Entrevista Ao longo da história do homem, particular- mente a partir do Horizonte Agrícola (vide “O Espírito e o Tempo”, de Herculano Pires), os animais sempre estiveram ao seu lado, participando de muitas de suas actividades. Ainda hoje vemos, por exemplo, nas lidas do campo, cavalos, bois e cães-pastores em tarefas de trabalho, na companhia do ser humano. Quer no trabalho, quer nos momentos de diversão e lazer, é desejável que a interacção entre homens e animais, seja harmónica, respeitando-se as carac- terísticas das diferentes espécies animais e seus limites de bem-estar.
Entretanto, vemos com pesar que a grande maioria das situações arquitectadas com vistas à diversão humana, nelas incluindo-se diversas modalidades de desporto, penaliza os animais, submetendo-os a toda sorte de desconforto, privações, maus tratos e mesmo crueldade. Lemos no LE. 734 – “No seu estado actual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?” R – “Esse direito é regulado pela neces- sidade de prover à sua alimentação e à sua segurança; o abuso jamais foi um direito”.
Na questão seguinte, LE. 735, temos mais esclarecimentos a respeito: “Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança; da caça, por exemplo, quando não tem por objectivo senão o prazer de destruir, sem utilidade?” R – “Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus...” Portanto, é de se lamentar a vigência de tristes espetáculos como a “Farra do Boi”, no sul do Brasil.