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Opinião Em torno do Espiritismo O que

Jornal de Espiritismo nº 29 · Julho 2008Página 74 min

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é o espiritismo? Independentemente do que é para cada pessoa, mais ou menos informada, o espiritismo, esta doutrina existe como um facto histórico. Ele foi codificado, foi compilado, foi organizado por um senhor chamado Allan Kardec, em Paris, França, em meados do século XIX. Kardec era um vulto proeminente da cultura da época. Assim, temos um facto histórico que origina o espiritismo como doutrina.

Naturalmente, espiritismo ou doutrina espírita é a mesma coisa. Mediunidade é um fenómeno, espiritismo é uma doutrina, uma filosofia de consequências morais. Historicamente temos assim o espiritismo definido. Agora, quanto ao seu significado, à sua definição, Allan Kardec define-o como a ciência que estuda as relações entre o mundo corporal e o mundo espiritual, entre o mundo físico e o mundo extra-físico. É isso essencialmente.

Como ver a vida para além da morte? Encaramos a vida para além da morte necessariamente como um acto de continuidade a esta mesma vida. Há pessoas que podem dizer que por esse facto, porque nós achamos que além da morte do corpo continuamos a viver, temos a tendência a desprezar a vida terrena. Mas isso é apenas um equívoco de quem não está bem dentro do assunto. De facto, o conhecimento do espiritismo motiva-nos a interessarmo- -nos cada vez mais pela vida presente, e pela resolução dos seus problemas.

Qual a actual posição da igreja católica portuguesa perante o espiritismo? A atitude é de respeito, parece-me. Depende muito dos representantes do clero que Encaramos a vida para além da morte necessariamente como um acto de continuidade a esta mesma vida foto loucomotiv Há leitores que, com vontade de divulgar a doutrina espírita, deixam este jornal em locais públicos, como bibliotecas e até consultórios. Nesse sentido, há perguntas que quem pega neste jornal pela primeira vez faz inevitavelmente.

estejam em causa, mas, no geral, a doutrina oficial condena a comunicação com os chamados “mortos”. Para isso baseia-se numa parte da Bíblia segundo a qual Moisés, no Antigo Testamento, proibia a comunicação com os “mortos”. Entendemos que isso foi necessário, naquela altura, precisamente porque havia muitos abusos em termos de mediunidade (faculdade paranormal pela qual podemos intercambiar ou servir de intermediários com o plano espiritual).

Ainda hoje vemos anúncios nos jornais, em que médiuns se dizem espíritas, afirmando que resolvem todos os problemas, que solucionam casos de amor (o que é um absurdo) etc., tomando uma atitude errada, explorando pessoas facilmente crédulas, no caso do charlatanismo. Naquela altura (de Moisés) isso também era uma constante, e compreendemos que Moisés terá portanto proibido justamente isso. Actualmente vivemos tempos completamente diferentes.

Todos esses abusos, médiuns que se dizem espíritas, põem anúncios nos jornais, etc., criam um clima de desconfiança e descrédito junto da filosofia espírita? Naturalmente. Mas isso acontece porque as pessoas conhecem de ouvido a palavra espiritismo mas não sabem o que ela significa, porque se não fosse assim perceberiam de imediato que essas pessoas, se se dizem médiuns, em primeiro lugar podem não o ser, apenas simular a mediunidade, e em segundo lugar, médiuns espíritas não são de certeza absoluta, porque o espiritismo é um assunto muito sério e o serviço prestado é sempre inteiramente gratuito e a sua conduta dentro dos muitos estudos já realizados nessa área.

Qual é a ligação que existe entre espiritismo e reencarnação? A reencarnação existe em muitas doutrinas, não só no espiritismo. No espiritismo, ela aparece através da sugestão de espíritos que se comunicaram através de médiuns, na altura portanto, com Allan Kardec, e muitos outros espíritas da época, que sugeriram a reencarnação como um facto que nos pode explicar muitos problemas humanos e que seria tempo de também nós começarmos a pensar no assunto.

À partida, parece uma coisa muito estranha, a reencarnação, “sermos outros” como alguns dizem, mas, no fundo, somos nós mesmos, noutros palcos, noutras experiências, com vestes diferentes. Já com 150 anos, o movimento não teve muita expansão ou aceitação? JGSim, ele teve a sua expansão, mas repare, por exemplo aqui em Portugal, aconteceu que no princípio do século XX existiam vários vultos de renome que eram espíritas.

Um deles, o Dr. A. Martins Velho, era presidente da antiga Federação Espírita Portuguesa. Existia por exemplo o general Passaláqua, o coronel Faure da Rosa, gente das Artes, existia um conjunto de personalidades que dava uma certa expressão ao movimento espírita português, nessa altura. Com o advento do Salazarismo, com apreensão de alguns bens, móveis e imóveis, impedido o direito de reunião e de associação, só depois de 1974, o movimento recomeçou a sua expansão, com o advento da liberdade de expressão.

Quais as vantagens para o homem, para a sociedade, o que é que realmente o homem ganha ou perde pelo facto de ser espírita? Ganha muito. Ganha em entendimento. A sua visão sobre o mundo, sobre os problemas humanos, ganha uma dimensão que de outra maneira nunca alcançaria. As coisas deixam de ser, portanto, remetidas apenas ao presente, e alcançam uma articulação com o passado e o futuro. Existe um antes, um agora e um depois.

Naturalmente, no antes encontramos causas ocultas, dissimuladas, que justificam o nosso presente. No entanto, dispomos do presente para transformar a nossa vida para melhor, num sentido ético naturalmente, e provocar de algum modo um futuro ainda melhor. O ambiente, hoje em dia nos meios de comunicação social, tem sido uma constante. Para nós, espíritas, isso toma um significado muito especial, por exemplo: se nós, hoje, estamos a estragar o meio ambiente, não só os nossos descendentes, nossos filhos, netos, bisnetos, mas nós mesmos, podemos voltar “amanhã” e encontrar uma Terra completamente desolada, também mercê dos nossos próprios actos, da nossa indiferença.

Isso, por exemplo, desperta um maior sentido de responsabilidade e de atitudes construtivas.