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Opinião Quer viver na abundância?

Jornal de Espiritismo nº 26 · Janeiro 2008Página 165 min

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Como poderemos conquistar a tão sonhada abundância financeira? Quem de nós não deseja uma prosperidade espiritual contínua e segura? Quem tem mais abundância: uma pessoa que possui um apartamento, dois carros completos e vive a trabalhar de domingo a domingo, stressada, para pagar as suas dívidas com cartão de crédito e cheque especial ou um senhor de meia-idade que vive feliz e tranquilo na sua cabana de palha, em frente à praia, que vive da pesca e que à noite, diante do luar, toca alegremente a sua guitarra?

Obviamente que é o segundo personagem. “O Livro dos Espíritos” responde a essa pergunta definindo com 150 anos de antecedência o conceito de abundância, somente bem compreendido agora, no século XXI. Na pergunta 926 o Espírito da Verdade afirma que “os males desse mundo ocorrem em razão das neces- sidades falsas que criais... o mais rico dos homens é aquele que tem menos necessidades”. A abundância, portanto, independe da quantidade de dinheiro ou de bens materiais, é o bem-estar psicológico diante do que pouco que possuimos.

É o oposto da ambição e da ganância. Esse é o nosso supremo objectivo na vida em relação ao dinheiro. Muitas vezes perguntamos por que Deus permite que tantas crianças nasçam na pobreza ou mesmo na miséria. Para res- ponder a essa pergunta lembramos que a matéria é consequência do espírito e, que, portanto, a prosperidade espiritual leva necessariamente à prosperidade material e não ao contrário, como muita gente pensa.

Quando o espírito ainda é imaturo ele pode possuir muitos bens materiais, mas não desenvolveu ainda abundância. É aquela pessoa que esbanja egoisticamente dinheiro em prazeres diver- sos ou compra compulsivamente. Fica-lhe sempre um vazio na sua alma e por isso ela tenta suprir esse vazio com coisas materiais que entorpecem mas não realizam. A sua alma, então, atrai uma situação de pobreza material para que ela possa desenvolver abundância e auto-realizar-se.

A pobreza é, pois, um curso intensivo e gra- tuito de abundância. Foi uma das experiên- cias mais ricas que passei na minha infância nesta vida e que, graças a ela, me faz olhar os pacientes pobres e necessitados que atendo com um olhar de compaixão. “Eu sei o que eles passam, eu sei o que é passar fome, o que é não ter o dinheiro para uma passagem de ónibus ou para um simples lanche” – reflicto. Essa memória misericordiosa é uma das melhores heranças da experiência chamada pobreza.

Os pobres também tendem a ser muito solidários e quem faz campanhas beneficentes sai sempre com alguma coisa dos bairros de lata, nem que seja uma simples caixa de fósforos. Os pobres por estarem mais insatisfeitos buscam a Deus e as religiões com mais frequência do que os abastados; por andarem a pé ou de autocarro, têm um contacto e uma afeição maior pela natureza. Em resumo, podemos encontrar na dor da pobreza várias opor- tunidades possíveis de desenvolvermos abundância na nossa vida, se obviamente, quisermos.

Deus não castiga nem pune: educa. Nós somos inteiramente responsáveis pelo nos- so destino. Portanto, se atraimos pobreza material, se Deus permite que crianças nas- çam na pobreza, é para que tenham mais oportunidades de espiritualização, pois a toda deficiência material corresponde uma “super-eficiência” espiritual. No futuro, poderão lidar com a energia material do dinheiro com mais maturidade e, principal- mente, de uma forma mais solidária.

Tudo o que nos acontece concorre para o nosso bem e o bem maior, a riqueza do nosso espírito, está ao nosso alcance aqui e agora! MAS… COMO DESENVOLVERMOS ABUN- DÂNCIA EM NOSSO DIA A DIA? Prosperidade espiritual ou abundância é a arte que nós possuimos de ser mais felizes com o pouco que temos do que com o muito que não temos. A nossa alma, nas muitas encarnações, passa por diferentes estágios, para se espiritualizar e desenvolver abundância.

1. Pouca prosperidade espiritual ( abun- dância) e muita prosperidade material: É o caso dos políticos corruptos e dos ricos esbanjadores. 2. Pouca prosperidade espiritual e mate- rial. São as pessoas do item anterior que atraíram a situação de pobreza para o seu progresso. Como não “novatas” nesse curso intensivo e gratuito de abundância a que chamamos pobreza, queixam-se bastante das dificuldades financeiras. 3. Muita abundância e pouca prosperidade material.

São os “simples e pequeninos” a que se referia Jesus, os “pobres pelo espírito”, aqueles pobres que aceitam a sua condição com resignação e se espirituali- zam com as dificuldades materiais. 4. Abundância e riqueza material: quando, amadurecido, o espírito atrai para si os bens materiais de que necessita, lidando com as finanças de uma forma tranquila, soli- dária e filantrópica. Nesse estágio estão os ricos que promovem o bem, praticam a caridade e impulsionam o progresso com o seu dinheiro.

5. Abundância e plenitude espiritual: nes- se estágio estão os espíritos missionários como Jesus, S. Francisco e Gandhi que se sentem tão plenos e auto-realizados que não mais necessitam de nenhum dinheiro para serem felizes. Vale salientar, contudo, que eles têm plena liberdade de atraírem todo o dinheiro que neces- sitarem para a sua missão, não passando por nenhuma privação material compul- sória e ajudando financeiramente quem e quantas pessoas quiser.

As suas cons- ciências altamente evoluídas têm o total domínio sobre todas as coisas materiais, inclusive o dinheiro. Algumas atitudes diárias conduzir-nos-ão mais rapidamente ao estágio de abun- dância e plenitude espiritual: 1. Evitarmos as queixas e as comparações materiais com os outros. 2. Evitarmos expor-nos demasiado à televisão. 3. Colocarmos as coisas espirituais, o amor e os relaciona- mentos acima dos bens materiais, cum- prindo o primeiro mandamento “Ama a Deus sobre todas as coisas”, ou seja, colocarmos as coisas espirituais acima das materiais.

4. agradecermos a Deus tudo que temos, orarmos e meditarmos diariamente. 5. Praticar a caridade e a ge- nerosidade. A diferença (subtil ) entre as duas coisas é que caridade é dar aos que precisam e generosidade é dar coisas materiais aos que não precisam (dar um presente a um amigo, pagar um almoço para conversar com alguém, etc). 6. Per- guntarmo-nos todas as manhãs: “como sou feliz agora?”. Não o que precisamos para sermos felizes mas o que temos agora que nos faz felizes.

Seguindo esses passos, que os livros espíritas nos sinalizam tão bem, atin- giremos a tão sonhada abundância e, com ela, nos tornaremos, segundo Jesus, “bem-aventurados” e alcançaremos aqui e agora “o reino dos céus”.