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em a obrigação de ajudar dentro das suas possibilidades e capacidades

Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 144 min

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quer aos outros quer a si mesmo, desenvolvendo a sua inteligência e pondo em prática a sua moral. Até aquele que aparentemente não tem meios físicos ou intelectuais para trabalhar, pode e deve fazê-lo. A deficiência não implica incapacidade, e muito menos para aqueles que “imaginam” a sua inutilidade ou que a inventam.

Já vimos que o trabalho é necessário para a nossa sobrevivência e bem-estar. No entanto, todos nós sentimos também uma incontornável necessidade de repouso. Depois de um dia ou de uma semana de trabalho, o nosso corpo e o nosso cérebro pedem descanso, e vemo-nos obrigados a fazer-lhes a vontade, para recuperarmos energias.

Consultando mais uma vez O Livro dos Espíritos, onde encontramos resposta para tudo, vemos o que nos explica a respeito do repouso. “682. O repouso, sendo uma necessidade após o trabalho, não é também uma lei natural? Sem dúvida. O repouso repara as forças do corpo e é também necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, para que se eleve acima da matéria.”

Assim, é fundamental repousar para que o nosso corpo recupere as forças e para que o nosso Espírito se eleve ou evolua. O período de sono é uma boa forma de termos parcialmente a nossa consciência como Espírito, e assim podemos agir pelo nosso bem. “683. Qual o limite do trabalho? O limite das forças; entretanto, Deus deixa o homem livre.” Então, Deus deixa que sejamos nós a determinar esse limite. Depende da nossa consciência manter-nos no limite, ultrapassálo, ou nem sequer lá chegar.

“684. O que pensar daqueles que abusam de sua autoridade para impor a seus inferiores excesso de trabalho? É uma das piores acções. Todo homem que tem o poder de comandar é responsável pelo excesso de trabalho que impõe a seus subordinados, porque transgride a lei de Deus.”

Então e no que diz respeito ao avançar da idade? Diz-nos o mundo espiritual: “685. O homem tem direito ao repouso na velhice? Sim. Ao trabalho está obrigado apenas conforme suas forças.”

“686. Mas que repouso tem o idoso necessitado de trabalhar para viver, se já não pode? O forte deve trabalhar pelo fraco e, na falta da família a sociedade deve tomar o seu lugar: é a lei da caridade.”

Então, para que possamos chegar à nossa velhice sem que sintamos o peso da necessidade, devemos pôr mãos à obra e aproveitar a nossa juventude, a nossa força, para trabalhar o suficiente, garantindo o nosso bem-estar presente e futuro. Depende sempre de nós impedir que a ociosidade inútil nos invada o Espírito. E sendo assim, mãos à obra!

Texto: Jani Martins. Foto: Ulisses Lopes opinião

«A melhor forma de consolar alguém é arrancá-lo da ignorância, educá-lo.» Visto ser o Espiritismo uma Doutrina capaz de nos dar respostas altamente elucidativas às questões mais pertinentes da vida e íntimas da alma, é natural que todo o espírita sério e conhecedor perspicaz dos seus ensinos se dedique ao chamado Atendimento Fraterno, cujo objectivo é orientar e consolar através do esclarecimento eficiente.

Quem procura o Espiritismo, em geral fá-lo por necessidade de encontrar alguma resposta às suas inquietações ou à procura da solução para os seus problemas. Como grande parte das pessoas que chega ao Atendimento Fraterno nem o que é o Espiritismo sabe, embora o associem a algo que “mexa com Espíritos”, é natural que a tal busca da solução para os problemas constitua a esmagadora maioria dos casos. Por isso, é imprescindível que quem se dedique a este trabalho seja uma pessoa que satisfaça plenamente alguns requisitos como o racional entendimento e interiorização da Doutrina; só assim se poderá elucidar quem busca o esclarecimento em si ou a tal “solução”, se nos limitamos a decorar a codificaçãoea afirmar que é assim porque está escrito nunca seremos bons atendedores.

Como esclarecer alguém se nós próprios não compreendermos? Para isto o estudo continuado e a meditação sobre aquilo que se estuda são condições chave. Contudo isto só não chega, aquele que se dedica ou quer dedicar ao Atendimento Fraterno deve ter um natural “perfil de psicoterapeuta”, se virmos bem, o AtendÉmento Fraterno é uma psicoterapia de esclarecimento; deve ter também uma moral e intenções que lhe permitam sintonizar com os benfeitores espirituais e captar a inspiração necessária a cada caso.

A empatia ou capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente é também um valioso contributo para se ser um bom atendedor: mesmo que determinado problema nos pareça insignificante, para quem o vive pode ser um fardo quase insuportável! A ponderação, o equilíbrio emocional, a paciência e a segurança são características essenciais para se conseguir lidar com situações difíceis, situações estas com as quais o atendedor de deparará frequentemente.

O atendedor, quando é uma pessoa comedida, discreta, compreensiva e tolerante (o que é muito diferente de se ser conivente) conseguirá ganhar também um respeito, uma confiança e uma aceitação por parte do “paciente”, o que lhe facilitará, e muito, o processo de ajuda. No entanto, é sempre responsabilidade da direcção da casa estabelecer o perfil ideal do atendedor, quer a nível de personalidade, quer a nível de conhecimentos doutrinários.

Parecem muitos os requisitos necessários para que nos possamos dedicar a este mister, mas como «os problemas que aturdem as criaturas humanas, nos dias de hoje, são os mais diversificados possíveis e vão, desde a necessidade pura e simples do conhecimento, às angústias superlativas dos que se encontram sobranceando os mais pesados fardos», a responsabilidade é muito grande.