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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 1410 min

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temos! «É comum, em momentos de grande tensão emocional, pessoas menos resistentes se deixarem envolver pela dúvida, desânimo, depressão, factos de que se servem, muitas vezes, Espíritos maus e ignorantes para incutirem ideias pessimistas, gerando um quadro de obsessão simples, de graves consequências, terminando por minar a mente, em momentos decisivos em que essas pessoas precisam do máximo de força para vencer os obstáculos.

Cabe ao atendente fraterno sacudir aquela tristeza» (Atendimento Fraterno, Projecto Manoel Philomeno de Miranda). De alguma forma todos somos obsidiados, por terceiros (encarnados ou desencarnados) ou ainda por nós mesmos (auto-obsessão), mas, estar atentos para não confundir debilidades emocionais com obsessão, embora os desencarnados ociosos e perversos se aproveitem desta e de todas as outras nossas fraquezas para “por mais lenha na fogueira”.

Allan Kardec, (O Livro dos Médiuns): «as imperfeições morais dão azo à acção dos Espíritos obsessores (...) o mais seguro meio de a pessoa se livrar deles á atrair os bons pela prática do bem (...) eles, porém, só assistem os que os secundam pelos esforços que fazem por melhorar-se»; «o conhecimento do Espiritismo, longe de facilitar o predomínio dos maus Espíritos, há-de ter como resultado, em tempo mais ou menos próximo, e quando se achar propagado, destruir esse predomínio, dando a cada um os meios de se pôr em guarda contra as sugestões deles»; e ainda, «Aqui, não podemos oferecer mais do que conselhos gerais, porquanto nenhum processo material existe, como, sobretudo, nenhuma fórmula, nenhuma palavra sacramental, com o poder de expelir os Espíritos obsessores.

Às vezes, o que falta ao obsidiado é força fluídica suficiente; nesse caso, a acção magnética de um bom magnetizador lhe pode ser de grande proveito.» Incentivar a pessoa a frequentar a casa, onde ouvirá palestras esclarecedores, estimulá-la ao estudo e aconselhar a frequência assídua à toma do passe para que se fortaleça é sempre uma excelente terapia. Outra questão muito levantada é a da mediunidade. Aqui, tal com na obsessão, também os “sintomas” são muitas vezes confundidos.

Allan Kardec (O Livro dos Médiuns): «nada é mais elástico que a faculdade mediúnica, pois que pode apresentar-se sob as mais variadas formas e em graus muito diferentes.»; «Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse facto médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos.

Pode, pois dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada (...)». Como vemos todos somos mais ou menos médiuns pois todos somos, de uma forma ou de outra, influenciados, e influenciamos também, os Espíritos; contudo quando falamos em médiuns referimo-nos àqueles em quem a faculdade esteja patente, tal como aconselhado por Kardec por uma questão de linguaâem para nos entendermos.

«A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom-senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista (...)» Então devemos ter atenção a tais “sinais” considerados por muitos indícios de mediunidade e ajudar a pessoa a conquistar o equilíbrio emocional (mais uma vez o estudo e a meditação, com a ajuda dos passes é um bom meio de o alcançar).

«Fora erro acreditar alguém que precisa ser médium, para atrair a si todos os seres do mundo invisível. (...) A faculdade mediúnica em nada influi para isto: ela mais não é do que um meio de comunicação.»; «Não sendo os Espíritos mais do ue as almas dos homens, é claro que há Espíritos ãesdc quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica não lhes é mais que um meio de se manifestarem.

Em falta dessa faculdade, fazem-no por mil outras maneiras, mais ou menos ocultas. Seria, pois, erro crer-se que só por meio das comunicações exercem os Espíritos sua influência. Esta influência é de todos os instantes e mesmo os que não se ocupam com os Espíritos, ou até não crêem neles, estão expostos a sofrê-la» Como nos livrar então da má influencia de que possamos ser “vítimas”? Allan Kardec (O Livro do Médiuns): «O melhor meio de expulsar os maus Espíritos consiste em atrair os bons.

bem e o mal são incompatíveis. Sede sempre bons e somente bons Espíritos tereis junto de vós. Há, no entanto, pessoas muito bondosas que vivem às voltas com as tropelias dos maus Espíritos. Porquê? Se essas pessoas são realmente boas, isso acontece talvez como prova, para lhes exercitar a paciência e concitá-las a se tornarem ainda melhores». Não sigamos então o exemplo que tanto se vê por aí de dizer às pessoas com “tais sinais” que são médiuns e que, por isso, têm que começar já a “trabalhar”, além de podermos estar a dizer uma rande asneira, só vamos perturbá-la ou convencêFa de que realmente o é, e isso poderá levá-la por caminhos muito pouco seguros; se essa pessoa realmente for médium, antes de ser convidada a participar em reuniões mediúnicas (como infelizmente se faz muito amiúde) deverá passar pelo estudo sério do Espiritismo e reequilibrar-se, o que não se dá da noite para o dia; depois as coisas acontecerão naturalmente com o tempo.

Para além destes assuntos, muitos outros podem ser levados ao Atendimento Fraterno, e para todos eles o atendedor deve ter sempre presente que o objectivo da Doutrina Espírita é erguer, jamais o de contribuir para que se continue numa atitude cómoda, sem esforço de mudança, procedendo com bondade, mas não intimidade, com compreensão, mas não conivência, e com entendimento, mas sem estímulo ao prosseguimento dos comportamentos que conduzam à estagnação.

Todos nós temos a liberdade de errar, mas também o dever de reparar; quando alguém cai em si, deve ser ajudado a encontrar a força necessária para assumir as consequências dos seus erros e não voltar a cair. Deve ainda ter-se muito cuidado com os conselhos e com as respostas que se dá a perguntas do tipo «no meu lugar o que fazia?», a nossa sugestão pode não ser a melhor e não devemos nunca interferir no livre arbítrio de cada um.

Também nunca devemos dar opiniões acerca de alguém que o atendido nos fale, quer fale bem ou mal, pois há o risco de estarmos envolvidos pela sua emoção/sentimento em relação a essa pessoa ausente e dar pareceres equivocados, isto para além de esta ser uma atitude errada por si só. Igualmente não se deve interferir em assuntos médicos, por exemplo, se o paciente disser que «já correu» os médicos todos, nós jamais devemos dizer que não perca mais tempo com isso, mas sim que continue a tentar e, a par disso, facultar-lhe todo o apoio possível no centro, como o passe, que pode ser uma grande ajuda, uma terapia de apoio, mas que, por si só, não chega: «a desinformação atribui ao passe um carácter de natureza miraculosa, o que tem levado algumas pessoas menos esclarecidas a estabelecer o número deles para a solução de certos problemas, o que não deixa de ser um equívoco, porque se poderá aplicá-los em número infinito, e se o paciente não se transformar interiormente, de nada adiantará a terapêutica» (Atendimento Fraterno, Manoel Philomeno de Miranda).

A acção do passe, como já vimos acima com Kardec, pode ser necessária à recuperação, mas só por si de quase nada vale, é muito importante o estímulo à mudança, e nada melhor que a Doutrina Espírita para nos conduzir e guiar na transformação. Atitudes e/ou cuidados errados com o nosso corpo, sentimentos como o egoísmo, o orgulho, a avareza, etc., fazem com que as enfermidades, físicas ou psíquicas, se nos alojem com mais facilidade ou permaneçam mais tempo connosco, porque esses sentimentos são portas abertas à acção, mais ou menos directa e mais ou menos subtil, dos Espíritos mal-intencionados.

Ainda acerca de enfermidades convém não esquecer que é o próprio Espírito que, durante o processo reencarnatório, imprime desvios metabólicos nas células, de acordo com as suas necessidades, que se manifestam nos mais variados distúrbios (físicos, mentais), para os quais concorrem ainda a nossa educação, o meio no qual estamos inseridos, etc., reflectindo assim a constante interacção dos componentes bio-psico-socioespirituais.

Nunca devemos prometer curas ou estabelecer certezas absolutas, o único “adivinho” é Deus; a finalidade do Atendimento Fraterno é ajudar as pessoas a compreender o porque das dificuldades, assim como ajudá-las a redireccionar as suas vidas, tomando consciência que todo o efeito tem uma Causa, e que essa causa, que geralmente atribuímos sempre a encarnações passadas, pode estar no presente, ou até no futuro; e ªuc vale a pena resignar-se para poder gozar da felicidade que só alcançaremos quando nos libertarmos.

Quando damos o nosso melhor e as coisas não se resolvem é Eorque ainda não chegou a hora de se resolverem.

for; questões mais sensíveis, como a homossexualidade, devem ser abordadas sem os preconceitos que, por razões socioculturais, ainda temos alguma dificuldade em abandonar. O homossexual não é um doente, a homossexualidade é uma experiência no caminho evolutivo. Como nos diz André Luiz (Espírito): «homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são susceptíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação», «no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana».

Em relação ao aborto, o Espiritismo diz-nos que o feto é um ser vivo que se encontra no útero materno já ligado ao Espírito reencarnante desde o momento da concepção, diz-nos ainda que ninguém tem o direito de atentar contra a vida do seu semelhante, nem de fazer qualquer coisa que possa comprometer a sua existência corpórea. Que, ao provocar o aborto, estamos a impedir que o reencarnante passe pelas provas de que o seu corpo seria instrumento e, como consequência, prejudicamos a sua evolução.

Ainda aqui não devemos opinar ou julgar, devemos limitar-nos a explicar aquilo que a Doutrina Espírita nos diz a respeito e, sem interferir no livre arbítrio de cada um, dizer à pessoa que o Espírito reencarnante pode ser um seu amigo muito querido, que é sempre preferível dar para adopção que abortar; que confie nas próprias capacidades e em Deus para superar problemas que tema, como a família, dificuldades económicas, etc.

Quando as pessoas estão indecisas/ desorientadas em relação a alguma resolução importante a tomar, devem ser orientadas no sentido de se harmonizarem antes de tomarem a sua resolução; e nós, se temos algum comentário a fazer ou informação a dar, é sempre o que a Doutrina Espírita explique a respeito. Durante as palestras, eitura, etc., enquanto nos concentramos em questões elevadas e esclarecedoras, os bons Espíritos aplicam-nos energias saudáveis; esta acção energética dar-lhe-á inspiração e amparo para a mudança do “clima mental”, auxiliando ainda na transformação interior e rearmonização orgânica.

Também devemos ter em atenção aos acompanhantes de quem vem ao atendimento: presenças aparentemente inofensivas podem causar-lhe inibições ou constrangimentos; por outro lado, às vezes o atendido não está em condições de compreender e assimilar a orientação, pelo que, nestes casos, a presença de um acompanhante se torna útil, doutro modo, podemos pedir ao acompanhante para aguardar na sala comum. O Atendimento Fraterno é um acto sigiloso, confidencial.

A única excepção a este princípio é quando nos deparamos com alguma situação mais complexa e temos necessidade do apoio do responsável pela coordenação do atendimento no centro, mas, aparte isto, nem com os restantes colegas da função temos o direito de comentar a vida dos outros. Quando não soubermos responder a alguma questão, não tenhamos medo de dizer “não sei”; é preferível assumir probamente que não sabemos (e não temos que saber responder ou explicar tudo) do que andar a dizer asneiras ou inventar coisas.

Nunca devemos mostrar ansiedade, pressa, desinteresse ou indiferença para com o problema ou para com o próprio atendido, se para nós é o enésimo atendimento, para ele poderá ser a primeira vez; quem sente tédio ou está saturado de se dedicar a esta tarefa, quem não sente prazer em desempenha-la, deverá repensar a sua continuidade na função... outras há às quais nos podemos dedicar. Algo muito importante e que deve constituir regra, excepto se consciente e metodicamente organizado pela casa, é não fazer atendimento a qualquer hora e em qualquer lugar, isto é, fora do centro e do horário destinado a esse fim: se precisamos ter boas intenções para sintonizar com os bons Espíritos responsáveis e presentes ao atendimento, que poderá acontecer quando eles talvez nem ao nosso lado estejam?

É que eles (os benfeitores) são metódicos e disciplinados, para além das suas funções no centro têm outras ocupações e até a sua própria vida pessoal; não é por serem Espíritos desencarnados que não têm mais nada para fazer senão andar atrás de nós. Doutro modo, não faltarão os desocupados ociosos para nos inspirar! Uma coisa são as conversas de amigos, outras, bem diferentes, são os Atendimentos Fraternos.

Texto: Cecília Morais. Foto: Ulisses Lopes

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