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Cinema I Literatura O poder dos sentidos Joe Darrow (Kevin Costner), m

Jornal de Espiritismo nº 21 · Abril 2007Página 165 min

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Cinema I Literatura O poder dos sentidos Joe Darrow (Kevin Costner), médico muito competente, morador de Chicago, entra em profunda depressão quando a sua esposa, Emily Darrow (Susanna Thompson), médica pediatra, é dada como morta após desaparecer num acidente no meio da selva venezuelana, para onde partira, em início de gravidez, com uma equipa de trabalho da Cruz Vermelha. Joe mergulha no trabalho desesperada- mente, buscando, em vão, deixar de sentir a dor que o atormenta.

Afasta-se dos amigos, isolando-se na certeza de que jamais torna- rá a encontrar o ser amado. Ateu, ele não crê em nada que não possa tocar, muito menos na vida após a morte. Por isso, tudo lhe parece muito confuso quando surgem alguns fenómenos mediú- nicos, como visões da esposa, objectos que começam a movimentarem-se sozinhos em casa e crianças, que ele nunca havia visto anteriormente, começam a dar-lhe “recados” de Emily.

E ele começa a acreditar, estabe- lecendo, pois, um confl ito entre a razãoeafé, que Emily quer se comunicar, embora morta! A favor desta convicção, Joe recebe infor- mações de Emily através de dois garotos internados no hospital, que, em coma profundo, passaram pela experiência de quase-Morte (EMQ). É claro que ninguém acredita nele. Ele próprio começa a crer que está a enlou- quecer. Porém, a constância e a intensidade dos fenómenos convencem-no de que não se tratam de meras coincidências e de que algo muito maior está a acontecer.

Sempre que possível, o Espírito de Emily procura revelar sua presença por intermé- dio de um símbolo que representa uma libélula. Este símbolo, que ela tanto gostava, era o seu sinal de nascença localizado no ombro. O fi lme está bem feito e a enredo é envol- vente. A actuação de Kevin Costner é capaz de expressar os sustos e as angústias pelas quais o personagem vai passando ao longo da história. A busca de Joe pela verdade faz com que se abra para novos conceitos, abandonan- do sua velha atitude arrogante e descrente.

O fi lme explora ainda, com grande realismo, os casos de pessoas que passaram pela experiência de quase morte, com descri- ções do desprendimento do corpo físico e do contacto com aqueles que já tinham partido para o outro plano da vida. A existência do Espírito e do Mundo Espiri- tual tem sido comprovada pelas EQM, que constituem um campo fértil de pesquisas científi cas, comprovando que a sede da mente (consciência) fi ca no espírito imortal, e confi rmando a existência do Mundo Espiritual, habitado pelas criaturas que já viveram na Crosta terrestre.

O fi nal do fi lme é surpreendente e belo, deixando dois ensinamentos importantes: que a comunicação dessa natureza só se dá quando realmente necessária e útil, e que Instruções de Allan Kardec ao movimento espírita nstruções de Allan Kardec ao movimento espírita nstruções de Allan Kardec Obra organizada por Evandro Noleto Bezerra, director da Federação Espírita Brasileira, constituída por 318 páginas que in- clui quase tudo o que de importante Kardec escreveu para o Movimento Espírita nascente e que permanece tão actual como naqueles tempos do início.

Os tempos actuais dominados de forma avassaladora pelos interesses imediatos, interesses materialistas, restringem, ames- quinham, a visão da vida e sua fi nalidade, levando levas de criaturas a praticar actos insensatos, levianos, com consequências devastadoras para os mesmos e para a sociedade. As religiões e demais doutrinas sistemáticas e dogmáticas, são incapazes de estancar o desequilíbrio humano. Mas, desde há 150 anos a esta parte está na Terra uma doutrina livre dos prejuízos dos dogmas, dos sistemas, que apazigua a inteligência e consola o coração.

Essa doutrina é a «sabedoria dos céus» que desceu à Terra e que Allan Kardec desig- naria de Espiritismo, para não se confundir com as doutrinas espiritualistas existentes (novo espiritualismo, catolicismo, protes- tantismo, etc.), como podemos ver logo na abertura do Livro dos Espíritos. Esta doutrina é praticada e veiculada pelo Movimento Espírita, que é constituído pelos espíritas – os adeptos e praticantes do Espiritismo – que por sua vez se organizam em grupos, em associações.

O que distingue esta doutrina das outras é que o Espiritismo não preconiza sacerdó- cio ou qualquer outro tipo de hierarquias, pois que é a doutrina da liberdade, mas também da responsabilidade. Para se dirigir um grupo espírita, um centro espírita; para se falar da doutrina às pessoas nas pales- tras; para escrevermos sobre a Doutrina; para participarmos em quaisquer tipos de trabalhos, públicos ou privados, não se exige nenhum título, nenhum diploma.

Ao trabalhador espírita exige-se apenas, o conhecimento da doutrina e a sua vivência. O Espírito da Verdade foi claro ao dizer-nos: «Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensi- namento; instruí-vos, eis o segundo». Tal afi rmação responsabiliza-nos pelo estudo permanente da obra de Kardec e dos seus continuadores fi éis; convida-nos à renúncia e disciplina; à humildade e bom senso; de que Allan Kardec foi o paradigma. Se assim não fi zermos, seremos como os cegos da parábola do Evangelho que conduzem outros cegos e mais uma vez trairemos a mensagem de Jesus, moldando-a à nossa ancestral inferioridade.

/ Questões como: grupos espíritas, médiuns interesseiros, mistifi cações, polémicas espíritas, divulgação do Espiritismo, inimi- gos (externos e internos) do Espiritismo, ausência de médiuns nos grupos mediú- nicos, a questão de se saber se o Espiritis- mo é Religião, a questão de se saber se o Espiritismo é mais uma religião, o que é um verdadeiro espírita, os desertores, a questãosempre actualde se saber se devemos publicar tudo o que os Espíritos dizem, etc.

, etc., podem ser estudadas e analisadas por todos com muito proveito, pois que têm a marca inconfundível do Codifi cador. Como nem todos os espíritas ainda tiveram a oportunidade de ler a Revista Espírita de Allan Kardec (Janeiro de 1858 e Abril de 1869 – 136 números), que deverá integrar todas as bibliotecas que se digam espíritas, o estudioso espírita Evandro, que também é tradutor desse imenso património deixado pelo Sábio de Lyon, achou por bem colocar ao alcance fácil de todos as suas instruções dirigidas aos espíritas e seu movimento.

Foram recolhidos também artigos das Obras Póstumas do Codifi cador. Trabalhos desconhecidos de muitos espíritas, porque muitos de nós ainda não lemos essa obra, que não deve ser apenas lida, mas relida e estudada. Com este livro o Movimento Espírita encon- tra directrizes seguras para se desenvolver e expandir com segurança. Texto: Carlos Alberto Ferreira T exto: Carlos Alberto Ferreira T encarar de frente a morte/afastamento de um ente querido pode proporcionar-nos uma nova forma de encarar a vida.

Este fi lme passou, recentemente na televi- são portuguesa e existe em DVD.