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Jornal de Espiritismo nº 21 · Abril 2007Página 154 min

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Televisão I Opinião Histórias da televisão PUBLICIDADE Agora que o mundo dos Espíritos tanto está a inspirar o cine- ma e a televisão, vem a propósito lembrar a série de TV britâ- nica “Randall e Hopkirk”. Dennis Spooner concebeu-a em 1967 e filmou-a nos dois anos seguintes, tendo-se tornado uma série policial de culto, como “Os Vingadores” e “O Santo”, tam- bém produzidas pela ITC (Independent Television Company). PUBLICIDADE Randall (Mike Pratt) e Hopkirk (Kenneth Cope) são dois detectives privados.

No decorrer de uma investigação Hopkirk é assassinado, e começa de imediato a cola- borar com o sócio Randall, a única pessoa que o consegue ver. A primeira missão da original dupla é a de identifi car o assassino de Hopkirk, e outras aventuras se seguem. Jeannie (Annette Andre), a viúva, torna-se secretária da fi rma, e não suspeita de que o falecido marido continua a seu lado e a trabalhar. O detective falecido conserva todas carac- terísticas da sua personalidade, benefi cian- do contudo da sua invisibilidade para auxi- liar o seu parceiro nas situações perigosas, embaraçosas e cómicas que caracterizam as aventuras de Randall e Hopkirk.

Esta é uma série difícil de catalogar, que tem sido incluída nos géneros Fantasia, Acção, Drama, Comédia e Paranormal. Pro- vavelmente nenhuma destas classifi cações faz justiça à sua originalidade. Na nossa sociedade a morte continua a ser assunto incómodo. Em “Randall e Hopki- rk”, em vez de temor solene, a vida após a morte é apresentada com bom humor e naturalidade. A vida após a morte, que para a maioria das pessoas é apenas uma vaga hipótese, tem nesta fi cção uma grande semelhança com a realidade, segundo o Espiritismo.

A série original, de 26 epísódios, foi relan- çada em DVD em 2000. Uma segunda série de 13 episódios, com os actores Vic Reeves e Bob Mortimer, foi lançada no mesmo ano. O site www.randallandhopkirk.com Exemplos que damos Quando ainda não conhecia o Espiritismo, ouvi um senhor, espírita, a falar na rádio. Dizia que não é só o Espírito Guia, ou Anjo de Guarda, que tem a responsabilidade de guiar, mas que, pelos exemplos que damos, todos somos Guias uns dos outros.

Na altura não entendi bem a ideia, mas agora, enquanto aguardo a minha vez de abastecer o carro, dou por mim a pensar nisso. O homem da bomba de gasolina anda sempre de bicicleta, faça chuva ou faça sol. Tem sempre um sorriso, uma piada pronta e um comentário sobre futebol, personaliza- do, segundo o clube da nossa preferência. São sete horas de uma manhã gelada de Inverno. É admirável a genica deste homem franzino e cheio de presença, a boa dispo- sição a que não está obrigado por contrato, mas que gosta de distribuir gratuitamente.

Chegado ao trabalho, o bom-dia sorriden- te da senhora da recepção ilumina o dia. E ainda é noite, às oito da manhã. Trata a todos pelo nome, um som agradável para qualquer pessoa. É uma senhora encanta- dora, que faz sozinha o trabalho de meia dúzia de pessoas. Por pura generosidade. Por consideração pelo próximo, que a sua folha de pagamento não premeia. Nas pausas para as refeições costuma fi car a desenhar – geralmente cenas com cavalos a correr à beira-mar.

Ao almoço, após uma manhã de labuta a cozinhar, quem nos serve o almoço tem a atenção de perguntar se queremos um pouco mais de sopa, ou um pouco mais de esparguete, que “uma pessoa como o senhor tem cara de quem se alimenta bem”. Pergunto-me seriamente se não estarei fi car um bocadinho para o pesado, mas agrade- ço a atenção, que não está no código da etiqueta laboral. Durante o dia, são muitos, embora discre- tos, os exemplos de simpatia, bondade e heroísmo anónimo.

Muito mais dignos de atenção, os bons exemplos, que os maus humores do companheiro de trabalho invariavelmente zangado que teima em descarregar a fúria sobre quem tem à mão, ou as manifestações de má-educação do condutor imaturo, que parece ter mais cavalos no motor que neurónios no cére- bro. Porque é que me irrito sempre com o condutor imaturo? À tardinha, no regresso a casa, chama-me sempre a atenção a senhora de idade já avançada, sempre sozinha na varanda.

Porque a vejo todos os dias, comecei a cumprimentá-la. Ela responde, abrindo a expressão fechada de quem provavelmente passa os dias na solidão. Aqui faz-se-me sempre um nó na garganta. Que se agrava mais à frente, quando paro na passadeira dos peões e vejo aquele miúdo de doze anos que vai apanhar a camioneta, e que eu sei que não terá o calor dos abraços da mãe a recebê-lo. Simpatia, bondade, heroísmo anónimo. Todos podemos ser Guias uns dos outros.

A chuva miudinha cobre a paisagem. Acho que não me vou irritar mais com o condu- tor imaturo. Por Roberto António robertoantoniolx@hotmail.com contém informação sobre as duas séries; o site do actor Mike Pratt, www.mike-pratt. co.uk, contém abundante material sobre a primeira série.