pode sentir que, logo mais, também ele renascerá para a mesma ventura
Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 124 min
ano pode sentir que, logo mais, também ele renascerá para a mesma ventura. Face a estes pressupostos, mereça o espírita que o seu companheiro de caminho constate a afirmação de Kardec: “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as suas más inclinações.”
Assim sendo, só resta redireccionar a ambição no sentido da realização do progresso saudável à alma, tendo em mente a resposta dos Espíritos Superiores à questão n.º 779, de “O Livro dos Espíritos”, que asseguram: “O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que os mais adiantados ajudam os outros a progredir, pelo contacto social.” E, face às lições do Mestre Amado na conquista do bem proceder, expressas no “Evangelho Segundo o Espiritismo” - cap. XVIII, itens 10, 11 e 12 - jamais se olvide a prerrogativa: “A quem muito foi dado, muito será pedido”.
Texto: Maria Eugénia opinião
“Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la».
Allan Kardec, «O Livro dos Espíritos»
A Bíblia (que o nome quer dizer “O Livro”) é na verdade uma biblioteca, reunindo os diversos livros da religião hebraica, escritos por vários autores em número de 42. Representa a codificação da primeira revelação do ciclo do cristianismo. Foram todos escritos em hebraico e aramaico e traduzidos no séc. V da nossa era para o latim. O Evangelho ou Novo Testamento foi reunido mais tarde pelas igrejas católicas e protestantes, não pertencendo de facto à Bíblia.
E outro livro, escrito muito mais tarde, com a reunião dos vários escritos sobre Jesus e seus ensinos. O Evangelho é a codificação da segunda revelação cristã. No Espiritismo não devemos confundir esses dois livros, mas devemos reconhecer a linha histórica e profética, a linhagem espiritual que os liga. São, portanto, dois livros distintos. O Evangelho traz uma nova mensagem, substituindo o deusguerreiro da Bíblia pelo deus-amor do Sermão da Montanha.
Se analisarmos bem, a própria Bíblia é um livro mediúnico, tal como o apóstolo Paulo o afirmou: “ Vós recebeste a lei por mistérios dos anjos”, isto em Actos, 7:53, explicando ainda em Hebreus 2:2: “Porque a lei foi anunciada pelos anjos”. Está claro que os anjos são espíritos, reveladores das leis de Deus aos homens, como afirma o espiritismo. Paulo vai mais longe, afirmando em Actos 7:30-31, que Deus falou a Moisés através de um anjo na sarça-ardente.
O próprio Moisés condenou precisamente o que o Espiritismo condena, ou seja o abuso da mediunidade, especialmente no Cap.18 do Deuteronómio que vai do versículo 9 ao 14. A tradução, como sempre, varia de um tradutor para outro, e às vezes nas diversas edições da mesma tradução. Moisés proíbe os judeus, quando se estabeleceram em Canaã, de praticar estas abominações: fazer os filhos passarem pelo fogo; entregar-se à adivinhação, prognosticar, agourar ou fazer feitiçaria; fazer encantamento, necromancia, magia, ou consultar os mortos. E Moisés acrescenta, no versículo 14: "Porque essas nações, que hás de
Controlamos as seguintes espécies:
ÁcarosAranhasBaratasTérmitas
Bicho da MadeiraCarraçasFormigas MelgasMoscasMosquitosRatos Piolhos dos LivrosPulgasRatazanas
possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores, porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal coisa". No entanto, Moisés aprovou a mediunidade moralizadora, a prática espiritual da relação com o mundo invisível. Assim é que no livro de Números, Cap.11, versículos 26 a 29 se conta que Eldad e Medad tendo ficado no campo lá mesmo foram tomados e profetizavam, ou seja, davam comunicações de espíritos. Um jovem correu e denunciou o fato a Josué.
Este pediu a Moisés que proibisse as comunicações. A resposta de Moisés é um golpe de morte em todas as pretensas condenações do Espiritismo pela Bíblia. Fis o que diz o grande condutor do povo hebreu: "Que zelos são esses, que mostras por mim? Quem dera que todo o povo profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito"! Como acabamos de ver, Moisés aprovava a mediunidade pura que o Espiritismo aprova e defende. Mas o pior cego é o que não quer ver, principalmente quando fechar os olhos é conveniente e proveitoso.
Kardec afirmou e demonstrou que o Espiritismo é a continuação do cristianismo. Veja-se o que ele escreveu a respeito da introdução e no primeiro capítulo de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Veja-se a sua teoria da Revelação no primeiro capítulo de A Génese. A I Revelação do Cristianismo foi “feita através de Moisés e dos profetas, a II Revelação veio com o Cristo e foi codificada nos Evangelhos. Mas esta codificação anunciava outra vinda, a do Espírito da Verdade que se manifestou a Kardec e deulhe os ensinamentos codificados em O Livro dos Espíritos.
Esta codificação é a III revelação, que “não anuncia mais nenhuma, porque nela a Revelação Cristã se completa, abrindo definitivamente as portas da mediunidade para o diálogo do Visível com o Invisível. Estando as portas abertas, a Revelação Cristã flui naturalmente daqui para diante, sem necessidade das divisões históricas do início. Por isso e para isso é que o Espiritismo não se fecha numa estrutura dogmática e eclesiástica.
evidentemente, encerra “factos que a razão, desenvolvida pela ciência, não poderia hoje aceitar e outros que parecem estranhos e derivam de costumes que já não são os nossos. Mas a par disso, haveria parcialidade em se não reconhecer que ela encerra grandes e belas coisas. A alegoria ocupa ali considerável espaço, ocultando sob o véu sublimes verdades, que se patenteiam, desde que se desça ao âmago do pensamento, pois logo desaparece o absurdo”.
A palavra de Deus não está contida na Bíblia, mas sim na natureza, traduzida em suas leis. A Bíblia é simplesmente uma colectânea de livros hebraic
