Notícias XII Fórum Espírita Nacional Nos dias 10 e 11 de Setembro, dec
Jornal de Espiritismo nº 13 · Novembro 2005Página 76 min
Notícias XII Fórum Espírita Nacional Nos dias 10 e 11 de Setembro, decorreu na Associação Espírita de Leiria o XII Fórum Espírita Nacional, este ano subordinado ao tema Espiritismo e Medicina. Participaram como oradores a Dra. Marlene Nobre, médica ginecologista, presidente da Associação Médico-Espírita Internacional e presidente da Associação Médico-Espírita Brasil; o Dr. Sérgio Filipe de Oliveira, médico, fundador da Universidade Internacional de Ciência do Espírito e presidente da Asso- ciação Médico-Espírita São Paulo; e o Dr.
Décio Iandoli Jr., médico cirurgião, professor universitário e um dos directores da Asso- ciação Médico-Espírita Baixada Santista. Ao longo dos dois dias, cada um dos oradores desenvolveu três temas sobre medicina e ciência, contextualizando-os no espiritismo, assim, o Dr. Décio Iandoli, deu inicio ao Fórum com o tema “Os Corpos Es- pirituais e a Saúde Humana”, onde começou por dar uma explicação sobre as principais teorias cientificas da actualidade, fazendo a ponte com a Doutrina Espírita, para chegar por fim à saúde do corpo (ou a falta dela) e quais as suas relações com a alma.
Já du- rante a tarde falou sobre a contribuição da reencarnação para a mudança de paradig- ma, onde demonstrou que a reencarnação é uma hipótese científica válida. Para Domingo o Dr. Décio guardou uma maravilhosa “aula” sobre o sistema nervoso central e as suas ligações com a espirituali- dade, deliciando todos os presentes com a forma simples e clara como expôs o seu raciocínio. A Dra. Marlene Nobre começou por disser- tar sobre Dor e Espiritualidade, explicando a função pedagógica da dor para a evolução do ser, quais as diferenças entre a dor física e a dor espiritual e as suas ligações com a lei de acção-reacção.
No seguimento dos trabalhos na parte da tarde apresentou o tema “Questões Bioéticas e Espiritualistas”, onde chamou a atenção dos presentes para o perigoso predicado que representa o muito poder que se encontra nas mãos de poucos homens ligados à ciência, referiu quais os princípios éticos onde se apoiam a maioria dos investigadores da actualidade, defen- deu o respeito ao embrião, a necessidade de assegurar a dignidade desde do zigoto até ao idoso, ou seja, o respeito total à vida desde a concepção até ao último instante.
No Domingo apresentou uma interessante palestra sobre “Autoconhecimento: Fonte de Saúde e Equilíbrio”, explicando como vencer o stress de uma forma equilibrada. Percorreu várias doenças da alma, como a depressão, fobias, ansiedade e outras, levan- do os assistentes a entender como não cair em “armadilhas” com disciplina e desapego aos bens materiais. Quanto ao Dr. Sérgio Filipe de Oliveira, começou o Fórum abordando o tema “Neu- rociências e Espiritualidade”, falando sobre estados de transe, loucura versus mediuni- dade e discutindo as coincidências entre as neurociências e a espiritualidade.
Continuou o seu trabalho com uma pales- tra sobre “A Pesquisa dos Estados de Transe no Diagnóstico Médico”, baseando-se em vários casos reais, onde, resguardando a identidade dos pacientes, deu a conhecer vários exames e diagnósticos por si solicita- dos, estabelecendo a diferença entre transe mediúnico e alucinação. Coube ao Dr. Sérgio a missão de encerrar com chave de ouro o Fórum, fazendo um “Estudo das Doenças Psicossomáticas”.
Demonstrou como os genes reagem ao meio envolvente, descreveu toda a cadeia de reacções físicas a partir de um senti- mento (no caso um sentimento de tristeza) e explicou como as doenças do espírito podem provocar doenças psicossomáticas. A palestra do Dr. Sérgio terminou com uma mensagem que tocou o coração de todos os presentes, abrindo-se de seguida um es- paço em que os palestrantes responderam a algumas questões.
Em jeito de conclusão, importa realçar que o XII Fórum Espírita Nacional contribuiu para demonstrar que Medicina e Espirit- ismo se complementam e que a tendência no futuro parece ir de encontro a uma me- dicina cada vez mais voltada para a espiri- tualidade, tanto no campo da investigação como nos diagnósticos e tratamentos. Texto: Francisco e Patrícia Reis Viveiros de cultura espírita Allan Kardec, fidelíssimo instrumento do Espírito de Verdade e sua falange, tinha já concluída a tarefa imensa da codificação espírita, que admiravelmente sintetiza todas as áreas do conhecimento humano.
Mesmo assim afirmou com humildade que não estava dita a última palavra. Em vivo contraste, ouve-se por vezes, numa confusão de conceitos nebulosos, afirmar ocamente que Kardec está ultrapassado; mas nunca se ouviu precisar em quê, ou como. Será que já “caducou” a imortalidade da alma? Ou a sua comunicabilidade a partir do além? Ou a existência de Deus, ou o princípio da reencarnação, ou... Ao discorrer sobre a condição do espírito encarnado (espírito, perispírito e corpo), a codificação, naturalmente, não enumera particularidades anatómicas, como es- queleto, pulmões, coração, etc.
Assim como também não especifica divisões e subdi- visões (usuais na nomenclatura de várias escolas, mas desnecessárias no contexto da Codificação) abrangidas pelos termos espírito e perispírito Um mínimo de senso comum justificaria, com isso, declarar Kar- dec ultrapassado? Dessa fase compreensível do nosso desen- volvimento espiritual e intelectual restam, felizmente, poucos vestígios nos meios espíritas. O seu reverso (implantação cres- cente do estudo sistematizado, pesquisa, iniciativas pedagógicas, eventos regionais e nacionais de excelente nível didático, publicações...)
vai ganhando cada vez mais ampla expressão. E também qualidade. Em 10 e 11 de Setembro último, aconte- ceu em Leiria mais uma edição – a décima segunda – do Fórum Espírita Nacional. Portugal espírita habituou-se a este evento anual, um útil e aprazível ensejo de convívio para mais de quatro centenas de militan- tes espíritas de Norte a Sul do País. Da sua comodidade e bem-estar logísticos, mais uma vez cuidou solicitamente a direcção e uma numerosa equipa de trabalhadores da instituição organizadora, a Associação Espírita de Leiria.
O núcleo do evento foi a sua parte didác- tico-doutrinária, com uma carga horária total de mais de nove horas, a cargo de três eminentes expositores: - Marlene Nobre, Médica ginecologista, presidente da AME Internacional e da AME Brasil, directora do conhecido mensário paulista Folha Espírita, autora de A Alma da Matéria e outros livros; - Décio Iândoli Júnior, Médico-cirurgião, doutorado em medicina, professor titular de Fisiologia, director da AME de Santos, autor do livro A Reencarnação como Lei Biológica, e outros (o título e tema deste livro lembram o do famoso psiquiatra Ian Stevenson: Where Reencarnation and Biol- ogy Intersect); - Sérgio Filipe de Oliveira, Médico, Mestre em Ciências, fundador da Universidade In- ternacional de Ciência do Espírito, presiden- te da AME São Paulo, Professor responsável pelo curso de pós-graduação “Psiquiatria Transpessoal”.
Todos prenderam vivamente a atenção do auditório, explanando com as suas investigações e estudos a perfeita compati- bilidade das perquirições científicas com a doutrina espírita. Demonstraram, cada um na sua área, as claras reacções, a nível orgânico, das actividades psíquica, mediúni- ca e espiritual, assim como o carácter não patológico destas. Sem menos apreço por nenhum dos brilhantes conferencistas e seus temas, destacamos a mero título de preferência pessoal, o módulo apresentado pelo dr.
Décio A CONTRIBUIÇÃO DA REENCARNA- ÇÃO PARA A MUDANÇA DE PARADIGMA: a partir de noções de Física Quântica e das famosas equações de Einstein, o jovem catedrático conduziu o raciocínio até à ir- realidade do Universo material na dimensão espaço-tempo negativo, em contraste com a realidade-eternidade do espírito (o que nos remete, por exemplo, à questão 85 de O Livro dos Espíritos). Foi geral a satisfação da assistência e o pesar daqueles que não puderam estar pre- sentes a todos os módulos do Fórum.
Com este notável evento, a Associação Espírita de Leiria confirmou a sua faceta de pólo nacional de confraternização espírita, assim como fecundo viveiro e campo de cultura doutrinária. Graças a Deus, vicejam mais campos e viveiros pelo País espírita, apesar das dificul- dades internas e externas do movimento. Longe do desânimo e da desmotivação, com maior ou menor expressão e projecção eles promovem jornadas regionais e even- tos mais simples, editam publicações im- pressas e electrónicas de qualidade e muito interesse, enviam representantes dignos às rádios e televisões, desenvolvem iniciativas culturais e assistenciais — além da rotina semanal de actividades doutrinárias cor- rentes.
Bem hajam quantos labutam nesses viveiros, que medram de Norte a Sul do País e contribuem generosamente para o incremento da cultura espírita em Portugal e no Mundo.
