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Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 84 min

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não sejam utilizados indevidamente, bem como a educação e orientação para que não se erre por considerar imoral tudo o que diga respeito à sexualidade. O sexo ainda não é moral devido à nossa evolução. Quanto menos evoluído é o espírito, mais o seu impulso sexual é dominado pelo instinto. Quanto mais evoluídos os seres, mais conscientes se encontram da necessidade de nos afastarmos do sexo puramente físico, para o enriquecermos espiritualmente.

Mas antes de atingir esse ideal, é imprescindível que passemos por todas as fases, todos os degraus. Aquele que não esteja preparado (devido à própria evolução), não pode dispensar o mecanismo sexual natural da zona física. Se o encontro entre um homem e uma mulher tem por base a satisfação física, sem a presença de um amor puro e equilibrado, os efeitos manter-se-ão à superfície, não atingindo a alma. Por outro lado, quando existe um amor com profundidade espiritual, as fontes do homem e da mulher são abastecidas.

Então, a sexualidade é uma grande força que não devemos tentar destruir, mas utilizar e elevar, porque na evolução tudo procede por continuidade. E mesmo aqueles que não vivem o encontro sexual físico, mas capazes de equilíbrio da própria alma, podem condutzir as energias criativas para o bem, pela caridade.

Devemos ainda lembrar que a sexualidade não é uma característica exclusiva do adulto, e muito menos do homem casado. Ao longo de toda a vida, o espírito sente os diferentes efeitos no seu corpo, variando a forma como se manifestam.

Na sua juventude, os espíritos sentem a influência do controlo reduzido que têm das forças sexuais. Por outro lado, a velhice do corpo físico não implica que haja um apagar da energia sexual. Aquele que deu bom uso aos seus campos sexuais quando em prática física, sempre terá capacidade para vivenciar nos campos que ultrapassam o sexo físico, pela troca de carinhos, de abraços, de olhares cheios de amor...

A atitude saudável diante da vida sexual será sempre dotada de beleza e não de degradação. A sexualidade em si nunca se corrompe. As atitudes humanas, com instintos deturpados e tendenciosos para o mal é que são uma fonte de censura. O sexo está ligado às mais nobres funções de sentimentalidade, manifestando-se em todas as fases da vida, em que o prazer do acto sexual deve representar, quando bem dirigido, uma poderosa fonte de construção e aprendizado para o espírito, proporcionando-lhe a evolução.

Bibliografia: «O Livro dos Espíritos», Allan Kardec. «Forças Sexuais da Alma», Jorge Andrea. «Dicionário de Psicologia», Roland Doron e Françoise Parot, 1.º Edição, Lisboa, Outubro 2001, Climepsi Editores. pesquisa

São muitos depoimentos. Quem os dá, esteve tão próximo da morte quanto é possível estar. Cativos num coma profundo, sentiram-se livres, de fora, como observadores. A ciência vê-se forçada a pesquisar, porque as alucinações, só por si, não satisfazem os factos.

«A senhora estava na cama, de olhos fechados, aparentemente sem respirar. Auscultei-a. Pareceu-me ainda haver sons cardiacos. Verifiquei que a pele da doente ainda estava quente: se tivesse morrido, isso teria sido há pouco tempo», conta João Pereira*, médico. Escolhera um recanto discreto do amplo vestíbulo do hospital, naquela tarde calma de fim-desemana.

Olhos brilhantes, resolvera arriscar falar a um desconhecido sobre um arquivo secreto das suas memórias. O gravador... «bem, depois desgrava isto mal passe ao papel?hh. «Sim, simb, tranquilizei-o.

A voz é medida, palavra a palavra, pausada, mas expressiva. Rememora: naquela noite, os filhos da senhora octogenária procuravam-no, em casa, à hora de jantar. Não se conheciam. Esse encontro ocorreu em virtude da emergência. Informaram que a mãe estava naquele estado desde as duas da tarde. Não a levaram para o hospital a pedido da doente, que avisara preferir falecer em casa. Após exame, o médico diagnostica «um coma hipoglicémico», uma quebra de glicose.

Na falta de ampolas injectáveis, administra-lhe um pouco de açúcar normal pela boca. Depois, «passei aos filhos a receita de uns comprimidos, para lhos administrarem». Está atrasado para a palestra agendada para às 21h30, alhures na cidade. Promete passar ali um par de horas depois, nem que seja para verificar o óbito.

«Passei por casa da doente pelas 23h30. Recordo que evoca João Pereira , quando entrei naquela casa, fui recebido com alegria pelos filhos. Com um sorriso, disseram-me: Venha ver a doente, que não parece a mesmal».

Entra no quarto da doente. Vêa sentada, bem-disposta e cumprimenta-a:

- Com que então está bastante melhor! Não há dúvida que foi uma alegria franca, graças a Deus que está outra.

- E, estou melhor do que há umas horas, quando o senhor doutor cá veio.

- Exactamente, eu vim cá, mas a senhora não se recorda de eu cá ter vindo!

- Ai isso é que recordo!... - Não pode ser...

- Não pode. Porque a senhora no estado em que se encontrava, num coma profundo, olhos fechados, era impossível ver-me.

- Eu vi-o! Não tenho dúvidas de que foi o senhor doutor que veio cá!

- Não pode ser. Digo-lhe com todo o respeito: a senhora não podia ver-me...

«E então ela olha para mim afirma João Pereirae perante o espanto da família diz-me»: - Pois vou contar-lhe uma coisa que não era para lhe contar. Eu hoje morri. Morri e depois de morrer apercebi-me de que na minha proximidade se encontrava uma luz brilhantíssima que eu nunca tinha visto. Nem é possível descrevê-la.

«A senhora falava até muito bem», salienta.

- Não há maneira de dizer como era aquela luz. Só sei que ao ver aquela luz diante de mim, ajoelhei-me. Ao ajoelhar-me passou-se entre mim e a luz toda a minha vida. Tudo o que eu tinha vivido até agora, eu vi

diante de mim. Vi tudo! Desde criança, quando eu era jovem, coisas que nunca mais me lembrei que tinha feito. Vi-as com muita clareza, e sem poder modificá-las!... Era aquilo, com toda a força real, não