25 — índice de conteúdos

Rescaldo Perguntas à solta Nas Jornadas Espíritas de Braga houve indag

Jornal de Espiritismo nº 25 · Novembro 2007Página 73 min

Partilhar
Idioma

Rescaldo Perguntas à solta Nas Jornadas Espíritas de Braga houve indagações que ficaram por responder. Pela oportunidade das mesmas «Jornal de Espiritismo» aceitou criar um espaço para que os expositores possam atender essas questões. Desta vez, a palavra às perguntas colocadas a José Carlos Lucas, que falou neste evento sobre evidências da imortalidade da alma. Poderia explicar como o espírito utiliza os aparelhos eléctricos para as transcomuni- caçoes?

José Carlos Lucas – Não se sabe ao certo. Uns pesquisadores defendem a tese de que eles agem sobre os equipamentos electrónicos de um modo que desconhe- cemos. Outras pessoas, nas quais me incluo, pensam que é necessário haver alguma mediunidade de efeitos físicos que os espí- ritos utilizam para agir sobre os gravadores. Apenas temos a certeza de que os factos existem. Um dia descobriremos como eles fazem isso. Até lá é necessário continuar a pesquisar.

Qual a diferença entre a manifestação espírita e espontânea e o popularmente designado “estar com o diabo no corpo” a que normalmente se resume com o exorcismo? JCL – Uma manifestação espírita espon- tânea, ou drop-in, é uma manifestação espontânea de alguém desencarnado que dá detalhes passíveis de serem identifica- dos ou não. Entre os casos de manifestação mediúnica há as que têm autocontrolo e as que não, podendo ainda ser espontâneas ou não.

O exorcismo não é uma prática espírita. As- senta numa premissa errada, a da manifes- tação de um ser demoníaco, quando o que acontece é serem seres necessitados de muito amor, compreensão e tolerância. Daí que esse tipo de práticas – os exorcismos – na maioria dos casos não surtem efeito, enquanto nas reuniões espíritas surtem. Partindo de um cepticismo, ou melhor de um desconhecimento total, onde procu- rar informação para verificar o aspecto ve- rosímil dos mecanismos da mediunidade?

JCL – Pode começar pelo «O Livro dos Es- píritos», «O Evangelho Segundo o Espiritis- mo», «A Génese», «O Céueo Inferno» e «O Livro dos Médiuns», todos de Allan Kardec. Depois destes livros estudar os livros do Projecto Philomeno de Miranda, nomeada- mente um intitulado «Qualidade na Prática Mediúnica», bem como os livros de André Luiz psicografados por Chico Xavier, nome- adamente «Mecanismos da Mediunidade» e «Nos Domínios da Mediunidade».

As comunicações mediúnicas pressu- põem a imortalidade da alma. Que provas existem a respeito da imortalidade da alma? JCL – Inúmeras evidências: materializações temporárias de espíritos (ectoplasmias), materializações de objectos, manifestações espontâneas, mensagens cruzadas, trans- comunicação instrumental, entre tantas outras que seria fastidioso referir aqui. Suge- ria a leitura do trabalho «Provas da imorta- lidade da alma» apresentado no congresso da Maia, há uns anos, da minha autoria.

Depois é só pegar na extensa bibliografia e ir pesquisando. Que métodos e técnicas foram usados nos casos apresentados, ou em qualquer caso, que nos permita averiguar a veracidade dos mesmos? JCL – Nos casos em pauta, apresentados em Braga, limitámo-nos a constatar os fac- tos, gravá-los, recolher informação adicional e cruzar a informação com os interessados para aferir da veracidade ou não da mesma. Poderia explicar as diferenças entre os conceitos animismo, mistificação e tele- patia?

JCL – Animismo existe quando há uma projecção da nossa alma. Por exemplo se eu tiver a capacidade de ver à distância, clarivi- dência, é uma faculdade anímica, pois que alma vê à distância, de per si, sem interfe- rência espiritual. Caso houvesse interferên- cia espiritual a mostrar algo que o médium vê, aí seria uma comunicação mediúnica, pois um espírito agia sobre o médium. No animismo não, é apenas a pessoa que utili- za as suas faculdades paranormais.

Telepatia é o acto de comunicar ou captar mentalmente algum pensamento ou estado de alma. Foi evidenciado pelo casal Rhine, nos EUA, na década de 1960. Mistificação é quando um espírito, comu- nicando-se por um médium, procura enga- nar, parecendo o que não é. Por exemplo, se aparece um espírito pouco evoluído ou espertalhão procurando passar por quem não é, dará por exemplo uma mensagem com dados aparentemente muito bons, “elevados”, mas o médium sente que a teo- ria está em oposição ao que sentiu quando da comunicação mediúnica.

Sendo um espírito pouco evoluído, pode enganar na perfeição onde quiser, mas não consegue mistificar a sua própria vibração. Assim, se o médium recebe uma men- sagem a apelar por exemplo ao amor, à fraternidade e sente um grande mal-estar, é mais que provável que esteja sob a acção de um espírito mistificador, pois transmite ao médium sensações de mal-estar, típicas dessa classe de espíritos.