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Investigação Pesquisa e jovem espírita Existem diversos programas para

Jornal de Espiritismo nº 15 · Março 2006Página 74 min

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atrair e despertar nos jovens o seu interesse para frequentarem a casa espírita. A mim parece, no entanto, que o sucesso dessa programação não está a trazer os resultados que a doutrina merece. É muito fácil encontrarmos na sociedade, em geral, os diversos “programas” para onde está indo o interesse dos nossos jovens. A trajectória do adolescente de hoje está a tornar-se uma jornada de oportunidades extremamente variada e perigosa.

Há tanta coisa escrita sobre o tema que não precisa- mos alongar-nos sobre ele. Discorrendo sobre nosso propósito inicial, queremos destacar a oportunidade de uti- lizarmos a energia que a juventude fornece para propormos um projecto de estudo científico da doutrina espírita centrado na pesquisa empírica. Em primeiro lugar, sugerimos a criação do departamento de pesquisa dentro do centro espírita interessado. O papel do departamento será discutir as linhas de pesquisa e induzir a formação de grupos de estudos.

Cada grupo será orientado por um adulto com experiência no tema a ser pesquisado. Está aqui a questão primordial que promoverá o sucesso na aglutinação dos jovens em torno do projecto. Tudo depende da criatividade na escolha do tema a ser estudado e da metodologia a ser empregada. A maioria das casas espíritas já conta com profissionais com competência para essas sugestões. Temos gente nas áreas médica, psicológica, sociológica e educacional que podem introduzir os seus projectos.

Ninguém melhor que o próprio Allan Kardec para nos servir de exemplo quando nos revela um apuradíssimo espírito de pes- quisa ao questionar e experimentar toda a revelação que lhe foi transmitida pela Espiri- tualidade. Como a ciência humana está em constante progresso e são justamente os jo- vens que tomam o primeiro contacto com esses avanços nos seus cursos académicos, não há por que eles não se empenharem no estudo do paradigma científico que a doutrina fornece.

Uma vez criados os “grupos de estudos”, cada um deverá elaborar o seu proto- colo de investigação. Aqui, permanecem válidos, como em qualquer pesquisa, os critérios éticos e a aprovação do projecto pelos dirigentes da casa. Para que não haja improvisação e amadorismo nos projectos, deve-se promover discussão e troca de experiências com profissionais académicos que queiram colaborar com sugestões. Alguns temas são relativamente fáceis de se pesquisar.

Allan Kardec, bem antes de Sigmund Freud, chamou a atenção para a importância do estudo dos sonhos, ocasião em que a alma entra em contacto com os entes queridos e deles recebem orientação e sugestões que frequentemente renovam os procedimentos. Com um protocolo baseado em entrevistas o jovem pesqui- sador poderá constatar a frequência com que este fenómeno é percebido ao longo da vida. Outro tema estudado por Allan Kardec refere-se às alucinações.

Com o avanço da neuropsiquiatria de hoje, podemos rever os mecanismos que Kardec propôs para a produção de alucinações – ele sugeriu que algumas alucinações procedem da visão que o perispírito regista no cérebro físico – seriam alucinações de causas orgânicas, como as que conhecemos hoje. Podemos comparar o que nos revelam os médiuns audientes e videntes, com o conteúdo das alucinações que “ouvem” e “vêem” os es- quizofrénicos, os dementes e os alcoólicos.

Com o título de “noção de uma presença”, a literatura neuropsiquiátrica tem tor- nado cada vez mais frequente o relato da percepção por determinados doentes, da “presença de entidades” junto de si, que os protege ou acompanham no decorrer dos seus padecimentos. Qual seria a frequência desse fenómeno entre os nossos médiuns e mesmo entre frequentadores na nossa associação espírita? O espírita sabe da importância da família e o significado do envolvimento espiritual que reúne todos os seus membros.

Qual, na verdade, tem sido o comportamento da família no meio espírita? Quantos dentro do mesmo lar estão comprometidos com a doutrina? O culto do evangelho no lar tem sido praticado com que frequência no nosso ambiente familiar? São questões sociológicas de suma importância. A mediunidade expressa-se dentro de uma constelação de fenómenos muito variada. Allan Kardec apresentou uma classificação tanto do fenómeno mediúnico como dos diversos tipos de médiuns.

De que modo estão representados entre nós esses dois aspectos – o tipo de fenómeno e a classifi- cação dos nossos médiuns? Allan Kardec deixou claro, também, que a mediunidade é um fenómeno, de certo modo, orgânico e que se processa através do cérebro do médium. Seria interessante considerarmos a mediunidade num grupo de gémeos univitelinos cujo cérebro se pressupõe serem iguais ou muito seme- lhantes. Com essas sugestões não pretendemos produzir ciência dentro do centro espírita.

É apenas um processo pedagógico que pode atrair o jovem espírita para dentro das nos- sas casas e conduzir uma forma de estudo mais atraente. Texto: Nubor Orlando Facure, médico, director do Instituto do Cérebro de Campinas, ex-professor titular de Neurocirurgia da UNICAMP.