os, que nos dão um panorama histórico do judaísmo primitivo
Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 134 min
As leis morais da Bíblia podem ser resumidas nos Dez Mandamentos. Mas esses mandamentos nada têm de transcendentes. São regras normais de vida para um povo de pastores e agricultores, com pormenores que fazem rir o homem de hoje. Por isso, os mandamentos são hoje apresentados em resumo. O Espírito que ditou essas leis a Moisés, no Sinai, era o guia espiritual da família de Abrão, Isaac e Jacob, mais tarde transformado no Deus de Israel.
Desempenhando uma elevada missão, esse Espírito preparava o povo judeu para o monoteísmo, a crença num só Deus, pois os deuses da Antiguidade eram muitos. O Espiritismo reconhece a acção de Deus na Bíblia, mas não pode admiti-la como a "palavra de Deus".
através dos médiuns, então chamados profetas. O próprio Moisés era um médium, em constante ligação com lave ou Jeová, o deus bíblico, violento e irascível, tão diferente do Deus-pai do Evangelho. Devemos respeitar a Bíblia no seu exacto valor, mas nunca fazer dela um mito, um novo bezerro de ouro. Deus não ditou nem dita livros aos homens.
Texto: Carlos Ribeiro (CECA) - cariberto&hotmail.com
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Como todos sabemos, desde sempre o homem necessitou de trabalhar, e cada vez mais, nos dias de hoje, percebemos que para podermos ter uma vida desafogada e educarmos os nossos filhos, para atendê-los nas suas necessidades, até a “mãe” se vê obrigada a arranjar emprego. Só assim se torna possível para nós acompanhar o nível de vida...
O Livro dos Espíritos diz-nos o seguinte a propósito deste assunto: “674. A necessidade do trabalho é uma lei da Natureza? O trabalho é uma lei natural, por isso mesmo é uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta suas necessidades e prazeres.”
Ora, uma vez que o nível de vida cresce, existe em nós uma vontade natural de acompanhar esse crescimento. Para tal, vemo-nos obrigados a aumentar o nosso trabalho.
Contudo, podemos analisar esta questão de um outro ponto de vista. Considerando o nosso crescimento espiritual, quanto mais longe quisermos chegar, mais temos de trabalhar também. Para reforçar esta afirmação, vamos de novo a O Livro dos Espíritos: “675. Devemse entender por trabalho somente as ocupações materiais? Não; o Espírito também trabalha assim como o corpo. Toda a ocupação útil é trabalho.”
Tudo aquilo que nós fazemos além do nosso emprego, desde que seja útil, é considerado trabalho. Por exemplo, um voluntariado; quando em horas de lazer tratamos das plantas do nosso jardim; quando já reformados, tomamos conta dos nossos netos... Novamente, O Livro dos Espíritos esclarece: “676. Porque o trabalho é imposto ao homem? É uma consequência de sua natureza corporal. É uma expiação e ao mesmo tempo um meio de aperfeiçoar a sua inteligência; por isso deve
Até aquele que apa não implica incapa
seu sustento, segurança e bem-estar apenas ao seu trabalho e à sua actividade. Àquele que tem o corpo muito fraco, Deus deu a inteligência como compensação, mas é sempre um trabalho.”
Tudo aquilo que fazemos, independentemente de usarmos as nossas forças físicas ou a força da inteligência, é trabalho, é aquilo que laboramos.
Mas será que em outros mundos mais elevados existe a mesma necessidade de trabalho? O Livro dos Espíritos diz-nos: “678. Nos mundos
mais aperfeiçoados, o homem está sujeito à mesma necessidade de trabalho? A natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades. Quanto menos as necessidades são materiais, menos o trabalho é material; mas não deveis crer por isso que o homem fica inactivo e inútil: a ociosidade seria um suplício, em vez de ser um benefício.”
Na colónia Nosso Lar, descrita amplamente por André Luíz no livro com o mesmo nome, podemos perceber as diferenças entre o trabalho no mundo espiritual em comparação com o trabalho que conhecemos na Terra. No plano espiritual, a motivação para o trabalho nada tem a ver com o amealhar de dinheiro para fazer as compras necessárias às nossas necessidades (como acontece connosco). Na verdade, os trabalhadores de Nosso Lar são pagos em “bónus-hora”, que para simplificar, podemos imaginar que se trata de um cartão em que acumulamos pontos por cada hora de trabalho.
Depois, esses pontos podem ser trocados por benefícios pessoais, como por exemplo a visita feita a familiares encarnados. Assim, e resumindo, no mundo espiritual a motivação principal para o trabalho é o amor. Continuando com O Livro dos Espíritos: “679. O homem que possui bens suficientes para assegurar sua existência está livre da lei do trabalho?
entemente não tem meios físicos ou intelectuais para trabalhar, pode e deve fazê-lo. A deficiência idade, e muito menos para aqueles que “imaginam” a sua inutilidade.
a dos outros, que é também um trabalho. Se um homem a quem Deus distribuiu bens suficientes não está obrigado a se sustentar com o suor do seu rosto, a obrigação de ser útil a seus semelhantes é tanto maior quanto as oportunidades que surjam para fazer o bem, com o adiantamento que Deus lhe fez em bens materiais.”
O homem pode não ter necessidade de trabalhar para garantir o seu sustento, pelo facto de que Deus já lhe adiantou um “empréstimo”. No entanto, não se encontra
livre do trabalho perante o seu semelhante. Ele t
