Opinião dependerá (…) da transformação moral (…) que propiciará, princ
Jornal de Espiritismo nº 17 · Maio 2006Página 147 min
Opinião dependerá (…) da transformação moral (…) que propiciará, principalmente, a supe- ração de traumas e conflitos, o desapego em relação às paixões e a liberdade mental indispensável à saúde. (…) Os maiores entraves à cura são de ordem intrínseca ao indivíduo, caracterizados por traumas, bloqueios, acomodações a padrões conven- cionais, memórias não harmonizadas com a consciência, medo de arriscar mudanças desafiadoras (…) combater os sentimentos de ódio, vingança, ciúme e os vícios de toda a ordem é meta prioritária, porque essas fragilidades impedem a penetração das energias curadoras», diz-nos Manoel Philomeno de Miranda, e continua: «A desinformação atribui ao passe um carácter de natureza miraculosa, o que tem levado algumas pessoas menos esclarecidas a estabelecer o número deles para a solução de certos problemas, o que não deixa de ser um equívoco, porque se poderá aplicá- -lo em número infinito, e se o paciente não se transformar interiormente, de nada adiantará a terapêutica.
Se ele não se abrir para assimilar as energias, faz-se seme- lhante a uma pedra granítica que, apesar de permanecer mergulhada em águas abissais, por milhões de anos, ao ser arrebatada encontra-se seca interiormente.» Então, como todo espírita sabe, cada um recebe sempre aquilo que precisa pelas suas necessidades evolutivas, seja de uma maneira, seja de outra. Não vale a pena ir todas as semanas ao passe para resolver problemas ou “prevenir-se” se continuamos a alimentar as causas das nossas enfermi- dades, nem que esse alimento seja apenas pelo pensamento.
É também por esta razão que as Administrações das casas espíritas devem trabalhar no sentido de sensibilizar quem as frequenta para a reforma íntima e não inventar ou prender-se a sistemas para a aplicação de passes: isso é inútil, acomoda as pessoas à espera dos resultados do passe sem fazerem nada por isso (“o passe resolve!”) e prejudica a pureza e simplici- dade das Leis que nos regem, Leis estas que Kardec tão bem soube explicar e que Jesus exemplificou.
O passe não resolve, ajuda- nos a resolver quando nós nos resolvemos a tal, quando não, apenas nos proporcionará melhoras aparentes ninguém pode fazer a parte que toca a cada um, os “esclareci- dos” sabem disso pelo que não devem dar ideia contrária aos frequentadores da casa criando maneiras e métodos de aplicação de passes. Então, os centros espíritas devem é preocupar-se em apresentar palestras e proporcionar atendimentos fraternos escla- recedores (só o conhecimento da verdade nos libertará), isto consegue-se pelo estudo assíduo e contínuo dos trabalhadores, a reciclagem é útil não só em questões ambientais, como diz André Luiz, «em qualquer sector do trabalho, a ausência de estudo significa estagnação».
Não façamos do passe, esta manifestação de amor, uma “mezinha”, isso não tem lugar no Espiritismo. Todo aquele que se dedique ou queira dedicar à tarefa de passes deverá, em primeiro lugar estudar muito bem a Codi- ficação Espírita e livros complementares sobre o passe, depois, tomar consciência de se realmente tem ou não condições para essa tarefa; caso se decida pelo sim e tenha essa oportunidade não deve esquecer o estudo continuado e não deve esquecer ainda pormenores, tais como: a falta de higiene provoca odores que altera a capaci- dade de concentração, quer do passista quer de quem recebe o passe; a alimen- tação, para além de também interferir nos odores que exalamos, pode interferir nas energias que transmitimos e no nosso próprio bem-estar que se reflecte na quali- dade do nosso trabalho; etc.
A tarefa de passes deve ter horário fixo pois a maior parte do trabalho, desde a prepara- ção do ambiente, dos passistas e de quem vai receber o passe, é assegurado pela equipa espiritual e eles têm o seu tempo programado, não são seres ociosos ao nosso dispor, são metódicos e disciplinados. A este respeito, se andarmos por aí a dar passes a qualquer hora e em qualquer lugar não faltarão então os Espíritos ociosos pron- tos a secundar-nos na inconsciente atitude, da qual teremos um dia que prestar contar contas; quando quisermos ajudar alguém fora do centro ou nós mesmos precisarmos de algum apoio e não podemos lá ir, temos outros meios, talvez até mais eficazes de a conseguir, como vamos ver até ao final do texto.
A acção do passe depende também da receptividade e da fé do beneficiário. «Entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta confiança» (Evangelho Segundo o Espiritismo); a fé não deve ser cega, muito menos confundida com presunção, de- vemos é procurar a tão falada fé raciocinada (que se adquire pelo estudo e meditação) que transforma a esperança em certeza.
A receptividade traduz-se por uma passivi- dade mental e física, e ainda pela concen- tração (não estar, por exemplo, a reparar nos bonitos sapatos da pessoa que está ao lado, ou a pensar na louça que ficou em casa por lavar). Então deveremos proporcionar sempre uma preparação para o passe, através, por exemplo, de uma leitura ou vibração, de modo a que as pessoas se tranquilizem/relaxem e fiquem mais receptivas à transfusão energética.
A respeito de receptividade dos benefícios devemos ter ainda o cuidado de esclarecer as pessoas quanto ao facto de que, a partir do momento em que entramos na casa espírita (muitas vezes até antes), durante as palestras, aulas, leitura, etc., enquanto nos concentramos em questões elevadas e es- clarecedoras, os bons Espíritos ali presentes, com quem então sintonizamos, aplicam- -nos energias salutares. Não se deve, por isso, dar azo nem permitir conversas de café, barulho, etc.
, pois embora cada um seja responsável pelos seus próprios actos, ali, na casa espírita, os responsáveis pelo ambiente que se cria somos nós e, para além disso podemos estar a permitir que outros sejam incomodados pelo barulho na sua leitura ou meditação. O que não interfere na acção do passe: a roupa utilizada, estar calçado ou descalço; estar com as palmas das mãos viradas para cima ou viradas para baixo; estar com as pernas cruzadas ou descruzadas; etc.
A água magnetizada (pelos benfeitores espirituais) pode e deve ser utilizada como complemento do passe, o seu efeito é mui- to benéfico pois é assimilada directamente pelos órgãos do corpo orgânico. Qualquer substância pode ser magnetizada, no entanto a água é a substância mais simples, prática e acessível para utilizar por várias razões (por exemplo, aproximadamente 65% do nosso corpo orgânico é constituído de água).
A água pode estar em recipientes de vidro, plástico, etc., estes podem estar abertos ou tapados, não existem barreiras para a acção magnética. O único cuidado que devemos ter é o da higiene, e, a única influência é mesmo a mental! Mesmer (Revue Spirite – 1864): «A vontade, existindo no Homem em diferentes graus de desenvolvimento, serviu, em todas as épocas, seja para curar, seja para aliviar. É lamentável ser obrigado a constatar que ela foi também a fonte de muitos males, mas é uma das consequências do abuso que, fre- quentemente, o ser faz do seu livre-arbítrio.
A vontade desenvolve o fluido, seja animal, seja espiritual, porque, o sabeis todos agora, há vários géneros de magnetismo, entre os quais estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que pode, segundo a ocorrência, pedir apoio ao primeiro. Um outro género de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.» O que fazer então quando se sente a neces- sidade de um passe mas não se pode ir ao centro espírita: Rino Curti: «A oração é pro- digiosos banho de forças, tal a vigorosa cor- rente mental que atrai.
» Manoel Philomeno de Miranda: «… força dinâmica, respon- sável pelo restabelecimento de energias, é constituída de vibrações específicas que penetram o orante, mantendo-lhe a vincu- lação com as fontes inexauríveis de onde procedem os fluidos vitais. Em razão da intensidade e do hábito a que o indivíduo se permita, torna-se valioso instrumento para a conquista da paz e a preservação da alegria, nele instaurando um estado de receptividade permanente das vibrações superiores que se encontram espalhadas no Cosmo, preservando-lhe a saúde, gerando- -lhe satisfação íntima e proporcionando-lhe inspiração nas mais variadas situações do caminho evolutivo».
A verdadeira prece não é aquela que tem hora marcada, local próprio ou palavras decoradas, é aquela que sai do coração. Quando a prece é sin- cera Deus dá-nos sempre a força necessária à paciência, à resignação e à coragem, e a inspiração. Allan Kardec (LE): «O pensam- ento e a vontade representam em nós um poder de acção que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A prece que façamos por outrem é um acto dessa vontade.
Se for ardente e sincera, pode chamar, em auxílio daquele por quem ora- mos, os bons Espíritos, que lhe virão sugerir bons pensamentos e dar a força de que necessitem seu corpo e sua alma.» Manoel Philomeno de Miranda: «o amor lúcido carreia forças plenificadoras que robustecem as áreas psíquica, emocional e física daquele aquém é dirigido.» A vibração funciona como um veículo de forças curadoras, como uma projecção energética sobre outrem, sem que a distân- cia prejudique a sua acção.
