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Crónica Paz na terra às criaturas Está em preparação uma iniciativa cí

Jornal de Espiritismo nº 18 · Setembro 2006Página 133 min

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Crónica Paz na terra às criaturas Está em preparação uma iniciativa cívica, a partir de meios espíritas da região Centro do nosso país, denominada Movimento Vocêea Paz, Portugal 2007. Os organizadores, inspirados no movimento semelhante empreendido no Brasil por Di- valdo Franco, contam com o patrocínio da Federação Espírita Portuguesa e esperam obter outros mais, visando sensibilizar para a paz as mentes em geral. Sentimos a nossa psicosfera sobrecarregada de vibrações insalubres, de perigosas res- sonâncias bélicas, de guerras e rumores de guerra, que todos parecemos temer; mas pouco ou nada fazemos concretamente no sentido de os afastarmos e dissiparmos.

Ora, na verdade todos podemos dar algum contributo para a paz, bem precioso. Todos podemos ajudar a higienizar a at- mosfera psíquica ambiente, impregná-la de vibrações pacíficas e pacificadoras e assim fomentar um clima propício ao despontar de mais decisões sábias, de atitudes nobres, de inspirações felizes e fecundas em todos os domínios: social, político, científico, económico, técnico, artístico… Excelente que a ideia parta de círculos espíritas, o que todavia também suscita reflexões, por exemplo sobre a absoluta necessidade prévia de se construir inter- namente uma paz activa e sólida, no seio do próprio movimento espírita — uma paz não diplomática nem de verniz e aparência, mas realmente vivida e sentida, que nem precisa de unanimidades sistemáticas para se mostrar fértil e muito frutuosa.

O primeiro acto público preparatório da ini- ciativa Vocêea Paz teve lugar num aprazí- vel recanto de Carapinheira, nos arredores de Coimbra. Consistiu num encontro pluri- regional de espíritas oriundos de várias lo- calidades, previamente convocados através das suas associações em todo o país. Pelas onze horas teve lugar a abertura for- mal do encontro, com saudação de boas- -vindas a cargo de Leonor Santos, seguin- do-se o momento de poesia, em que coube a Manuela Félix, da Associação Espírita de Lagos, dizer muito expressivamente um belo poema de Kippling.

O número seguinte foi “Palestra a Três Vozes”, com alocuções de cerca de quinze minutos cada, em que se sucederam Julieta Marques, João Xavier e Arnaldo Costeira. Foram abordados temas gerais do movimento espírita português e algumas dificuldades pontuais, concretas, da sua paz interna, na área delicada do nosso relacio- namento institucional. O oportuno momento de meditação que o programa trouxe a seguir, num silêncio de largos minutos, foi bálsamo calmante para a natural efervescência que se levantara.

Digo natural porque a julgo inerente à própria dinâmica psicológica do relacionamento fraterno, podendo às vezes até fazer falta na prática real e autêntica da PAZ. Fundamen- tal, fundamental, é querermos a paz, sincera e responsavelmente. Um farto almoço volante, muito agradável — já eram boas horas — veio consolidar a amena disposição de todos e preparar os ânimos para o motivo central do encontro. Pelas quinze horas começou a reunião dedicada ao projecto “Vocêea Paz”.

Foi explicada a estrutura do projecto, com elucidações de (por ordem) Leonor Santos, vice-presidente Vítor Féria e presidente Arnaldo Costeira, com várias interpelações e sugestões da assistência. Foi anunciada para o mais breve possível a formação de uma comissão organizadora; como data mais provável para o culminar do projecto, o mês de Abril de 2007, e Lisboa como a lo- calidade mais conveniente para o projecto “sair à rua” a sensibilizar a população.

Irão entretanto sendo tomadas medidas pro- curando mobilizar as mentes e disponibi- lidade dos espíritas, no sentido do melhor êxito do projecto. Finda a reunião, passou-se à exibição, em formato DVD, da bem conhecida peça cine- matográfica Irmão Sol, Irmã Lua, tocante biografia de Francisco de Assis, campeão da paz, que encheu o coração de todos os presentes. É um filme interessantíssimo, com mais de duas horas de projecção.

Coube a Julieta Marques, ainda comovidís- sima com a singela grandeza de Francisco, unir os participantes do encontro numa prece de encerramento. Seguiu-se a confraternização final em torno dum gostoso lanche, que incluiu artístico bolo comemorativo, e se prolongou até bem depois das dezanove horas. Por João Xavier de Almeida www.adeportugal.