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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 55 min
Médiuns espíritas não têm doenças mentais
Na literatura científica e não só, os médiuns espíritas são descritos como pessoas de baixa escolaridade e rendimentos, ou seja de um estrato social muito baixo.
Dizem os ditos “especialistas” que a mediunidade nos médiuns espíritas deve ser entendida como um "mecanismo de defesa contra as opressões sociais", ou como “manifestação de algum quadro dissociativo ou psicótico”.
Um estudo realizado pelo médico e doutor em psiquiatra Alexander Moreira de Almeida com médiuns espíritas da cidade de São Paulo, no Brasil, mostrou um perfil bem diferente: os médiuns apresentaram um alto nível sociocultural e uma prevalência de transtornos mentais menor do que a encontrada na população em geral.
Almeida constatou que 46,5% dos médiuns espíritas tinham curso superior, 76,5% eram mulheres,
menos de 3% estavam desempregados, e a idade média era de 48 anos. À maioria era espírita há mais de 16 anos, vieram de famílias não-espíritas e as vivências mediúnicas começaram na infância.
O médico aplicou um questionário sociodemográfico a 115 médiuns antes e depois das reuniões mediúnicas. Também responderam a questões referentes à actividade mediúnica.
Alexander de Almeida ainda utilizou os questionários SRQ (Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire), que rastreia a presença de transtornos mentais, e o EAS (Escala de Adequação Social), que mostra como a pessoa se relaciona em sociedade. A partir dos resultados foram seleccionados 24 médiuns que foram analisados pelo SCAN (Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry), um tipo de entrevista psiquiátrica-padrão e pelo DDIS (Dissociative Disorders
Interview Schedule), um questionário
que detecta transtornos dissociativos ?quando uma parte da mente unciona de forma independente). Explica Alexander de Afmeida: "É nessa categoria que os transes mediúnicos são habitualmente encaixados", A escala DDIS investiga a presença de 11 sintomas de primeira ordem para o diagnóstico de esquizofreniavozes dialogando na sua cabeça, vozes comentando as suas acções, ter as suas acções produzidas ou controladas por alguém ou algo fora de si, entre outros.
E continua: "Os médiuns apresentaram, em média, quatro deles, mas a presença dos sintomas não indicou a existência de nenhuma doença mental. Além disso, eles também apresentaram uma boa adequação social e demonstraram ter uma saúde mental melhor que a da população em geral".
O psiquiatra brasileiro ressalva ainda que os resultados da investigação se referem especificamente a médiuns espíritas com actividades regulares em centros espíritas. "Para eles trabalharem nos centros são necessários dois anos de cursos, além da participação semanal nas reuniões mediúnicas", afirma. "Durante muito tempo a psiquiatria encarou a mediunidade como um transtorno mental", relata o doutor Alexander de Almeida e conclui: "Só a partir das décadas de 50 e 60 é que houve uma mudança de mentalidade e essas manifestações passaram a ser vistas como sendo não-patológicas quando vivenciadas dentro de uma religião”.
No próximo número, não perca a entrevista que o cientista brasileiro e doutor em psiquiatria Alexander Moreira de Almeida concedeu ao «Jornal de Espiritismo».
Texto: Luís de Almeida luis.almeidaG&mail.telepac.pt
Ilhavo: simpósio médico-espírita
A AME PortoAssociação Médico-Espírita da Área Metropolitana do Porto realizou pelo terceiro ano consecutivo o seu III Simpósio Médico-Espírita.
Desta vez, a organização ficou a cargo da Associação Cultural Porto de Abrigo de Ílhavo, contando com o apoio da Câmara Municipal local. O Seminário realizou-se sábado, 7 de Maio, no Auditório do Museu Marítimo da cidade de Ílhavo, tendo como tema "Mecanismos psiconeurofisiologicos dos estados modificados de consciência". À Abertura do evento foi efectuada por Elisabeth Azevedo, dirigente da Associação Porto de Abrigo e uma das organizadoras do “III Simpósio Médico-Espírita da AME Porto”.
O evento contou como conferencista a Dra. Lígia Almeida, presidente da AME Porto, médica especialista em Cardiogeriatria e Mestra na área de aterosclerose e envelhecimento; durante dez anos Investigadora clínica do InCor Instituto do Coração da Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo, actualmente directora clínica no Porto e dirigente espírita portuguesa.
Lígia Almeida, M.D., numa minimaratona de mais de 4 horas focou a relação Medicina e Espiritualidade: neuroanatomia funcional da mediunidade; interacção cérebro-mente encarnada/desencarnado; importância do perispírito no processo mediúnico, além de outros aspectos: “as questões da influência espiritual são inconscientes porque a pessoa capta e a informação fica alternada no tálamo que é inconsciente, daí que a pessoa vivencie múltiplos problemas, sem saber a sua origem.
No que concerne ao desenvolvimento da mediunidade, esta não é o desenvolvimento das capacidades paranormais, mas sim a capacidade da pessoa entender os padrões da sua sensibilidade e dominá-los”, e continua, focando uma breve referência do conceito e da natureza do elo inter-existencial, tendo por base, as modernas teorias da Física, a Dra. Lígia desenvolve o tema abordando as variadas propriedades e funções nos dois planos existenciais, ou seja, no plano dos encarnados e no plano dos desencarnados, explicando a estrutura e composição molecular e bioquímica do perispírito, sua ligação ao corpo físico, e como se dá esse intercâmbio entre os vários universos.
Ainda numa correlação com a Psicologia Transpessoal eaFísica moderna buscou apresentar um ponto de vista integrado da teoria do quantum e da relatividade. À Dra.
A médica Lígia Almeida, da AME Porto, e Elisabeth Azevedo, dirigente espírita de Ilhavo
Lígia Almeida levou todos os presentes a uma viagem ao “interior” do Cérebro, abordando de forma clara e didáctica os processos psiconeurofisiologicos da mediunidade. Por fim, em jeito de conclusão, enfatiza a ideia de criar uma ciência para a vida, sendo que a espiritualidade permite uma melhor compreensão e encaminhamento do diagnóstico do médico e aponta a necessidade do médico “observar” o seu paciente numa
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abordagem biopsicossocioespiritual. Tendo sempre por base Allan Kardec, o espírito de André Luiz e a Ciência, a médica investigadora conquistou o auditório, superlotado, composto por profissionais de saúde provenientes de varias cidades de Portugal e da zona norte de Espanha; médicos, psicólogos, farmacêuticos, enfermeiros, estudantes de várias Universidades de Psicologia, Farmácia e Enfermagem e da Faculdade de Medicina do Porto e de Coimbra, contando também com espíritas. Com o adiantar da hora, a Dra. Lígia Almeida respondeu ainda às perguntas colocadas pelo público.
Um sucesso. O auditório solicitou à AME Porto para programar mais eventos deste tipo. Ficaram vários convites por todo o território português e GalizaNorte de Espanha. O site da AME Porto está em: WWW.ameporto.org

