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podia modificar, nem podia dizer que não foi

Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 94 min

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ver o mal que fiz, o que me dava uma tristeza profunda, mas também vi o bem, e isso dava-me uma alegria, uma felicidade enorme. À medida que me fui apercebendo que o bem que fiz era muito mais forte do que os erros que cometi, essa luz (que é que eu hei-de chamar-lhe?) dava-me alento, confiança, força. Ajudava-me. Estava tão feliz!... Vejo vir ao meu encontro os meus pais, meus irmãos já falecidos, outros familiares, vizinhos, amigos, vinham em trajes resplandecentes abraçarme.

Eu estava num estado que nunca tinha tido, nem imaginava que era possível ter. Ao mesmo tempo via a minha família aqui, junto do meu corpo. Enquanto isso, vejo entrar o senhor doutor. Não sei o que me fez, só sei que me tirou deste estado.

O médico ficou perplexo até hoje. Já lá vão nove anos. Este é um caso, entre tantos outros, de uma experiência próxima de morte (EPM). Nada mais do que um fenómeno que, hoje em dia, é cada vez mais

Alguém sofre, de súbito, um acidente fulminante. Na estrada, num hospital, e até na guerra. Está em coma e, em muitos casos, é considerado morto do ponto de vista clínico, durante alguns minutos. Esta,

depois de reanimada, conta as experiências que viveu. E descreve-as intensamente. Com fases diversas, comuns a outros casos, a EPM, em certas partes, é vivenciada com profunda lucidez. Por vezes, o ex-paciente fala de um túnel que percorre, com uma luz ao fundo. Ouve sons como campainhas ou uma música bonita, tranquilizadora. Descreve o encontro com o ser de luz, que não se comporta como juiz, mas como uma criatura amorosa e inteligente, até com sentido de humor, ou com familiares falecidos, e, com frequência, antes de passar a última e irreversível fronteira, diz-lhe essa luz que tem de voltar ao corpo.

Em profundo bem-estar, a ideia não agrada. Detectadas as características clínicas da morte, considerase a reanimação impossível passado um período de sete minutos, ou menos, sob pena de haver danos nos tecidos cerebrais. Mas algumas destas pessoas estiveram nesse estado sete, 12 e até 16 minutos.

observaram com detalhe a azáfama que rodeou a morte clínica do seu próprio corpo físico. E, contudo, não morreram.

* Dados fictícios para evitar transtornos para a família e demais pessoas envolvidas.

Texto: Jorge Gomesjorge.je(dclix.pt reportagem

Meêédicos estudam espiritismo

Organizado pelo Centro Espirita Caridade por Amor, o I Simpósio Nacional Médico-Espiírita decorreu na cidade do Porto no passado dia 3 de Novembro.

Com o tema «Fenomenologia orgânica e psíquica dos estados alterados de consciência» o médico brasileiro Sérgio Felipe Oliveira (1) encheu o auditório do Ateneu Comercial do Porto. Apesar da hora de jantar para a qual foi marcada a palestra, 20h00, e do clube de futebol da cidade, campeão em várias frentes, aglutinar a atenção do povo com um jogo europeu no mesmo horário, uma grande parte dos mais interessados nesta temática fez questão de estar presente, e escutou a conferência, o que revela com clareza o elevado interesse centrado nestas matérias.

O simpósio teve início com uma breve apresentação deste médico psiquiatra. Na tentativa de dar respostas a questões de carácter existencialista, tais como "para que vivemos?'", "de onde viemos?'" e "para onde vamos?", o psiquiatra concluiu que existe uma permeabilidade da ciência de hoje para o tema da espiritualidade. Neste sentido, os Estados Unidos constituem um caso paradigmático do interesse pela questão espiritual, pois este país é responsável por uma vasta produção científica.

Tal como foi referido por Sérgio Felipe, até a famosa revista «Time» num dos seus números chama a atenção para o facto dos médicos descobrirem evidências surpreendentes, questionando até se a espiritualidade pode promover a saúde. Também o periódico «U. S. News», numa das suas publicações, aborda a temática da vida após a morte, noticiando o facto da ciência investigar o significado das experiências de quase-morte. Já na área da Medicina, o «Tratado de Psiquiatria» de Kaplan, mais especificamente o capítulo das Teorias da Personalidade, apresenta uma terminologia própria dos estudos de espiritualidade e de religiões.

A Associação Americana de Psiquiatria (APA), na sua célebre publicação do DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), apela aos cuidados que o clínico deve ter para não diagnosticar, erradamente, como alucinação ou psicose casos de pessoas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, visto que, em determinadas comunidades religiosas, isso pode não significar esses diagnósticos. Perante isto, o psiquiatra Sérgio Felipe salienta esta directriz da APA de que a mediunidade ou estado alterado ou modificado da consciência pode ser verdadeiro, constituindo uma abertura para esta questão.

Por seu lado, a CID (Classificação Internacional das Doenças) inclui uma perturbação denominada por estado de transe e possessão por espíritos, podendo esta expressão surpreender o clínico, na medida em que existe uma forma de diagnóstico para o estado de transe. Com isto, o psiquiatra afirmou que falar de espiritualidade na medicina já não é uma heresia científica.

Ainda na área médica, o «Journal of American Medical Association relata o facto de mais de 50 escolas médicas norte-americanas oferecerem cursos que englobam as áreas da espiritualidade, concluindo-se assim que, se num prazo de quatro a cinco anos não tivermos nas nossas universidades formação sobre saúde e espiritualidade, estaremos desactualizados. Apesar de tudo isto, a classe médica continua a insistir em negar a espiritualidade, alegando que esta não tem qualquer relação com a ciência. Todavia, como nenhum cientista provou que o materialismo seja realidade existencial, também é pertinente referir que a ciência não provou ainda que

não existe vida após a morte; logo a hipótese d