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Opinião Sorrisos de Natal Com a aproximação do Natal, a humanidade rel

Jornal de Espiritismo nº 13 · Novembro 2005Página 154 min

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Opinião Sorrisos de Natal Com a aproximação do Natal, a humanidade relembra, ainda que superficialmente, a mensagem da verdadeira fraternidade trazida pelo Homem de Nazaré. É tempo oportuno para empreender o movimento íntimo para o amor e começar a viver real- mente com o Mestre Galileu, sob os esplendores de um novo amanhecer. Milhões de pessoas festejam o Natal nos mais variados pontos geográficos do mundo. Cada uma vive esta etapa do calen- dário de acordo com as expectativas que alimenta.

Para uns, pinheiros enfeitados … casas e ruas cheias de luz … grandes ceias familiares … presentes embrulhados, com fitas coloridas … Afectivamente distantes, mas fraternal- mente bem perto, os “desabrigados” da vida, os que percorrem os caminhos da fome, da provação e da dor encaram esta festividade com outra postura. São brancos? São negros? Não importa. São apenas seres humanos. Para eles não há presentes. Nem um simples aperto de mão ou um beijo na face enrugada pelo desperdício da vitalidade harmoniosa do amor fraternal!

Os rostos das crianças abandonadas, com quem a sociedade esbarra apressadamente, todos os dias, são os mesmos. As mãos pedintes, quase sempre sujas, abraçam a solidão como companheira porque, enfraquecidas pelo vazio das suas vidas, já quase não recordam quem foram ou quem são. O deficiente espera ansiosamente a cadeira de rodas que o transportará ao mundo do sonho a que tem direito. O tresloucado da “sorte” aguarda o furto que permita a pequena dose de felicidade que breve tempo vai durar … Em paralelo, uns e outros percorrem a mesma rota, obedecendo aos princípios atractivos e repulsivos do magnetismo hu- mano na marcha e contramarcha evolutiva terrena.

Natal… boa vontade Natal é tempo próprio para partilhar a alegria no fluxo do trabalho “endereçado” ao Amor. É a época de “visitar” Jesus na manjedoura dos nossos corações. Na cabana das nossas acções e não na euforia das prendas que trocamos nesta quadra fugaz. Em nome da humildade e, como pessoas prevenidas face a uma sociedade tão ma- terializada, neste Natal lembraremos a vida que nos foi dada pelo Criador e as inúmeras bençãos recebidas em forma de desafios que transformaram as fraquezas em forças redentoras.

E, de futuro, prometemos encontrar o Menino nos gestos simples do nosso dia a dia. Ao reflectirmos sobre os aspectos gran- diosos da conduta do Jovem de Assis ou da Irmã do sari branco, debruado a azul, retemos o conhecimento de que a tristeza e o desalento corroem a textura das almas lacrimosas que se perdem na gigantesca fronteira da dor. Como eles, desejamos cooperar nos planos de Jesus para o pla- neta Terra. Mas, como «fazer o bem não é apenas ser caridoso, mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário», como respondem os nobres Mentores Espirituais à questão nº.

643 de “O Livro dos Espíritos”, amaremos desinteres- sadamente. Entre infinitos compromissos a assumir e desejando cooperar no incentivo de nobres exemplos de vivência ajustada, o sorriso será a porta aberta para a felicidade interior dos doentes, cansados, desanimados, famintos, desesperados e angustiados que connosco trilham o mesmo caminho para o Pai, iluminando-lhes não apenas o rosto, mas toda a alma, numa dádiva que toque sinos lá longe … lá bem Alto … no coração do Universo.

Com ternura e aceitação, prometemos doar a graça do nosso sorriso na mão que gera segurança, no gesto que traz esperança, provando que o valor da doação, quando fraterna, espontânea e desinteressada, denota o calor do coração. Como a fertilidade do sol ou a magia do mar, o sorriso enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o concede. Pode-se ainda assegurar que ninguém é tão rico que dele não necessite, nem tão pobre que não possa doá-lo a todos.

Além disso, nenhuma moeda do mundo está habilitada a pagar o seu simbólico valor de amizade e de boa vontade. Empenho na mudança Acrescentemos amor-sorriso aos pequenos gestos que compõem as manifestações que dignificam o nosso carácter de trabal- hadores ao serviço do Bem e recordemos que AMOR é presente mais precioso que ouro puro. E estraga-se quando “armaze- nado” fora do alcance daqueles que dele mais carecem. Ofereçamos a sinceridade do nosso carinho e a paz do nosso coração na graciosidade do sorriso e, se alguém ainda desconhece este bem tão precioso, mensageiro divino de uma força maior, aproveite a quadra e peça-o de presente a Alguém.

Pois não se compra, nem se empresta. Vivamos o nascimento do Divino Mestre de mãos dadas suavemente com o cosmo, que gira na mesma velocidade há milhares de anos. E, com olhares serenos e sorrisos calmos, dediquemos esforços pessoais na partilha de calorosas dádivas, em forma de mensagens de simpatia e de irrecusáveis ombros amigos, capazes de estimular a realização de sonhos que não sejam frágeis como o papel ou efémeros como as luzes do Natal.

Saibamos que não há ser no mundo que precise tanto de um sorriso, como aquele que não sabe mais sorrir. Agindo desta forma, contribuiremos para que a alegria se implante na alma humana, ainda que pouco a pouco e, além disso, faremos parte «dos que O amam, que se alegram com a Sua presença e que sabem servi-Lo sob ecos suaves do cântico mila- groso dos anjos», como nos assevera Em- manuel, através da psicografia do grande médium brasileiro Francisco Cândido Xavier.

Feliz Natal para toda a humanidade. Texto: Eugénia Rodrigues.