24 — índice de conteúdos

Opinião De azulejo em azulejo Eutanásia e reacções espirituais Eutanás

Jornal de Espiritismo nº 24 · Setembro 2007Página 144 min

Partilhar
Idioma

Opinião De azulejo em azulejo Eutanásia e reacções espirituais Eutanásia tem a significação de morte tranquila, morte sem sofrimento. Dentro dos parâmetros espíritas, podemos dizer que a morte conduzida pelo processo de eutanásia jamais será tranquila e sem sofrimento; ela será desarmónica e dese- quilibrante para o Espírito que se está desfazendo dos laços materiais fora de época. Françoise Schein é belga e tem 54 anos.

Nasceu em Bruxelas. Vive e trabalha em Pa- ris, Nova Iorque e Lisboa. Estudou arquitec- tura e Design Urbano na Escola de Arqui- tectura e Artes Visuais de Bruxelas e ainda na Universidade Columbia, em Nova Iorque. Um grande anseio motiva-a a “inscrever a Europa nos muros das cidades”, o que já levou centenas de jovens a idealizarem ilustrações para os 50 artigos da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. O megaprojecto “Whiting the Human Rights” fascina-a desde 1989.

Em quinze anos já o concretizou em cida- des como Paris, Bruxelas, Berlim, Copenha- ga e Lisboa, em estações de metro. Só em Portugal podem admirar-se doze painéis murais de azulejos, distribuídos por vários locais. A estação Parque do Metro de Lisboa é exemplo vivo de criatividade inventiva. Exprimindo o papel do nosso país nos Descobrimentos quinhentistas, a explora- ção de escravos revê-se através de pinturas em azulejos, uma arte milenar em Portugal, que a artista idealizou desenvolver num país com uma jovem democracia e que reaprendeu e aperfeiçoou em dois anos na empresa de cerâmica Viúva Lamego.

Além de “perseguir” um sonho, a artista plástica promove a realização de trabalhos e a troca de experiências entre pessoas e entre escolas de diferentes cidades, o que faculta a inscrição da cidadania europeia na consciência e no coração dos jovens de uma forma cada vez mais fulgurante e inspiradora de novos hábitos comporta- mentais. A criadora da Associação Inscrire afirma-se “belga, portuguesa, brasileira”, pisou pela primeira vez o território português em 1992 e já viveu em Sintra, Alfama… aprendendo a língua e estudando a História.

As favelas do Rio de Janeiro também se inscrevem no percurso artístico e sentimen- tal de Schein como texto fundamental dos Direitos do Homem em todo o mundo, ao ar livre e não no metro. Mas o que mais a caracteriza é o sentido re- encarnacionista que facilmente reconhece, não se privando de expressá-lo. Assegura já ter vivido em Portugal numa outra vida, alegando que aquando da primeira visita ao nosso país, em 1992, parecia-lhe conhecer “as ruas, as pessoas, tudo …”.

Em artigo pu- blicado na Revista Única, de 20 de Janeiro de 2007, apensa ao Semanário Expresso, com a mesma data, esta cidadã belga que é contra a pena de morte e já deixou painéis em treze cidades refere: “Nunca tinha conhecido sequer um português, mas sentia-me em casa”, o que lhe parecia “uma revelação”. Diz ainda ter pretendido adoptar um filho em Portugal, vindo a optar pelo Brasil. “Uma menina índia, com sete anos” apelidou-a de “minha mãe da sorte” quando a viu pela primeira vez, afiançando conhe- cê-la “há muito tempo”.

Ao trazer a lume este facto a que chama de “reencontro”, realça a sua crença na reencarnação como mulher após uma etapa “como homem, um navegador português”, onde teria “encon- trado essa menina índia”. Os incrédulos e os caluniadores do Espiri- tismo começam a navegar em águas muito turvas! Texto: Eugénia Rodrigues Ceifar as correntes da vida é criar tumulto para a organização espiritual, zona que representa o ser integral… O processo chamado de eutanásia cria superlativas reacções que comprometem os dispositivos das leis de acção e reacção.

As coisas se passam de tal ordem, quando a eutanásia é aplicada, que o processo desencarnatório muda de curso, reflectindo reacções bastante destoantes, numa mecâ- nica de difícil compreensão, devido ao facto de a nossa avaliação científica estar direc- tamente relacionada com o corpo físico. As reacções espirituais estão muito além das nossas percepções comuns; valorizamos o que mais nos toca os sentidos. Aquele que deixa a vida ceifado pela eutanásia sofrerá, de modo intenso, no seu próximo processo reencarnatório.

Se a eutanásia desajusta a desencarnação, será quase certo termos equivalentes respostas no próximo processo reencarnatório, como condição de equilíbrio na mecânica da vida. Devemos respeitar a hora ajustada da desencarnação; não podemos intervir, sob qualquer pretexto, no processo que a vida comanda; jamais devemos isolar ou transferir sofrimentos e dores; não temos o direito de abreviar a vida de quem quer que seja.

As reacções do processo reencarna- tório obedecem a leis que fazem parte da essência da vida; tudo isso irá propiciar uma transferência das propostas de libertação do Espírito. O processo da eutanásia perturba o me- canismo desencarnatório pela indevida intervenção na sua íntima estrutura. Como as reacções espirituais, oficialmente pela ciência, ainda não fazem parte dos proces- sos psicológicos, muitos crêem não existir nada de incorrecto na sua aplicação; muito ao contrário, acham mesmo que a eutaná- sia representaria um processo de auxílio aos que sofrem.

As correntes da vida que o Espírito mantém e sustém na organização física, como aque- las outras que da organização física são absorvidas pelo ser espiritual, devem seguir os seus respectivos e acertados momentos até total apagamento. Toda corrente que é abruptamente interrompida mostra os seus reflexos, tanto no ponto de origem, quanto no de chegada. É um ciclo que poderá des- fazer-se diante das interferências externas com a apresentação de sérios reflexos na mecânica da vida.