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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 154 min
ai fazer. À todos aqueles que chegam para o atendimento devemos receber com sentimento de fraternidade, com aquela consciência de quem está feliz pela oportunidade que tem de expandir o Espiritismo. Aqueles que não estão familiarizados com a doutrina, principalmente àqueles que vão ao centro ela primeira vez e que o fazem à procura da tal “solução”, devemos sempre fazer uma sintética apresentação do Espiritismo e de como ele nos pode auxiliar, esclarecendo com toda a simplicidade possível os seus pontos-chave.
Quando chegar alguém que já foi atendido noutra casa espírita ou por outro trabalhador da mesma casa, jamais devemos censurar a orientação anterior, mesmo que não tenha sido aquela que nós consideramos a mais adequada, muito menos aquiescer com comentários de julgamento maldizente que possam ser feitos pelo atendido. Devemos limitar-nos a dar a orientação que melhor entendemos para o caso segundo os parâmetros da Doutrina e procedimentos estipulados pela casa onde colaboramos.
de fraternidade e caridade no trato, bem como, a postura que lhe garanta o discernimento necessário ao lúcido esclarecimento/ socorro. Vejamos algumas passagens da obra “ Atendimento Fraterno” do projecto Manoel Philomeno de Miranda: «A capacidade de saber ouvir é valiosa, porque o cliente, normalmente, quer desabafar. Na maioria das vezes, não deseja ouvir resposta, quer desabafar (...) Então, o atendente deve possuir esse tacto psicológico para dar oportunidade ao visitante de libertar-se do conflito.
Evitar, quanto possível, que ele fale de questões íntimas, de que se arrependerá depois (. % Com tacto psicológico pode-se desviar, no momento oportuno, uma uestão que seja inconveniente e interromper o cliente na hora própria, a fim de que não se alongue demasiadamente»; «mediante conversação agradável, evitando-se atitudes de confessionário, o atendente fraternal deve saber desviar os temas ue incidem nos vícios da queixa, da lamentação, ãa auto punição, demonstrando que a acção para o êxito depende do próprio paciente, que deve iniciar, a partir desse momento, o processo de auto terapia» A principal finalidade do Atendimento Fraterno é orientar com segurança todos aqueles que o buscam, seja qual for a situação que nos tragam; de modo algum se trata de resolver os desafios ou as dificulâades, eliminar as doenças ou os sofrimentos, mas sim dar a conhecer os meios para a própria recuperação.
As vicissitudes, sejam quais forem, só podem ser ultrapassadas quando for erradicada a sua causa primária, seja ela actual ou remota, caso contrário apenas se verificará um alívio superficial e passageiro. Podendo ser a causa actual ou remota, há coisas que só se explicam racionalmente pela luralidaãe das existências e pela lei de causa e efeito. A respeito desta lei, que erradamente teimamos em entender por castigo, encontramos na Codificação Espírita: «Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitálos.
(...) A dor é o aguilhão que impele para a frente na senda do progresso»; «As vicissitudes que experimenta são, por sua vez, uma correcção temporária e uma advertência quanto às imperfeições que lhe cumpre eliminar em si (...) São para a alma lições da experiência, rudes às vezes, mas tanto mais proveitosas para o futuro, quanto profundas as impressões que deixam. Essas vicissitudes ocasionam incessantes lutas que lhe desenvolvem as forças e as faculdades intelectuais e morais.
murmurar, as consequências dos males que não lhe seja possível evitar, em perseverar na luta, em não se desesperar, se não é bem sucedido; nunca, porém numa negligência que seria mais preguiça que virtude.»; «O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem». Então, as dores e as vicissitudes a que estamos sujeitos fazem com que compreendamos e reparemos os nossos erros, ajudam-nos a conhecer e a educar as nossas paixões, ensinam-nos o que é a paciência e a resignação, tornam-nos mais sensíveis à dor alheia, etc.
, isto é, são sempre experiências de aprendizado. E isto que temos que compreender primeiro e saber explicar depois: nada acontece por acaso, há sempre um motivo/objectivo, mas não andamos aqui a ser incessantemente punidos. Então, quando nos referirmos à lei de causa e efeito não o façamos como quem está a “prometer um castigo”, isso, como vimos acima, não é bem assim.
O Atendimento Fraterno é uma psicoterapia que, uando correctamente feita, modifica a estrutura o problema nas pessoas, esta é a meta a alcançar
para que a pessoa seja capaz da resolução pelo seu
próprio mérito. Contudo, àquelas pessoas que, embora interessadas nas orientações, estão tão presas a ideias fixas que dificultam a compreensão
e absorção do esclarecimento, devemos, em
primeiro lugar, deixar que falem (isto sem deixar
que a conversa se torne num inútil e até prejudicial rosário de lamúrias) e, no momento oportuno, com
a firmeza e o carinho necessários, explicar-lhe que
se continuar a olhar só para os problemas não
conseguirá ver mais nada além câsso. Devemos estimulá-la a mudar a paisagem mental: quando alguém está emocionalmente débil, fixa em demasia os seus conflitos, gerando uma psicosfera de auto
compaixão; nesta psicosfera as pessoas só vêem a
sua desventura e não aquilo de positivo que possam
ter ao seu alcance. «As nossas alegrias são muito rápidas e as nossas tristezas muito demoradas, porque nós gostamos mais da tristeza. (...).
Determinada coisa de impacto ou de felicidade,
algumas horas depois, já não nos preenche tão
plenamente. Mas, uma contrariedade, um insucesso, marca-nos tão profundamente que ficamos a repeti-lo mentalmente, o que faz com que se imprima cada vez mais
