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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 64 min
O auditório da Casa da Música, com os seus 200 lugares, foi pequeno para tanta gente, vinda de todo o país. Lotação sempre esgotada, muita gente de pé, muita gente a ter de ficar à porta. Uns, familiarizados com a doutrina espírita. Outros, nem por isso. Um interesse comum: o de ficarem a saber mais sobre o que a ciência sabe, hoje, acerca da imortalidade da alma.
Estas II Jornadas, organizadas pelo Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha, abriram, na noite de sexta-feira, com uma sessão de pintura mediúnica. Florêncio Antón, médium de efeitos físicos, veio do Brasil a expensas suas, generosamente, para participar neste evento. Psicólogo e professor de psicologia, Florêncio explicou com particular conhecimento de causa o que é a pintura
mediúnica ou psicopictografia. Rejeitou, com argumentos sólidos, hipóteses que tentam explicar estas manifestações, por exemplo, como “surtos de esquizofrenia”. A ciência não tem ainda explicação para este fenómeno, e a hipótese mediúnica vai-se configurando como
a mais plausível. O que se seguiu foi deslumbrante! A cada meia dúzia de minutos saíam das mãos do médium pinturas a óleo que faziam bem justiça às assinaturas que ostentavam: Van Gogh, Miró, Toulouse-Lautrec, Silva Porto (uma estreia), e tantos outros. Impossível fazer de olhos abertos o que Florêncio faz de olhos fechados. Assim isseram cientistas que assistiram a uma destas sessões, em Portugal.
Ciência e imortalidade da alma
No sábado, outro aprazível dia de Primavera acolheu a continuação das Jornadas. Luís Almeida, na dupla condição de espírita e cientista na área da astrofísica e cosmologia (é investigador da Agência Espacial Europeia), dissertou sobre as Experiências Fora do Corpo. A jovem Cátia Martins, psicóloga de profissão, abordou as Experiências de Quase Morte. Seguiu-se Lígia Almeida, presidente da Associação de Médico-Espírita do Porto (é médica especialista em geriatria, pós-graduada em bioquímica e farmácia).
Falou sobre as «Visões no Leito de Morte». Estes três conferencistas são trabalhadores espíritas no Centro Espírita Caridade por Amor, do Porto.
Amélia Reis, da comissão organizadora do evento, fala ao público, ladeada por José de Braga, Gláucia Lima, de Lisboa, Reinaldo Barros, de Faro, e João Xavier de Almeida, do Porto
da EUROTAS (Associação Europeia de Psicologia Transpessoal) e da ALUBRAT (Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal). Este investigador, que não é espírita, apresentou um trabalho em que se
evidenciava a relação entre marcas de nascença e reencarnação. Todos os
conferencistas patentearam
ainda à disposição do público
experiências pessoais, o que
demonstra bem que a frequência com que estes fenómenos ocorrem é maior do que se possa supor.
Após o almoço, Noémia Margarido, trabalhadora espírita da Associação Sociocultural Espírita de Braga, da ADEP (Associação de Divulgadores do Espiritismo de Portugal), profissional de contabilidade e pesquisadora de fenómenos espíritas, descreveu um caso de drop-in, ou manifestação espiritual espontânea. Francisco Curado, doutorado em engenharia electrónica, engenheiro de sistemas e informática, e responsável pelo departamento de pesquisa da ADEP, relatou um caso de poltergheist ocorrido na zona de Lisboa, onde habita.
À óptica espírita da imortalidade foi o tema trazido por Reinaldo Barros, professor de artes, mestre em gestão do património cultural, trabalhador espírita em Faro. Este leque de excelentes intervenções também terminou com uma mesa-redonda aberta à participação do público.
O encerramento do evento esteve a cargo de João Xavier de Almeida, ex-presidente da Federação Espírita Portuguesa. O actual presidente não pôde estar presente e enviou mensagem, também recebida com calorosos aplausos.
Filomena e João Paulo, do centro espírita da Marinha Grande, apresentaram um tema musical muito a propósito, musicado por eles e com poema do autor espiritual que assina Poeta Alegre.
A conferência final coube a Gláucia Lima, psiquiatra, investigadora e professora de
Faculdade de Medicina. A apresentação, cientificamente rigorosa, mas ao mesmo tempo acessível, incidiu sobre o tema da mediunidade. Fechou com chave de ouro um evento que foi do agrado de todos os presentes.
As centenas de visitantes que acorreram ao excelente auditório da Casa da Música não vieram em busca do que lhes falasse aos sentidos, mas sim à razão. O espiritismo, que desde os seus alvores segue com interesse a investigação científica, propõe a conciliação entre duas posições aparentemente contraditórias: a imortalidade da alma, que as religiões sempre defenderam, e a sua negação pela corrente materialista das ciências, que tem negado a existência do que não seja imediatamente tangível.
O espiritismo afirma que as leis que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual são leis da natureza, tanto quanto as da física, química ou biologia. A ciência está, cada vez mais, a fazer incidir o seu foco luminoso sobre o estudo dessas leis, desmontando a pouco e pouco o que ainda se vai designando por sobrenatural por fora da doutrina espírita. Muitos são aqueles a quem não satisfaz nem o materialismo, nem a dúvida sobre a continuação da vida.
Esses, graças às evidências científicas, vão vendo a morte física como uma transição.
Texto: Mário Correia Fotos: Vasco Marques e Paulo Santos

