A.d.n.f
Jornal de Espiritismo nº 14 · Janeiro 2006Página 114 min
Entrevista fins criminosos. Os fetos acárdicos e anencéfalos são considerados pela medicina seres hu- manos? Terão eles espírito? A.D.N.F – O feto acárdico e o recém-nascido anencéfalo são seres humanos. O que os diferencia é exactamente a presença do espírito no anencéfalo. O Livro dos Espíritos (Q. 336) esclarece que se uma criança nasce com vida, está sempre predestinada a ter uma alma. O anencéfalo não é um nati- morto.
Ele vive algumas horas. Ao contrário do acárdico, o anencéfalo é portador do tronco encefálico, da região talámica e até mesmo das porções do córtex cerebral, responsáveis pelo controlo automático dos batimentos cardíacos e da capacidade de respirar por si próprio, ao nascer. Como explica a existência de vida orgânica nos fetos que não têm es- pírito? A.D.N.F – O princípio básico da formação dos compostos orgânicos nos seres vivos reside no código genético existente em cada célula.
A célula somática primicial (célula-ovo ou zigoto, resultante da fusão de um óvulo com um espermatozóide), contém, no seu núcleo, o ADN (ácido de- soxirribonucleico) com toda a informação genética para gerar um novo ser. O ADN nas células fica extremamente condensado e organizado, empacotado, em cromos- somas. Quando o espermatozóide se une ao óvulo, 23 cromossomas do pai se unem aos 23 cromossomas da mãe, constituindo o ser humano.
Logo após a fecundação (fusão do óvulo e do espermatozóide), o zigoto começa a dividir-se: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos até à fase de oito células, cada uma delas é capaz de se desenvolver num ser humano completo. São chamadas de totipotentes. A partir da fase de blastócito, as células somáticas, que ainda são todas iguais (plu- ripotentes), começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organ- ismo.
A ciência considera essa fase um mis- tério, porque desconhece o factor espiritual, campo organizador da forma física. Nos fetos desprovidos de espíritos, como os acárdicos, a estruturação somática também acontece no cadinho celular, através do metabolismo induzido pela troca iónica, denominada de “bomba de sódio-potássio”, desenvolvendo uma diferença de potencial eléctrico, contribuindo para o funciona- mento da célula e, por conseguinte, do corpo na sua totalidade.
Essa electricidade gerada, animalizada, está bem de acordo com a tese do princípio vital, descrita genialmente por Kardec, no século XIX, em “A Génese”, cap. X, n.º 19, dizendo que esse princípio seria uma espécie particular de electricidade animal, totalmente de acordo com o pensamento científico actual. Na obra “Evolução em dois Mundos” (pág. 195), o espírito André Luiz, pela psicografia do estimado Chico Xavier, traz o esclare- cimento de que nas gestações fusturas, quando não há espírito reencarnante para arquitectar as formas fetais, o fenómeno obedece aos moldes mentais maternos.
No caso do feto acárdico, sendo um dos conceptos gemelares, a medicina afirma que como não possuem função cardíaca, a circulação somente é possível em virtude da comunicação se processar com os vasos provenientes do gémeo normal, através de anastomoses entre as duas circulações fetoplacentárias. É importante também conjecturar que, na junção do espermatozóide com o óvulo, certamente se forma um campo de força, propício à formação inicial das células embrionárias, a partir do zigoto.
A presença de milhões de células fecundantes mas- culinas seguramente favorece o processo. Portanto, na intimidade das células re- produtoras pulula energia incomensurável, constituindo-se em verdadeiro estopim da “bomba de sódio-potássio”, patrocinando a vida orgânica, com ou sem a presença do espírito. Os anencéfalos podem ser utilizados para transplantes? A.D.N.F – Sim, ao contrário dos acárdicos, possuem órgãos, os quais podem ser aproveitados para a doação.
Se os pais souberem antecipadamente dessas malformações ainda no período de gestação, será licito recorrer ao aborto? A.D.N.F – De maneira alguma se deve praticar o aborto (nesse caso é o eugénico). Trata-se de horripilante crime, cuja vítima não tem como se defender. Qual a razão da existência de fetos natimortos? A.D.N.F – Segundo ensinamento kardecia- no, trata-se de prova para os pais. Nas lesões congénitas e nos casos tera- tológicos, qual a explicação espírita?
A.D.N.F – Como já foi dito anteriormente, necessidade da expiação para a obtenção da cura espiritual. Como explica, sob o ponto de vista espírita, o nascimento de gémeos ostentando apreciáveis anormalidades como os acárdicos ou anencéfalos? A.D.N.F – Não existe, na literatura médica, relato de gémeos acárdicos. Somente um dos gémeos é acárdico. Quanto aos gémeos anencéfalos, certamente encon- travam-se, em vivência pretérita, ligados pelo ódio e retornaram juntos à arena física.
Ainda por cima, utilizaram o exuberante intelecto para a prática do mal. Por que Deus permite tais atrocidades ou será que não são? A.D.N.F – O homem está subordinado à divina lei de causa e efeito, apontada por Jesus, em vários ensinamentos: “A cada um segundo as suas obras”. “Quem erra ou peca, é escravo do erro ou pecado”. “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”.”Quem leva para cativeiro, para cativeiro vai”.
Não existe o acaso. Cada ser é responsável pelos seus próprios passos. A responsabili- dade é pessoal. O que parece barbaridade revela apenas uma verdade: somos hoje o que construímos ontem e seremos amanhã o que fizermos agora. A doutrina espírita, com os seus racionais postulados científicos, inicia o trabalho de esclarecimento da humanidade. Afinal, o homem encontra-se no limiar de uma nova era, na qual os enigmas serão decifrados e as barreiras do desconhecido sofrerão um intenso processo de desmoronamento.
O Mestre Jesus previu esse grande mo- mento, dizendo que o Consolador seria enviado, não somente para relembrar o que ele ensinou, como igualmente espargir novas lições. Texto e fotos Luís de Almeida luis.almeida@mail.telepac.pt * O Leitor poderá consultar o artigo do Dr. Américo Domingos Nunes Filho “Células- Tronco e Doutrina Espírita” na página Web da AME PORTO em www.ameporto.
