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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 174 min

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ro crer-se que só por meio das comunicações exercem os Espíritos sua influência. Esta influência é de todos os instantes e mesmo os que não se ocupam com os Espíritos, ou até não crêem neles, estão expostos a sofrê-la» Como nos livrar então da má influencia de que possamos ser “vítimas”? Allan Kardec (O Livro do Médiuns): «O melhor meio de expulsar os maus Espíritos consiste em atrair os bons. Atrai, pois, os bons Espíritos, praticando todo o bem que puderdes, e os maus desaparecerão, visto que o

bem e o mal são incompatíveis. Sede sempre bons e somente bons Espíritos tereis junto de vós. Há, no entanto, pessoas muito bondosas que vivem às voltas com as tropelias dos maus Espíritos. Porquê? Se essas pessoas são realmente boas, isso acontece talvez como prova, para lhes exercitar a paciência e concitá-las a se tornarem ainda melhores». Não sigamos então o exemplo que tanto se vê por aí de dizer às pessoas com “tais sinais” que são médiuns e que, por isso, têm que começar já a “trabalhar”, além de podermos estar a dizer uma rande asneira, só vamos perturbá-la ou convencê- %a de que realmente o é, e isso poderá levá-la por caminhos muito pouco seguros; se essa pessoa realmente for médium, antes de ser convidada a participar em reuniões mediúnicas (como infelizmente se faz muito amiúde) deverá passar pelo estudo sério do Espiritismo e reequilibrar-se, o que não se dá da noite para o dia; depois as coisas acontecerão naturalmente com o tempo.

Para além destes assuntos, muitos outros podem ser levados ao Atendimento Fraterno, e para todos eles o atendedor deve ter sempre presente que o objectivo da Doutrina Espírita é erguer, jamais o de contribuir para que se continue numa atitude cómoda, sem esforço de mudança, procedendo com bondade, mas não intimidade, com compreensão, mas não conivência, e com entendimento, mas sem estímulo ao prosseguimento dos comportamentos que conduzam à estagnação.

Todos nós temos a liberdade de errar, mas também o dever de reparar; quando alguém cai em si, deve ser ajudado a encontrar a força necessária para assumir as consequências dos seus erros e não voltar a cair. Deve ainda ter-se muito cuidado com os conselhos e com as respostas que se dá a perguntas do tipo «no meu lugar o que fazia?», a nossa sugestão pode não ser a melhor e não devemos nunca interferir no livre arbítrio de cada um.

Também nunca devemos dar opiniões acerca de alguém que o atendido nos fale, quer fale bem ou mal, pois há o risco de estarmos envolvidos pela sua emoção/sentimento em relação a essa pessoa ausente e dar pareceres equivocados, isto para além de esta ser uma atitude errada por si só. Igualmente não se deve interferir em assuntos médicos, por exemplo, se o paciente disser que «já correu» os médicos todos, nós jamais devemos dizer que não perca mais tempo com isso, mas sim que continue a tentar e, a par disso, facultar-lhe todo o apoio possível no centro, como o passe, que pode ser uma grande ajuda, uma terapia de apoio, mas que, por si só, não chega: «a desinformação atribui ao passe um carácter de natureza miraculosa, o que tem levado algumas pessoas menos esclarecidas a estabelecer o número deles para a solução de certos problemas, o que não deixa de ser um equívoco, porque se poderá aplicá-los em número infinito, e se o paciente não se transformar interiormente, de nada adiantará a terapêutica» (Atendimento Fraterno, Manoel Philomeno de Miranda).

A acção do passe, como já vimos acima com Kardec, pode ser necessária à recuperação, mas só por si de quase nada vale, é muito importante o estímulo à mudança, e nada melhor que a Doutrina Espírita para nos conduzir e guiar na transformação. Atitudes e/ou cuidados errados com o nosso corpo, sentimentos como o egoísmo, o orgulho, a avareza, etc., fazem com que as enfermidades, físicas ou psíquicas, se nos alojem com mais facilidade ou permaneçam mais tempo connosco, porque esses sentimentos são portas abertas à acção, mais ou menos directa e mais ou menos subtil, dos Espíritos mal-intencionados.

Ainda acerca de enfermidades convém não esquecer que é o próprio Espírito que, durante o processo reencarnatório, imprime desvios metabólicos nas células, de acordo com as suas necessidades, que se manifestam nos mais variados distúrbios (físicos, mentais), para os quais concorrem ainda a nossa educação, o meio no qual estamos inseridos, etc., reflectindo assim a constante interacção dos componentes bio-psico-socioespirituais.

Nunca devemos prometer curas ou estabelecer certezas absolutas, o único “adivinho” é Deus; a finalidade do Atendimento Fraterno é ajudar as pessoas a compreender o porque das dificuldades, assim como ajudá-las a redireccionar as suas vidas, tomando consciência que todo o efeito tem uma causa, e que essa causa, que geralmente atribuímos sempre a encarnações passadas, pode estar no presente, ou até no futuro; e que vale a pena resignar-se para poder gozar da felicidade que só alcançaremos quando nos libertarmos.

Quando damos o nosso melhor e as coisas não se resolvem é %orque ainda não chegou a hora de se resolverem.

for; questões mais sensíveis, como a homossexualidade, devem ser abordadas sem os preconceitos que, por razões socioculturais, ainda temos alguma dificuldade em abandonar. O homossexual não é um doente, a homossexualidade é uma experiência no caminho evolutivo. Como nos diz André Luiz (Espírito): «homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são susceptíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação», «no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana».

Em relação ao aborto, o Espiritismo diz-nos que o feto é um ser vivo que se encontra no útero materno já ligado ao Espírito reencarnante desde o momento da concepção, diz-nos ainda que ninguém tem o dir