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Jornal de Espiritismo nº 19 · Novembro 2006Página 154 min
Crónica Maurício de Sousa: acção social PUBLICIDADE Maurício de Sousa tem contribuído para projectos de acção social nas áreas da alfabetização, promoção da saúde, educação, meio ambiente e cultura, valendo-se da aceitação generaliza- da dos seus personagens. Poucos serão os que não conhecem a obra do brasileiro Maurício de Sousa. Quem conhece, não fica indiferente ao seu talento e ao valor do seu trabalho. Maurício de Sousa nasceu em Santa Isabel, pequena cidade do interior do estado de São Paulo, em Outubro de 1935.
A família mudou-se para Mogi das Cruzes, e mais tarde para São Paulo. O jovem Maurício lutou arduamente para realizar o seu sonho de ser autor de Banda Desenhada. Pas- sou por vários empregos. Trabalhou como repórter policial do jornal «Folha da Manhã» durante cinco anos, nunca desistindo de aprimorar a sua arte. Os seus primeiros trabalhos foram publi- cados nesse mesmo jornal, em 1959. Uma década volvida, já eram 200 os jornais que publicavam as aventuras do cãozinho Bidu e do seu dono Franjinha, e de outros perso- nagens que se foram sucedendo sem parar, tais como Cebolinha, Piteco, Chico Bento, Penadinho, Horácio, Raposão, Astronauta.
Em 1970 rodeou-se de colaboradores, fundou o seu próprio estúdio e começou a publicar as revistas Mónica, Cebolinha, Chico Bento, Cascão, Magali e Pelezinho. Banda Desenhada, Cinema, Televisão, Teatro, Parques Temáticos, têm feito parte da actividade criativa de Maurício de Sousa Produções. Paralelamente, o Instituto Cul- tural Maurício de Sousa tem contribuído para projectos de acção social nas áreas da alfabetização, promoção da saúde, educa- ção, meio ambiente e cultura, valendo-se da aceitação generalizada dos seus perso- nagens.
Os heróis das histórias simples e coerentes de Maurício são inspirados nos amigos da sua infância feliz e cheia de aventuras, nos seus filhos, nas suas reflexões sobre o mundo que o rodeia. Os seus trabalhos, que encantam crianças e adultos, são um primor de técnica, de estilo longamente amadurecido, e têm sempre o duplo propósito de divertir e educar. Cada um dos seus trabalhos encerra uma moral, um ensinamento. Maurício transmite sem- pre exemplos de tolerância, companheiris- mo, civismo, respeito pela Natureza, hábitos saudáveis, gosto pelo Bem.
A violência e os temas “pesados” ou apavorantes, não fazem parte do seu universo criativo, que vai deci- didamente pelo caminho do bom-humor. Observador atento e autor coerente, Maurí- cio não se furta a abordar temas filosóficos que a todos dizem respeito e que nos são familiares a nós, espíritas: a existência de Deus, um Deus bom e compassivo, Pai que se alegra com os progressos dos seus filhos; a imortalidade da alma, patente em algumas aventuras da Turma da Mónica, e, especialmente, nas aventuras da Turma do Penadinho, um Espírito desencarnado afável e muito simpático; a reencarnação, que está a cargo do personagem Dona Ce- gonha, que leva os Espíritos para uma nova vida terrena, e que trabalha em parceria com a Dona Morte, assegurando ambas que a vida na Terra decorra normalmente, sem superpopulação; a existência de outros mundos habitados, presente por exemplo nas aventuras do Astronauta.
Maurício vem de uma família constituída por pessoas com crenças diversas. Não lhe é conhecida qualquer filiação religiosa ou filosófica, definindo-se a si mesmo como uma pessoa que procura a verdade. Em entrevista à PUC (Pontifícia Universi- dade Católica do Rio de Janeiro), Maurício declarou: «a série Penadinho (nome que vem de alma penada), foi criada para des- mistificar os medos e pavores que cercaram a nossa infância, ou ainda cercam a infância de milhares de crianças em vastas áreas deste país.
Sou do tempo em que minha avó nos passava a certeza da existência dos sacis, almas penadas e lobisomens em verosímeis histórias». Alguns persona- gens clássicos do género fantástico, tais como vampiros, múmias ou lobisomens aparecem numa versão alegre e descon- traída, destinada a varrer os medos. Outros personagens têm um conteúdo filosófico mais profundo. É por exemplo o caso da Dona Morte, sobre a qual afirmou: «Até que eu gostaria de pensar numa morte que chega com um papo, uma explicaçãozinha, uma marquinha no caderno dizendo que chegou a nossa hora.
Seria mais “humano” do que acontece na real. Principalmente se soubéssemos que há vida depois da morte: no cemitério do Penadinho — uma espécie de limbo, área de espera — ou em outro sítio mais para cima ou para baixo (este último não desejado, lógico)». Para além das aventuras do Penadinho e dos seus amigos no Além (já com direito a revista própria), o tema da imortalidade da alma está presente com frequência. Acontecem experiências de quase-morte.
Mónica e os outros meninos do bairro têm um Guia, o Anjinho. Às vezes há Espíritos que interferem nas aventuras, como no caso daquele que tentava influenciar Cas- cão – o menino que detesta água – a tomar um banho! É este o tom das aventuras, que tocam temas sérios de forma divertida. As histórias estão concebidas de modo a que o leitor tenha a possibilidade de interpretar a seu modo. Especialmente no que toca às posições filosóficas, Maurício deixa a porta aberta para diferentes leituras, respeitando a liberdade e sensibilidade do público.
A obra de Maurício e da sua bri- lhante equipa é mundialmente conhecida e admirada. Tem sido reconhecida, por diversas ins- tituições, entre as quais espíritas, como excelente contributo para a formação das crianças. E dos adultos… O endereço electrónico do site de Maurí- cio de Sousa é http://www.monica.com. br/mauricio-site/ T exto: Mário Correiamariocorreia9@hotmail.
