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crónica Por que me desamparaste?

Jornal de Espiritismo nº 3 · 2004Página 95 min

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Muitos cristãos e não cristãos, nestes últimos vinte séculos, têm vivenciado a mensagem de optimismo e esperança legada pelo Rabi da Galileia; muitos mais, ainda desperdiçamos energia em queixumes e rebeldia perante as expiações e provas naturais da vida terrena, sem repararmos na dinâmica de renovação e adiantamento

Jesus, apresentado em O Livro dos Espíritos (Q. 625) como guia e modelo para a Humanidade, foi exemplar em todos os lances e circunstâncias da sua vida incarnada; a adversidade encontrou-o sempre imperturbável, equânime, inalteravelmente devotado ao Pai e cônscio da Sua constante presença tutelar. Desespero, abatimento, insegurança, foram invariavelmente longínquos no comportamento do Divino Amigo. Tem-se porém aventado a ideia de que no ápice da sua dramática paixão, o Mestre também fraquejou, ao soltar o conhecido lamento: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?

Diga-se desde já, muito claramente, que Jesus nunca se sentiu desamparado pelo Paíi, nunca se queixou dos superlativos incómodos e padecimentos que abundaram na sua existência terrenao que aliás parece ponto pacífico entre os exegetas em geral, mesmo a respeito das horas derradeiras que o Rabi viveu crucificado. Já se opinou que a frase foi deturpada pelos evangelistas e também, até, que Jesus nunca a proferiu. Não parece contudo verosímil que os evangelistas atribuíssem ao Mestre amado, gratuita e levianamente, uma frase tão enfática, tão susceptível de ser interpretada como um assomo de fraqueza e defecção.

Muito mais lógico é admitir que a frase foi mesmo proferida por Jesus E se notarmos que ela é a reprodução exacta do primeiro versículo do Salmo 22, então uma nova luz pode aclarar tudo.

exprimem o agradecimento de benefícios; e os penitenciais mostram-se repassados de contrição por pecados pessoais ou da comunidade.

Além dos que reúnem todas ou algumas dessas características, há ainda os salmos messiânicos, com referências proféticas à vinda do Messias prometido, longamente esperado pelo povo israelita (2 Reis,13.5; Isaías 19.20, etc.).

É este o caso do Salmo 22. O texto do seu primeiro versículo coincide exactamente com o brado que, séculos mais tarde, Jesus soltou na cruz e foi mencionado nos três evangelhos sinópticos: “Eli, Eli, lemá sabactâni, que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46; Marcos 15.34).

Excluímos inapelavelmente a interpretação de que Jesus se sentisse desamparado pelo Pai, porque nada a consente nem na letra nem no espírito dos textos evangélicos, nem ainda no perfil histórico e tradicional do Messias. Afigura-se aceitável que Ele proferiu aquele brado com uma intenção bem mais plausível e profunda, coerente com Ele mesmo e com o contexto evangélico. Essa intenção de Jesus consistiria precisamente em citar o aludido salmo profético e desse modo selar a missão que acabava de cumprir; assim afirmava solenemente o seu messianato, a sua condição crística de o messias prometido nas escrituras sagradas.

Notese ainda que o mesmo Salmo 22 refere no seu texto, com séculos de antecedência, vários outros pormenores da paixão de Jesus, como por exemplo o sorteio das Suas vestes.

Só portanto a interpretação exposta se nos afigura razoável, nunca a de que o Rabi da Galileia fraquejasse no momento culminante do seu martírio.

O autor destas considerações não é um

especialista e carece de autoridade intelectual para se pronunciar sobre a matéria. Como todavia ela é tão relevante, e visto que O Livro dos Espíritos exorta, na questão 628, ao estudo de todos os escritos antigos à luz da doutrina espiírita, a qual vem aclarar tantos mistérios e equívocos, muito bom nos parece que especialistas e entendidos não deixassem de se ocupar de tão importante assunto, para a respeito do mesmo nos esclarecerem e orientarem (se é que já não o fizeram).

Isso seria bom e desejável, não só por manifestar boa compreensão da referida questão 628, como também por corrigir a tendência pouco salutar, algo usual entre espíritas, de menosprezar a Bíblia. É certo que, desde sempre, ela tem sido objecto de interpretações bem peregrinas; mas tal não impede que, à semelhança das escrituras sagradas de todas as civilizações (e até das mitologias clássicas), a Bíblia seja, à luz da nossa doutrina, um imenso repositório de informação e sabedoria veladas.

Ela está longe de ser omitida pela codificação espírita, que não desdenhou cita-la textualmente pelo menos catorze vezes, só em O Evangelho Segundo o Espiritismo, e só quanto a passagens do Antigo Testamento. O próprio Jesus, nosso guia e modelo, ensinou sempre com base nela, muitas vezes citando-a literalmente. Enfatizou, mesmo, que não veio destruir a lei mas cumpri-la e demonstra-la; e que nem um iota nem um til seriam suprimidos até que tudo se cumprisse (Lucas 16.

17; Mateus 5.18). Acentue-se que, para o povo hebraico, era nas Sagradas Escrituras que a Lei se encontrava expressa, tendo como legislador o próprio Jeová.

Texto: João Xavier de Almeida

certamente que para espanto de muitos telespectadores, o canal de televisão SIC transmitiu uma notícia da Rússia. Não foi especificada a fonte da notícia; pressupõe-se que a notícia tenha tido obtida por um canal televisivo local. Natascha, uma jovem de 16 anos, faz diagnósticos médicos com uma inexplicável precisão. Basta-lhe simplesmente olhar para uma pessoa que logo passa a descrever as doenças de que esta padece. Os seus diagnósticos são precisos e correctos. A lista de consultas é enorme. A fama de Natascha

espalhou-se. Ela é notícia. Uma equipa médica decidiu pôr a jovem à prova. Foi-lhe levada uma doente com múltiplos males perfeitamente identificados. Para surpresa dos investigadores, Natascha acertou em todos os diagnósticos sem falhar nenhum. A médica entrevistada diz que a ciência não tem explicação para o fenómeno. À jovem “vê” ao nível celular com a espantosa precisão de um microscópio.

Natascha diz que “vê” o corpo, cada órgão, cada célula irradiando um brilho específico. Quando esse brilho é afectado,

A notícia acabava dizendo que, se calhar, estes fenómenos se justificavam pela fé das pessoas (dando a entender que tinham origem na ignorância e na credulidadeo que contradizia todo o conteúdo da notícia, incluindo a opinião dos médicos que investigaram o fenómeno).

Como breve comentário apenas acrescentamos que estes fenómenos apesar de raros não são milagrosos nem sobrenaturais; que as pessoas com estes “faculdades” são absolutamente normais; que estes fenómenos não derrogam

nenhuma lei da natureza; que eles são explicáveis à luz da razão e da ciência. Basta que se considere apenas a existência do Espírito, com as faculdades que lhe são próprias, para entender que este pode, em condições especiais, “ver” para lá da matéria. Um estudo da Doutrina Espírita (porque o Espiritismo estudou estes fenómenos há mais de 150 anos) torna claro o que para a ciência materialista é inexplicável.

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