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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 104 min
Sabendo que a educação é o mais poderoso agente do progresso da Humanidade, como vê o actual ensino espírita propalado em nossas associações? D.I. — Ainda muito desfasado, porque em geral segue métodos tradicionais. A Pedagogia Espírita, com os seus princípios e aplicações, deveria em
primeiro lugar ser aplicada nos próprios centros espíritas.
Quer comentar esta sua frase: Espiritismo como Educação?
D.I. — É o que disse no início, o Espiríitismo é uma
Quando digo educação, estou a referir-me ao desenvolvimento das potencialidades do espírito, num clima de amor e liberdade. Isso significa não criar hierarquias, idolatrias, gurus de qualquer espécie, distância burocrática entre as pessoas, mas nos relacionarmos de forma despojada, amistosa e
proposta pedagógica. Enquanto outras doutrinas, por exemplo, as do cristianismo tradicional, apontam para uma ideia salvacionista, dentro da concepção de que o ser humano é um ser corrompido pelo pecado original e precisa de ser salvo, o Espiritismo nos desvenda o ser humano como um ser em aperfeiçoamento. E o projecto da sua evolução está nas suas próprias mãos.
E esta outra, tão falada por si, que deu origem a um dos seus livros: A Educação segundo o Espiritismo?
D.I. — Aí sim, trata-se da aplicação dos postulados espíritas ao campo da educação, extraindo todas as consequências pedagógicas da nova visão que o Espiritismo nos dá do mundo, da realidade, de nós
mesmos. O que a levou a realizar e organizar, recentemente, o I Congresso Brasileiro de Pedagogia Espírita?
D.I. — A ideia nasceu da necessidade de se iniciar
e organizar um movimento pela Pedagogia Espírita a nível nacional. Este objectivo foi alcançado, pois participaram mais de mil pessoas, do Brasil todo; depois fundámos a Associação Brasileira de Pedagogia Espírita, e estão surgindo diversos grupos e associações em diferentes regiões do país. Que mensagem gostaria de deixar ao leitor? D.I. — Que estude o Espiritismo que Kardec e compreenda a vertente vanguardista da sua proposta. Não se trata de apenas uma religião a mais, mas de um novo paradigma de conhecimento, uma nova educação, uma alternativa de realizarmos finalmente o projecto cristão de instalação do Reino na Terra.
Texto e fotos Luís de Almeida -luis.almeida(Qmail.telepac.pt
Independência afectiva: factor de equilíbrio
Assim como há pessoas viciadas
si próprias enquanto procuram
metade, acharemos que o outro
e dependentes de drogas, também existem outras que são dependentes afectivamente dos seus amigos, familiares e cônjuges.
Com certeza, já ouvimos, ou mesmo dissemos, frases do tipo: “Não sei viver sem ela”, “Se ele me deixar, morrerei”, e outras coisas do género. Triste de quem deposita a sua felicidade a não ser em si mesmo. Nas relações afectivo-conjugais também não pode ser diferente.
A nossa felicidade deve depender apenas e somente de nós mesmos. Bens materiais, dinheiro, posição social, poder, família, relações afectivas... Tudo está relacionado
depositarmos a nossa felicidade em coisas ou em factores externos, a nossa felicidade será tão passageira quanto essas coisas. Bem dizem os budistas que “tudo aquilo que podemos tocar não nos pertence”.
Como colocar a nossa felicidade nas mãos de quem, num momento qualquer, pode tomar a decisão de ir embora ou, quem sabe, até mesmo desencarnar? O que acontecerá então à nossa felicidade?
Conheço algumas pessoas que, acreditam, que só serão felizes caso estejam com alguém a tiracolo, como se somente pudessem ser felizes se estiverem a relacionarse afectivamente. Esquecem-se de
um companheiro ou uma companheira.
E o tempo vai passando... Não conseguem fazer um outro projecto para as suas vidas. Não investem em si mesmas, não crescem profissionalmente, pouco se divertem, deixando passar em vão diversas oportunidades de se descobrirem felizes. Lamentavelmente, descobrem-se, mais tarde, desastrosamente enganadas.
Não precisamos de quem quer que seja para sermos felizes... Muito menos para sermos infelizes. “Alma gémea”, “a outra metade da laranja”, só em obras de ficção. Se partirmos para um relacionamento sendo apenas uma
tem a obrigação de nos completar, de preencher os nossos vazios. Ao contrário, devemos estar plenos, completos, realizados, e o outro também. Apenas assim a relação pode ter êxito. Caso contrário será a convivência impossível de dois incompletos a queixarem-se e a acusarem-se mutuamente de não se fazerem felizes.
Quando estamos felizes por nós mesmos, tudo mais no universo conspira em favor de dias melhores e de realizações positivas no campo profissional, pessoal e espiritual.
Texto: Moab José de Araújo e SousaLar “Pouso da Esperança” - maobOelo.com (Carta aos meus amigos - 5: texto m circulação na internet)
Ambição, ética e espiritismo
Ignorâncias ancestrais ainda condicionam o rumo de muitos seres pensantes do mundo presente. Atraídos por sonhos fáceis, não arrepiam caminho na ilusão do “tudo ter”. É, então, urgente ser luz, caminho e verdade, mesmo na escuridão
Ganhar muito dinheiro, casar “bem” ou viajar pelo mundo são, entre muitos outros, objectivos que povoam o imaginário da nova sociedade, transportando-a ao mundo da ambição. Para lá do doce viver que alimenta, o cenário que traça é obscuro e arrisca-se a vaticinar que as próximas encarnações se desenvolvam num cenário de dificuldades incontáveis. De facto, o tema da ambição não é inédito. Basta lembrar que, nos seus ensinamentos, a Bíblia Sagrada reverencia-o e que, desde tempos imemoriais, é assunto de debates filosóficos e de peças teatrais, tendo merecido tratamento especial de Shakespeare que introduziu este trama em várias peças.
Etimologicamente, a palavra ambição deriva de “ambire”, que significa “mover-se livremente”. Em sentido positivo, o mesmo será dizer: criar o seu próprio caminho. Mas, infelizmente, o vocábulo perdeu a significação de raiz e enc
