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Jornal de Espiritismo nº 26 · Janeiro 2008Página 153 min
Opinião O Exemplo PUBLICIDADE PUBLICIDADE A D. Mariana frequenta um Centro Espírita. Desde nova que sentia “certas coisas” que a medicina oficial não conseguia identificar. Frequentando o Centro Espírita, acabou por verificar que afinal a “estranheza” de que se dizia possuidora não era nada mais do que uma capacidade, um sexto sentido, que mi- lhões de pessoas possuem: a mediunidade (ou percepção extra-sensorial), capacidade que permite às pessoas aperceberem-se do mundo espiritual.
A D. Mariana começou a ser assídua no Centro Espírita. Na primeira oportunidade, inscreveu-se num Curso Básico de Espiritismo, gratuito (como aliás todas as actividades de um Centro Espírita que se preze), e posterior- mente acabou por efectuar um outro, de educação da mediunidade. O conhecimento adquirido trouxe-lhe outra postura perante a vida. Começou a ser mais calma, menos irritadiçaea entender melhor os mecanismos da vida, agora vistos pelo prisma da Doutrina Espírita.
Passou a integrar uma actividade de fluido- terapia (doava as suas energias em prol do próximo, em reuniões próprias para o efeito, o chamado “passe espírita”) e tem consegui- do granjear o carinho de todos aqueles que a conhecem. Pessoa bondosa e dedicada, todos a esti- mam. Há dias, falando com ela, Mariana contou um caso, que pela sua singeleza e grandeza espiritual me chamou a atenção, levan- do-me por novos atalhos meditativos, em tentativa de interiorizar tal situação.
Tudo acontecera no ano passado, faltavam alguns dias para o Natal de 2006, quando assistia a uma palestra espírita. A certa altu- ra, a pessoa que estava a explicar um tema à luz da Doutrina Espírita (ou Espiritismo) exortava as pessoas a, ao invés de envere- darem pela mera troca comercial de pre- sentes, que dessem um presente diferente, por exemplo, um bom livrou ou até apenas um aperto de mão, um abraço. O tempo passou… Falando com Mariana, um mês antes do Na- tal de 2007, esta contou-me a sua história: «Sabe, aquela palestra do ano passado… mexeu muito comigo, e tinha uma colega de trabalho que me prejudicara muito, e não falávamos uma com a outra, mais por orgulho das duas.
Depois de ouvir a pales- tra, lembrei-me e fui ter com ela. Acercan- do-me do seu local de trabalho, ela ficou espantada com a minha presença, ao que lhe disse que tinha algo para lhe oferecer. Ela ficou atónita, sem saber o que dizer, e nem reagiu. Eu ganhei coragemreferiu Mariana – e disse-lhe: “Venho dar-te um abraço como presente de Natal”. Não imagina a enorme alegria que se apo- derou de mim, a leveza de espírito com que fiquei, para além de termos ficado amigas, pondo as duas, o respectivo orgulho de parte».
Fiquei a meditar nesta situação ocorrida com a D. Mariana, e confesso que não me sai da cabeça. Como é impressionante a força do querer, o impacto que tem a Doutrina Espírita na vida das pessoas, e como o exemplo (neste caso da D. Mariana) tem uma força incrível, não deixando, quem conhece o caso, indiferen- te perante a sua própria vida. Este é o objectivo da Doutrina Espírita, esclarecer as pessoas acerca do real sentido da vida, e se aplicada no dia-a-dia, con- tribuir para que o mundo seja cada vez melhor… começando por melhorar o seu próprio “mundo”… Confesso que nas múltiplas situações do quotidiano, relembro com frequência o caso da Mariana, qual farol a indicar-me o caminho do reerguimento moral, que todos nós precisamos encetar, em busca da nossa própria felicidade.
Por José Lucasjcmlucas@gmail.
