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opinião Atendimento fraterno «A melhor forma de consolar alguém é arra

Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 138 min

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«A melhor forma de consolar alguém é arrancá-lo da ignorância, educá-lo.» Visto ser o Espiritismo uma Doutrina capaz de nos dar respostas altamente elucidativas às questões mais pertinentes da vida e íntimas da alma, é natural que todo o espírita sério e conhecedor perspicaz dos seus ensinos se dedique ao chamado Atendimento Fraterno, cujo objectivo é orientar e consolar através do esclarecimento eficiente.

Quem procura o Espiritismo, em geral fá-lo por necessidade de encontrar alguma resposta às suas inquietações ou à procura da solução para os seus problemas. Como grande parte das pessoas que chega ao Atendimento Fraterno nem o que é o Espiritismo sabe, embora o associem a algo que “mexa com Espíritos”, é natural que a tal busca da solução para os problemas constitua a esmagadora maioria dos casos. Por isso, é imprescindível que quem se dedique a este trabalho seja uma pessoa que satisfaça plenamente alguns requisitos como o racional entendimento e interiorização da Doutrina; só assim se poderá elucidar quem busca o esclarecimento em si ou a tal “solução”, se nos limitamos a decorar a codificaçãoea afirmar que é assim porque está escrito nunca seremos bons atendedores.

Como esclarecer alguém se nós próprios não compreendermos? Para isto o estudo continuado e a meditação sobre aquilo que se estuda são condições chave. Contudo isto só não chega, aquele que se dedica ou quer dedicar ao Atendimento Fraterno deve ter um natural “perfil dersicoterapeuta", se virmos bem, o Atendimento Fraterno é uma psicoterapia de esclarecimento; deve ter também uma moral e intenções que lhe permitam sintonizar com os benfeitores espirituais e captar a inspiração necessária a cada caso.

A empatia ou capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente é também um valioso contributo para se ser um bom atendedor: mesmo que determinado problema nos pareça insignificante, para quem o vive pode ser um fardo quase insuportável! A ponderação, o equilíbrio emocional, a paciência e a segurança são características essenciails para se conseguir lidar com situações difíceis, situações estas com as quais o atendedor de deparará frequentemente.

O atendedor, quando é uma pessoa comedida, discreta, compreensiva e tolerante (o que é muito diferente de se ser conivente) conseguirá ganhar também um respeito, uma confiança e uma aceitação por parte do “paciente”, o que lhe facilitará, e muito, o processo de ajuda. No entanto, é sempre responsabilidade da direcção da casa estabelecer o perfil ideal do atendedor, quer a nível de personalidade, quer a nível de conhecimentos doutrinários.

Parecem muitos os requisitos necessários para que nos possamos dedicar a este mister, mas como «os problemas que aturdem as criaturas humanas, nos dias de hoje, são os mais diversificados possíveis e vão, desde a necessidade pura e simples do conhecimento, às angústias superlativas dos que se encontram sobranceando os mais pesados fardos», a responsabilidade é muito grande. O atendedor deve chegar sempre um pouco mais cedo ao centro espírita, em relação à hora de início do atendimento, e preparar-se, por exemplo com uma breve leitura que o ajude a entrar em sintonia com os benfeitores espirituais e também para esquecer o seu mundo lá fora, tranquilizando-se e compenetrando-se no trabalho que vai fazer.

À todos aqueles que chegam para o atendimento devemos receber com sentimento de fraternidade, com aquela consciência de quem está feliz pela oportunidade que tem de expandir o Espiritismo. AÁqueles que não estão familiarizados com a doutrina, principalmente àqfueles que vão ao centro ela primeira vez e que o fazem à procura da tal "solução”, devemos sempre fazer uma sintética apresentação do Espiritismo e de como ele nos pode auxiliar, esclarecendo com toda a simplicidade possível os seus pontos-chave.

Quando chegar alguém que já foi atendido noutra casa espírita ou por outro trabalhador da mesma casa, jamais devemos censurar a orientação anterior, mesmo que não tenha sido aquela que nós consideramos a mais adequada, muito menos aquiescer com comentários de julgamento maldizente que possam ser feitos pelo atendido. Devemos limitar-nos a dar a orientação que melhor entendemos para o caso segundo os parâmetros da Doutrina e procedimentos estipulados pela casa onde colaboramos.

de fraternidade e caridade no trato, bem como, a postura que lhe garanta o discernimento necessário ao lúcido esclarecimento/socorro. Vejamos algumas passagens da obra “ Atendimento Fraterno” do projecto Manoel Philomeno de Miranda: «A capacidade de saber ouvir é valiosa, porque o cliente, normalmente, quer desabafar. Na maioria das vezes, não deseja ouvir resposta, quer desabafar (...) Então, o atendente deve possuir esse tacto psicológico para dar oportunidade ao visitante de libertar-se do conflito.

Evitar, quanto possível, que ele fale de questões íntimas, de que se arrependerá depois (% Com tacto psicológico pode-se desviar, no momento oportuno, uma questão que seja inconveniente e interromper o cliente na hora própria, a fim de que não se alongue demasiadamente»; «mediante conversação agradável, evitando-se atitudes de confessionário, o atendente fraternal deve saber desviar os temas ue incidem nos vícios da queixa, da lamentação, a auto punição, demonstrando que a acção para o êxito depende do próprio paciente, que deve iniciar, a partir desse momento, o processo de auto terapia» A principal finalidade do Atendimento Fraterno é orientar com segurança todos aqueles que o buscam, seja qual for a situação que nos tragam; de modo algum se trata de resolver os desafios ou as dificuldades, eliminar as doenças ou os sofrimentos, mas sim dar a conhecer os meios para a própria recuperação.

As vicissitudes, sejam quais forem, só podem ser ultrapassadas quando for erradicada a sua causa primária, seja ela actual ou remota, caso contrário apenas se verificará um alívio superficial e passageiro. Podendo ser a causa actual ou remota, há coisas que só se explicam racionalmente pela Iuralidaãe das existências e pela lei de causa e efeito. A respeito desta lei, que erradamente teimamos em entender por castigo, encontramos na Codificação Espírita: «Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitálos.

(...) A dor é o aguilhão que impele para a frente na senda do progresso»; «As vicissitudes que experimenta são, por sua vez, uma correcção temporária e uma advertência quanto às imperfeições que lhe cumpre eliminar em si (...) São para a alma lições da experiência, rudes às vezes, mas tanto mais proveitosas para o futuro, quanto profundas as impressões que deixam. Essas vicissitudes ocasionam incessantes lutas que lhe desenvolvem as forças e as faculdades intelectuais e morais.

murmurar, as consequências dos males que não lhe seja possível evitar, em perseverar na luta, em não se desesperar, se não é bem sucedido; nunca, porém numa negligência que seria mais preguiça que virtude.»; «O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem». Então, as dores e as vicissitudes a que estamos sujeitos fazem com que compreendamos ereparemos os nossos erros, ajudam-nos a conhecer e a educar as nossas paixões, ensinam-nos o que é a paciência e a resignação, tornam-nos mais sensíveis à dor alheia, etc.

, isto é, são sempre experiências de aprendizado. E isto que temos que compreender primeiro e saber explicar depois: nada acontece por acaso, há sempre um motivo/objectivo, mas não andamos aqui a ser incessantemente punidos. Então, quando nos referirmos à lei de causa e efeito não o façamos como quem está a “prometer um castigo”, isso, como vimos acima, não é bem assim. O Atendimento Fraterno é uma psicoterapia que, uando correctamente feita, modifica a estrutura ão problema nas pessoas, esta é a meta a alcançar para que a pessoa seja capaz da resolução pelo seu próprio mérito.

Contudo, àquelas pessoas que, embora interessadas nas orientações, estão tão presas a ideias fixas que dificultam a compreensão e absorção do esclarecimento, devemos, em primeiro lugar, deixar que falem (isto sem deixar que a conversa se torne num inútil e até prejudicial rosário de lamúrias) e, no momento oportuno, com a firmeza e o carinho necessários, explicar-lhe que se continuar a olhar só para os problemas não conseguirá ver mais nada além cfisso, Devemos estimulá-la a mudar a paisagem mental: quando alguém está emocionalmente débil, fixa em demasia os seus conflitos, gerando uma psicosfera de auto compaixão; nesta psicosfera as pessoas só vêêm a sua desventura e não aquilo de positivo que possam ter ao seu alcance.

«As nossas alegrias são muito rápidas e as nossas tristezas muito demoradas, porque nós gostamos mais da tristeza. (...) Determinada coisa de impacto ou de felicidade, algumas horas depois, já não nos preenche tão plenamente. Mas, uma contrariedade, um Insucesso, marca-nos tão profundamente que ficamos a repeti-lo mentalmente, o que faz com que se imprima cada vez mais em nosso inconsciente profundo.» (Atendimento Fraterno, Projecto Manoel Philomeno de Miranda).

A informação deve ser doseada de acordo com a capacidade de entendimento e estado emocional do atendido, deve ser sempre na medida do que ele possa apreender e suportar, deve ser feita ao longo dos vários atendimentos (se necessário), conforme a pessoa vá despertando e compreendendo; o atendedor tem que ser sensato e estar em sintonia com os benfeitores para lhes receber a inspiração necessária. É muito importante ter toda a atenção naquilo que se diz para evitar aumentar a carga de aflições das pessoas com comentários impróprios e que podem não corresponder à realidade.

Vejamos duas pe;%untas típicas: «Estou obsidiado?», «Não sei!» é talvez a resposta mais sensata; «Tenho obsessores comigo?», «Connosco só estão aqueles com quem entramos em sintonia!» é uma resposta prudente! Nunca, jamais, dizer a alãuém que está obsidiado, isso só iria perturbar ainda mais a pessoa, estamos ali para ajuãar e não para fazer análises de tragédia (e possivelmente erradas!) Nunca se deve fazer pseudo revelações sobre Espíritos, obsessores, anjos da guarda, sobre vidas passadas, etc.

É muito importante que não se confunda conflito, desajuste, trauma, transtorno psíquico com obsessão; os distúrbios têm sempre origem primária no próprio indivíduo, o resto serão apenas sintomas de sintonias (ou até nem haverá essas sintonias!) ãuc durarão enquanto a questão não for levidamente resolvida.

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