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Jornal de Espiritismo nº 21 · Abril 2007Página 84 min

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Crónica PUBLICIDADE PUBLICIDADE PUBLICIDADE Superstição e curandeirismo A superstição e curandeirismo andam de mãos dadas, de um modo geral. Quase sempre são fruto da ignorância. Uns aprovei- tam-se dos mais crédulos e estes querem acreditar naquilo que desejam. Outros ainda pretendem misturar tudo no mesmo saco com o Espiritismo, que nada tem a ver com este tipo de práticas. Desde tempos imemoriais que a supersti- ção assenta arraiais nas mentes distraídas.

Qual erva daninha, bem enraizada e difícil de extirpar, vem marcando passo no quoti- diano de muitos, pese embora o desenvol- vimento cultural que a nossa sociedade já comporta. Paralelamente, o curandeirismo pode ser fruto daquela vontade de curar que ao fi m e ao cabo todos temos. Lá diz o ditado que «De médico e de louco todos temos um pouco». Possivelmente apareceu com os parcos conhecimentos científi cos de outrora, onde as mezinhas substituíam a medicina incipiente e iniciante, e onde os mais astutos conseguiam viver à custa da credulidade alheia, bem como da sua sugestionabilidade.

Poder-se-á dizer que estamos a fazer uma espécie de retrospectiva de um passado que já lá vai longe, mas, não é bem assim. Nos dias que correm, a superstição ainda campeia e o curandeirismo também. Poder- -se-á perguntar porquê. Os factores a consi- derar são muitos, mas se com a superstição facilmente poderemos verifi car que aí existe ausência de raciocínio lógico, aliado à falta do conhecimento que liberta, no que concerne ao curandeirismo podemos encontrar resposta na grande necessidade que o ser humano tem de se libertar da dor, do sofrimento, por vezes com causas desconhecidas, que o levam a frequentar locais nem sempre recomendáveis.

Bastaria dar uma vista de olhos pelos jornais, ou verifi car os espaços comerciais que nos circundam, e facilmente encon- tramos os falsos profetas, que prometem a resolução de todos os problemas a troco de dinheiro. Vemos hoje em dia lojas que vendem amuletos para o mau-olhado, pe- dras contra a inveja, um saquinho para dar sorte, e constatamos com alguma tristeza que esses locais são algo frequentados. O lucro fácil, a exploração da ignorância e dor alheias sempre foi uma tentação humana, por parte de quem não se norteia por prin- cípios humanistas.

O Espiritismo (ou doutrina espírita) nada tem a ver com este tipo de práticas e, mais uma vez, somente a ignorância ou a má fé poderão compatibilizar uma doutrina que divulga a prática do bem com áreas co- merciais que vão desde o crime de simonia (comércio das coisas sagradas, como por exemplo a mediunidade paga) até à venda de objectos que nenhum valor têmanão ser o valor que o desconhecimento dá. Mas afi nal o que é o Espiritismo?

Não vamos dar opinião, vamos referir um facto histórico e como tal irreversível. O Espiritismo é a doutrina que foi codifi cada por Allan Kardec em meados do século XIX, em Paris, França. Kardec, o seu codifi cador (e não o autor!), defi niu-a assim: «O Espiri- tismo é ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina fi losófi ca. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíri- tos; como fi losofi a, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.

Podemos defi ní-lo assim: o Espiritismo é uma ciência que trata da origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal». O Espiritismo baseia-se em factos. Os seus pontos estruturais são: Existência de Deus, inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. Imortalidade da alma, a vida continua depois do desligamento corporal. Mediunidade, comunicabilidade entre nós e os chamados «mortos».

Reencarnação, vivemos muitas vidas, no género humano. Lei de Causa e Efeito, somos responsáveis pelo que fazemos e invariavelmente só fi ca- mos bem reparando os erros que atingem outrem. Pluralidade dos mundos habitados, a vida vai muito além do nosso planeta.» O Espiritismo não existe para curar corpos. Para isso podemos contar com uma grande bênção: a medici- na terrena O Espiritismo não existe para curar corpos. Para isso podemos contar com uma grande bênção: a medicina terrena.

O Espiritismo ajuda isso sim a curar almas, através da compreensão da vida, através da renovação interior, da mudança de postura mental, onde a pessoa encontra novos horizontes mais arejados que lhe norteiam a vida, até então parada nos conceitos dogmáticos e estéreis do ritualismo. Eventualmente, a cura pode acontecer com o Espiritismo, nomeadamente quando a doença é pro- veniente de obsessão espiritual (infl uência perniciosa por parte de um espírito pertur- bado).

Para isso podemos sempre recorrer à fl uidoterapia (passe magnético, água fl uidifi cada e reunião de desobsessão), num centro espírita idóneo, bem orientado. O Espiritismo tem sido o lutador da linha da frente contra a superstiçãoea crendice, procurando sempre esclarecer e auxiliar o homem a libertar-se dos grilhões da ignorância. Para conhecer um pouco do que é o espiritismo aconselhamos a leitura indispensável de «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec.