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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 84 min

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ientemente inovadoras e estimulantes para novos modos de pensar e de revisão de perspectivas que o realidade complexa exige. A “Cons-Ciências” - a única publicação académica no seu género em Portugaltem um preço de lançamento de que todos podem usufruir.

Pedimos a vossa colaboração para que o seu conteúdo possa vir a despertar curiosidade e adesão noutros círculos de amizade e profissionais e que os textos das comunicações publicadas, “para memória futura”, possam ser partilhadas e difundidas em termos didácticos, científicos e culturais.

Todos os pedidos da “Cons-Ciência” 2005 podem ser solicitados através do e-mail agata&Gufíp.pt ao cuidado de Agata

Rosmaninho. Texto: Joaquim FernandesCTECUniversidade Fernando Pessoactec&ufp.pt entrevista

Dora Incontri: pedagogia espirita

Dora Incontri é jornalista de formação. Investigadora e escritora, tem dedicado a sua vida ao ensino. Mestra, doutora e pósdoutorada em Filosofia da Educação pela USPUniversidade de São Paulo -, é ainda fundadora da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita e directora da Editora Comenius na cidade de Bragança Paulista — São Paulo, onde nos recebeu e concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal de Espiritismo.

Como prof. doutora e coordenadora do primeiro curso de pós-graduação lato sensu de Pedagogia Espírita jamais efectuado numa universidade, contando ainda com um vasto corpo docente na Universidade Santa Cecília, da cidade de Santos, São Paulo, Brasil, como vê este momento histórico?

Dora Incontri — Foi uma luta imensa para chegarmos até aqui, mas considero realmente um marco histórico este curso, pois pela primeira vez adentramos uma instituição académica pelas portas da frente, oferecendo um curso, com reconhecimento do Ministério da Educação. O espiritismo precisa sair dos guetos fechados dos centros para inserirse na cultura contemporânea, oferecendo a alternativa sólida da sua proposta. E a Universidade ainda é o local privilegiado para isso!

O que é uma pedagogia espírita?

D.I. — Costumo sempre começar por dizer o que a pedagogia espírita não é, antes de dizer o que ela é. Não se trata de uma proposta de educação sectária, doutrinante, que pretenda formatar a cabeça de quem quer que seja, numa catequese espírita, à moda jesuítica do passado. O espiritismo em si mesmo respeita a liberdade de consciência e não é proselitista, conforme alertava Kardec. Trata-se, ao invés, primeiro, de um resgate pedagógico do espiritismo — isto é, entendemos e praticamos melhor a doutrina espírita se a entendemos e praticamos como proposta educacional que é.

Segundo, tratase do impacto conceitual e metodológico que o espiritismo provoca na ciência e na prática da educação. A partir do ponto de vista de que a criança é um ser reencarnado, de que o ser humano é interexistente, como dizia Herculano Pires, de que a meta da vida é um processo de educação permanente com vistas à eternidade, muda-se a nossa perspectiva do para quê e como educar... A quem se destina?

D.I. — A pedagogia espírita destina-se a qualquer pessoa. Não poderá haver uma proposta de educação que seja exclusiva de um grupo, de uma classe... Não se tratando de uma proposta sectária, podemos aplicá-la na relação com qualquer ser humano. Apenas, o educador, este sim, precisa estar embebido da cosmovisão espírita, porque é dela que derivam os princípios fundamentais da Pedagogia Espírita. E que princípios são esses?

D.I. — Didacticamente, costumo enfeixá-los numa tríade: a liberdade, a acçãoeo amor. A aprendizagem de facto, tanto intelectual quanto moral, só se dá num processo de construção autónoma do indivíduo. Esteja ele criança, adolescente, jovem, maduro, velho, encarnado ou desencarnado, o espírito é sempre livre, dono de si mesmo, responsável pela sua própria evolução. Outros poderão ajudá-lo, orientá-lo, influenciá-lo, estimulá-lo, mas ele deverá tomar a si mesmo nas mãos e cumprir o que o Espírito da Verdade recomendava: “tomai vossa dócil argila nas mãos”, “vós sois os artífices da vossa imortalidade”.

Essa liberdade que todos nós temos, outorgada pela Divindade, nos é dada Justamente para agirmos e na acção experimentarmos o bem e o mal, para termos o mérito e a responsabilidade dos nossos actos. Assim, em todos os níveis de aprendizagem — seja aprendendo uma virtude moral, uma fórmula de matemática, uma profissão, ou qualquer coisa que contribua no aperfeiçoamento do nosso espírito, só aprendemos realmente na prática e nunca apenas em teoria.

isso, grandes pedagogos como Comentus, Rousseau, Pestalozzi, pregavam a educação activa. Vemos, pois, que o grande desafio da educação e, portanto, do educador é conquistar a vontade livre do educando para uma acção voluntária no bem... Mas como despertar (sem impor) essa vontade? Aí entra o terceiro princípio da pedagogia espírita: o amor. Só o amor toca a essência divina da alma, acordando-a para o impulso evolutivo.

Como interpreta a relação Educador/Educando? D.I. — E justamente desta relação afectiva entre educador e educando que nasce o processo pedagógico. Não é à toa que Jesus nos ensinou a chamar Deus de Pai. Pai é quem ama e educa. À relação que o próprio Cristo estabeleceu com a Humanidade, sendo ele o Mestre dos mestres, é uma relação de amor, de doação total, de entrega e de sacrifício. Apenas um amor farto e profundo consegue mover as vontades anestesiadas, dormentes, para que elas se engajem na lei da evolução.

O educador não é, assim, aquele que exerce um poder de coação, de imposição e modelação, mas o que renuncia a todos os poderes, para apenas se doar, exemplificar e contagiar o educando. E quanto menos impõe, menos poder quer, menos exercita o autoritarismo, mais poder de facto possui — o poder da autoridade moral e de tocar o outro.

Como propõe a educação moral, intelectual e estética?

D.I. — Sempre pela prática. Não se aprende a ter virtudes ouvindo belos sermões. Não se aprendem as disciplinas (como até hoje se faz na escola) olhando o professor a explicar no quadro. E preci