade de voltar a nascer na mesma espécie para somar experiências de vida capazes de complexificar muito lentamente, à nossa escala, o seu psiquismo em construção.
Diferentemente do ser humano, não têm os animais um livre-arbítrio consolidado e a responsabilidade que lhe está associada, com capacidade de distinguir o bem do mal. Nem tão pouco, quando excecionalmente ocorre, a chamada consciência de si próprio pressupõe que o ser em causa tenha capacidade suficiente de concretizar os atributos que acabámos de referir. Essa consciência de si próprio normalmente guarda algum tipo de relação com a experiência de ao ver-se ao espelho não se confundir e pensar que é outro ser que está ali, naquele mundo que vê mas não consegue alcançar, nem quando vai espreitar por detrás do vidro.
Corvídeos como a abundante pega-rabuda, golfinhos, alguns Por outro lado, no caso dos animais em geral, entende-se que há também um corpo espiritual que se desprende quando algum morre. MARÇO.ABRIL.
