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Entrevista Respostas de um padre Eugénio de Souza Carvalho é padre

Jornal de Espiritismo nº 15 · Março 2006Página 84 min

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Capelão do cemitério e da Igreja Templo Ecuménico da Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil. Natural de Juazeiro do Norte – Ceará, for- mado em Ciências Religiosas pela Universidade do Estado Vale do Acaraú, bacharel em teologia e graduado em filosofia é, ainda, professor de história na cidade de Florianópolis, onde concedeu uma entrevista exclusiva.

foto loucomotiv PUBLICIDADE PUBLICIDADE A comemoração do 27.º aniversário do Cen- tro Espírita Caridade por Amor, da cidade do Porto – foi divulgada no «Jornal de No- ticias». Na sua sequência, deixou a seguinte mensagem: «Parabéns pela obra de amor... Que o espírito Santo de Deus habite sempre em vossas missões. Sou padre, admiro muito o trabalho espiritual de vocês. Conheci há pouco tempo a doutrina, tanto recriminada...

Agora propago de forma discreta... Trabalho com curas espirituais e psicanalítica. Deus é paz e ordem.» Qual a razão de deixar essa mensagem a um centro espírita português? Padre Eugénio – Quero ser solidário e ao mesmo tempo tentar conciliar razãoefé. Diferenciando ambos de maneira que pos- samos viver em harmonia. Pode explicar o que entende por “Deus é paz e Ordem.” P. E. – Deus é Criação e Criador. Natureza viva presente em espírito e essência e para isso Ele é a Paz que mantêm toda Ordem; Física, Razão, Alma e Filosofias que no fundo tudo se volta para Ele.

O que o levou a ser um sacerdote? P. E. – A vontade de servir melhor. Tenho a dádiva de poder levar a paz, conciliar e reconciliar o mundo. Faço a minha parcela... Como conheceu a doutrina espírita? P. E. – Através de uma amiga na faculdade. Parece-me que ela nem é mais espírita. Ela se diz “convertida agora”. Na infância, eu ouvia falar mas a cultura do “catolicismo popular” era pejorativa no meu meio. O que pensa da proposta apresentada pelos espíritos a Allan Kardec?

P. E. – Uma proposta de AMOR e serviço ao próximo. Tem conhecimento do padre Miguel, de Sobradinho, Brasília, que frequenta o Centro Espírita Chão de Flores, todas as quintas-feiras às 20H00 como médium psicofónico? P. E. – Infelizmente não. Entre os inúmeros colaboradores dos nos- sos centros espíritas, conhecemos as mais variadas profissões e ocupações. Conhecemos sacerdotes que, em privado, procuram trabalhadores de casas espíritas para dialogar a res- peito da doutrina, porém não o fazem publicamente.

Como vê os sacerdotes frequentarem centro espíritas como um trabalhador normal, como o padre Miguel? P. E. – É a necessidade do espírito humano buscar um equilíbrio da alma. Nós padres somos privados desses assuntos, então “al- guns” se revelam e buscam... Eu particular- mente vejo um lado positivo. Somos corpo e espírito. Acho que cada um que tenha sua manifestação, deve ser respeitada. Conhece algum centro espírita?

P. E. – Perto de minha casa. Mas não fre- quento. Pensa frequentar algum centro es- pírita? P. E. – Quero me preparar melhor para frequentar. O senhor escreveu na mensagem ao CECA (1), que a doutrina espírita é perseguida e recriminada. Qual a sua opinião sobre a perseguição a qualquer das várias sensibilidades religiosas? P. E. – Fiz um curso numa universidade que durou 5 anos, quase. O que mais eu aprendi é que: a religião é o motivo de toda “graça” e desgraça no mundo antigo e actual.

Será que o fazem por algum receio? P. E. – Ignorância mesmo ou alienados. Afirmou ao CECA que divulga a doutri- na espírita. Pode explicar como? P. E. – Sempre manifesto que temos que respeitar a religião dos outros. Quando eu era criança os meninos do meu bairro tinham uma “brincadeira” de mau gosto; eles utilizavam os copos para brincar e falar com espíritos, eu nunca tive coragem... Minha mãe dizia que os mortos têm que ser respeitados, e os vivos mais ainda.

Divulgo sempre nos meus sermões que os espíritos merecem sempre oração para confortar as dores do passado. Eles também podem nos ajudar. Consegue identificar nos princípios da doutrina espírita os valores universais propostos por Jesus? P. E. – Amai-vos uns aos outros assim como vos amo. Que tipo de curas espirituais tem realizado? P. E. – As pessoas testemunham muitas, que até fico surpreso. A depressão e outras dores físicas.

Em sua opinião, existem espíritos? P. E. – Têm de existir. Não é justo ser apenas uma volta ao pó....! Ou tudo seria mera coincidência? Eles comunicam-se connosco? P. E. – Espero que me escutem. Acredita na reencarnação? P. E. – Não tenho segurança para confirmar minha tese pessoal. E na pluralidade dos mundos habitados? P. E. – Para cada um é dado um ofício. Como concilia o seu sacerdócio com a doutrina espírita? P.

E. – Discreto, poucas pessoas entendem. Alguns são hipócritas. Todo o «católico» gosta de recorrer aos santos, e eles são espíritos. Pela lógica do espiritismo, pessoas que atingiram um grão de luz. Gostaria de deixar alguma mensagem aos espíritas de Portugal? P. E. – Façamos o bem. Muita gente precisa de ajuda mais espiritual do que física. Po- dem contar comigo nas orações e preces, mesmo distante, aqui no Brasil. Texto: Maria José Cunha e Luís de Almeida mjscunha@netvisao.

pt luis.almeida@mail.telepac.pt Foto: Luís de Almeida Nota do autor do artigo: O leitor se quiser entrar em contacto com o padre Eugénio pode fazê-lo através do e-mail padre.eugenio@bol.com.br Após a nossa entrevista o padre Eugénio começou a frequentar o ICEF – Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis, no Brasil, dirigido pelo dr. Ricardo di Bernardi, onde assiste e participa das reuniões públicas.