Publicidade Publicidade (pág. 8)
Jornal de Espiritismo nº 26 · Janeiro 2008Página 84 min
Crónica PUBLICIDADE PUBLICIDADE Curar a consciência Apesar de sofisticada tecnologia, os sintomas patológicos persistem em amedrontar os pacientes, conduzindo-os a inevitáveis estados alterados de consciência em processos morosos de abertura de sequelas do passado As patologias do foro psicológico afectam milhares de pessoas pelo mundo inteiro. Apesar dos inúmeros meios e métodos que tentam travar o alarmante crescimento das doenças psíquicas, elas persistem em afirmar-se.
Exponencialmente, nos últimos anos, a pro- cura de ajuda através de profissionais com- petentes nesta área aumentou, clarificando a gravidade destas doenças, quer a nível pessoal, quer a nível familiar ou profissional. O caos em que algumas faixas da sociedade moderna se movimentam, não é senão o reflexo dos sintomas patológicos que a “ nova moda “ trouxe ao palco do teatro da vida corpórea. Traumas, depressões, ansiedade, anorexia, stress – palavra com apenas três décadas de existência – eis as doenças da actualidade.
Qual a origem do problema? Por onde começar? Ao mínimo sinal, a terapia regressiva de me- mória surge no horizonte que arduamente se busca na procura e conhecimento do eu, numa vontade insondável de criar estados de harmonia emocional e equilíbrio básico de autodesenvolvimento. Relembrar momentos recalcados no subconsciente para extinguir patologias actuais, responsáveis por mazelas físicas, tornou-se alvo fácil. Eonúmero de con- sultas destaca-se.
Hipnose terapêutica, terapia regressiva de vidas passadas, são motivações que se articulam com práticas modernas de curiosidade e uso indagador de momentos e memórias onde as seque- las, tantas vezes, vão abrir novas feridas e derramar lágrimas de arrependimento. Com certeza, alguns casos são perfeitamen- te justificados. Porém, tantos outros teriam solução mais natural, pois são apenas os reflexos cristalinos de uma mediunidade literalmente descontrolada ou de vulnera- bilidade a estados obsessivos, uma vez que somos seres interexistenciais.
Ora encarnado, ora desencarnado, tanto numa como noutra situação, o homem está constantemente a participar, graças à faculdade mediúnica, dos dois planos simultaneamente. Então, porque não recorrer à casa espírita? Porque não deixar que esta coloque beleza em olhos que fitarão a vida com lentes mais claras? Joanna de Ângelis, mentora espiritual do médium Divaldo Pereira Franco, brasileiro, refere que a educação mental, resultante do esforço pelo cultivo de ideias edifican- tes, “torna-se de alta validade no processo de uma existência saudável, geradora de futuros comportamentos orgânicos e psíquicos” que, bem geridos, produzem bem-estar e felicidade.
De alguma forma, uma das funções da casa espírita é “libertar” a mente humana das sombrias paisagens do medo, do ressentimento, da revolta, da dor, etc., ao mesmo tempo que explica os complexos mecanismos da reencarnação, seus contornos e confluências de litigantes em confronto. Em nome do voluntariado esclarecido, o centro espírita é, no dizer de José Herculano Pires “um espelho côncavo em que todas as actividades doutrinárias se reflectem e se unem”, o que faculta sensata orienta- ção, abrindo o coração ao esclarecimento dos que sofrem e levanta o véu de certos mistérios, apontando possíveis causas em existências anteriores e na própria posição da Terra, onde hoje se expiam os frutos do passado.
Sem hipnoses ou regressões, ele assume postos de comando através de cursos, palestras ou intercâmbio mediúnico, abrindo o coração ao esclarecimento dos desencarnados, o que favorece o equilíbrio das partes. E quanto mais cedo se aprender a fazê-lo, melhor capacitado se está para viver a vida. Em prol de uma sociedade mais ponde- rada é tempo de rentabilizar ao máximo os tesouros tempo e oportunidade que as casas espíritas disponibilizam, cobrindo as enfermidades psíquicas com medicação balsâmica de conhecimento e amor, como garante da pureza das raízes evangélicas.
Desta feita, doseiam os propósitos do Espiritismo como informação das coisas, numa dinâmica de comunicação eficiente, fazendo o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está neste planeta, ao mesmo tempo que indica causas justas e objectivos úteis a todas as dores físicas ou psíquicas que o atormentam. Sem recurso a medicamentos ou qual- quer outro tipo de tratamento, para além do apelo a uma vontade bem dirigida, os maiores recursos espirituais estão à mão de quem os pretender encontrar nestas casas onde a sublimidade da fé raciocinada e a prece sentida são agentes de ventura e de precioso equilíbrio energético.
Face a tantas oportunidades, as trevas da inteligência afastam-se porque a clemência do Pai coloca nas mãos humanas o facho dos verdadeiros princípios das leis naturais ou divinas, embelezadas pela confortante consolação da confiança no futuro, como conquista intelectual, e pela resignação e aceitação da dor como mensageira de esperança, face aos actos pretéritos do espírito. Quem olha, receoso, o “enigma” da casa espírita em tempos de requintado pra- zer pode, ao menos, abordá-la quando a complexidade da vida neural apela a imperativo encontro com o benéfico meca- nismo espiritual.
Seja este o feliz ensejo de adentrar estes espaços de cura, agentes da construção de um amanhã mais brilhante, longe de pesadelos ou modernismos que em nada abonam a saúde física e psíquica em desalinho.
