Entrevista João Xavier de Almeida: a luz do exemplo foto braga Ouve-se
Jornal de Espiritismo nº 32 · Janeiro 2009Página 103 min
Entrevista João Xavier de Almeida: a luz do exemplo foto braga Ouve-se aqui e ali que «palavras, leva-as o vento». Nós diríamos que as leva nem que sejam escritas na imprensa! Mas o exemplo de quem esclarece as suas próprias convic- ções não precisa de as codificar nos sons de qualquer língua e é capaz de arrastar os mais endurecidos, já que é a demonstração prática do que realmente se pensa. Num mundo em que as máscaras se aprendem a usar mesmo fora do Carnaval, desde pequeninos, há quem deixe pegadas de bondade e sabedoria que nem a mais talentosa má intenção consegiria denegrir.
É assim que muitos vêem João Xavier de Almeida, uma incontestável reserva moral do movimento espírita português. Com menos acerto do que as suas respos- tas, em breves momentos, enviamos-lhe algumas perguntas. Passados dias, estamos aqui com as suas respostas. Há quanto tempo conhece o Espiritismo? João Xavier de AlmeidaO meu primeiro contacto com fenómenos espíritas (não com a Doutrina) data de 1960, junto duma médium muito desenvolvida e pouco disciplinada, que se afastara dum grupo de Racionalismo Cristão.
Como aconteceu esse contacto? JXAResultou de descrições e muitas perguntas que me fez minha irmã mais velha, que acabava de conhecer aquela médium. Eu nunca ouvira falar de médiuns e creio que até desconhecia esse termo; tomado de imensa curiosidade, não tardei em contactá-la. Teve uma ligação longa com a Federa- ção Espírita Portuguesa. Pode descre- vê-la sumariamente? JXA – Fiz parte, em 1984, duma lista elei- toral da FEP, como tesoureiro, convidado pela saudosa Maria Raquel Duarte Santos, então presidente.
Nos mandatos seguintes continuei como tesoureiro, até 1990. Em 1991/92, já na presidência do nosso presti- gioso confrade Santos Rosa, fui vice-presi- dente. Em 1993, numa lista decisivamente apoiada pelo prezado companheiro Arnal- do Costeira, assumi a presidência. Exerci-a por três mandatos, até final de 1998. Como descreveria a evolução do movi- mento espírita, desde 1974 até hoje? JXA – Com as possibilidades existentes, a inegável evolução positiva que existe po- deria ser bem mais acentuada; não enjeito a minha quota-parte de responsabilidade nisso, quer pelas funções que exerci quer simplesmente pelo compromisso espírita que me prezo de assumir.
De muito positivo, temos no nosso País o incremento do conhecimento doutrinário, em aprofundamento individual e em cober- tura territorial; grupos e centros novos, sem- pre a aparecer em quase todas as regiões; muita actividade espírita regular (estudo sistematizado, palestras, fluidoterapia, atendimento fraterno, desobsessão…), ao longo dos dias da semana, por todo o País; iniciativas muito produtivas, de periodicida- de mais ampla e de maior porte: jornadas culturais espíritas, seminários, encontros, a frutuosa tradição anual do Fórum Espírita Nacional em Leiria, congressos nacionais e internacionais; muito mais actividade noticiosa, muita divulgação, intervenção pública contra o preconceito anti-espírita, ainda por vezes veiculado na comunica- ção social; nessas tarefas, cabe um grande destaque para a ADEP (Associação de Divulgadores do Espiritismo de Portugal); novas publicações espíritas de cobertura nacional e internacional (impressas e/ou electrónicas).
De francamente negativo, a desatenção das cúpulas (na qual eu próprio incorri) à necessidade de incentivar, e mesmo desco- brir, o talento de tantos militantes espíritas dotados de invulgar criatividade, aptidão e dinamismo em áreas e graus variáveis. E não se fomentar uma cultura de parti- cipação ampla, nas decisões de interesse colectivo. Também muito negativos, são certos factores culturais da nossa sociedade, que dificultam as iniciativas de integração e coordenação local, regional e nacional, das quais deveria resultar a desejável unificação espírita no País.
