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existir vida após a morte constitui-se como viável em ciência

Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 104 min

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e existir vida após a morte constitui-se como viável em ciência.

Na óptica deste psiquiatra, como já passou a época em que os portugueses avançaram para descobrir novos mundos usando as técnicas da náutica e da astronáutica, agora é o momento dos portugueses empreenderem outra viagem para descobrirem outros mundos, utilizando as técnicas da psiconáutica porque, tal como os brasileiros, «os portugueses são pessoas que têm o coração que funciona» e este, aliado à razão que utiliza os aspectos cognitivos, constitui um método de acesso à espiritualidade. Na sua opinião existe uma importante necessidade da participação do sentimento no cientista. Questiona: o grande volume de pesquisa dos departamentos de física e engenharia é dirigido para produzir armas.

Insiste: como é que se vai descobrir a vida se o orçamento da ciência, na sua maior parte, está voltado para a morte? Na medicina, a situação é semelhante, pois as grandes discussões nesta ciência, actualmente, estão voltadas para o aborto e para a eutanásia. Ao longo da sua conferência, o psiquiatra, com o intuito de reforçar a possibilidade da existência do espírito, cita Sigmund Freud, na sua obra "A interpretação dos sonhos", quando este conhecido autor demonstrou que a vida psíquica podia "caminhar'" paralelamente ao funcionamento do cérebro, afirmando a existência da alma.

Além disso, na base da psicopatologia, Freud estudou os estados conversivos histriónicos, precursores dos distúrbios psiquiátricos, e para os quais não encontrava nenhuma lesão orgânica, mas onde se verificava intensa alteração do comportamento, da mobilidade física e das acções da pessoa, indiciando uma doença da alma, que se manifesta mas que não apresenta alterações do corpo. Aí se explica que Freud designasse a psicanálise como uma "conversa de alma para alma".

correcta, já que só havendo uma neurose ou um problema psíquico é que existe a possibilidade de se instalar aquilo que em medicina se designa de possessão por espiíritos. Deste modo, as questões da influência espiritual são inconscientes porque a pessoa capta e a informação fica alternada no tálamo que é inconsciente. Dai que a pessoa vivencie múltiplos problemas, sem saber a sua origem. No que concerne ao desenvolvimento da mediunidade, esta não é o desenvolvimento das capacidades paranormais, mas sim a

capacidade da pessoa entender os padrões da sua sensibilidade e de os dominar. Por fim, em jeito de conclusão, este médico enfatiza a ideia de criar uma ciência para a vida, uma vez que a espiritualidade permite uma melhor compreensão e encaminhamento do diagnóstico do médico.

Com o adiantado da hora, Sérgio Felipe continuou numa autêntica maratona, respondendo às perguntas colocadas pelo público, que se recusava a sair do auditório totalmente lotado, ultrapassando mesmo as 2h00 da madrugada. Note-se que o auditório se compôs, na maioria, por profissionais de saúde com destaque para médicos, psicólogos, enfermeiros, bem como estudantes de várias universidades de psicologia e da Faculdade de Medicina do Porto, contando também com alguns espíritas.

Vários media estiveram presentes, incluindo rádios, jornais e televisões.

Tornou-se possível a presença deste médico em Portugal, na sequência da realização em Espanha, Barcelona, do I Encontro Europeu de Medicina e Espiritualidade (2), no início de Novembro do ano passado. Na iminência de realizar um périplo por toda a Europa, excepto Portugal, o CECACentro Espírita Caridade por Amor, da cidade do Porto, aproveitou a presença de um dos mais respeitados médicos e investigadores espíritas da actualidade, Sérgio Felipe de Oliveira, e convidou-o a vir a Portugal.

Texto: Cristina Carvalho cristina.m.carvalho(diol.pt

(1) Licenciado em Medicina e Mestre em Ciências, pela Universidade de São Paulo, Brasil. Trata-se de conceituado médico psiquiatra e investigador. Sérgio Felipe Oliveira é Director Clínico do PinealMind Instituto de Saúde de São Paulo e é presidente da Associação Médico-Espiírita de São Paulo, uma instituição com várias décadas de trabalho que

surgiu através do interesse no estudo do Espiritismo e da mediunidade comum a vários médicos. (2) Este certame decorreu em Barcelona, organizado pela Federação Espírita Espanhola Contou com a coordenação-geral da Associação Médico-Espiírita Internacional e teve o apoio do Conselho Espírita Internacional. Uma particularidade: foi o 1.º evento na área médico-espírita a realizar-se em toda a Europa. Nele participaram diversos pesquisadores, médicos e profissionais da área de saúde que também se dedicam à investigação e estudo do Espiritismo aplicado aos seus campos de actuação. entrevista

De passagem pela cidade do Porto, eis a entrevista com um dos mais respeitados médicos psiquiatras e

investigadores da actualidade.

Sérgio Felipe de Oliveira é médico. Licenciado pela Universidade de São Paulo (USP), é Doutor em Ciências pela USP, director clínico do Pineal-Mind Instituto de Saúde de São Paulo. Além disso, actua nas áreas de Psiquiatria e Clinica Médica. É ainda coordenador e professor responsável do Curso de PósGraduação Latu-Sensu de Psiquiatria Transpessoal, disponibilizado pela Universidade de São Paulo (USP). Presidente da Associação Médico-Espiírita de São Paulo.

Como é vista a mediunidade pela medicina? Sérgio Felipe Oliveira — O Código Internacional de Doenças (CID) n.º 10 (F 44.3), de certa forma, já admite a mediunidade. Do mesmo modo que o Tratado de Psiquiatria de Kaplan e Sadock, no capítulo sobre as teorias da Personalidade, quando se refere ao estado de transe e a possessão por espíritos. Carl Gustav Jung, por sua vez, estudou uma médium possuída por espíritos. Enfim, já há total abertura para discutir o tema sob a óptica meramente científica.

No contexto fisiológico, o que é a mediunidade?

SFO — A mediunidade é uma função de sensopercepção. É igual a uma outra qu