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Crónica Afinal não estou maluca… Nove de Outubro de 2008; televisão po

Jornal de Espiritismo nº 33 · Março 2009Página 142 min

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Crónica Afinal não estou maluca… Nove de Outubro de 2008; televisão portuguesa, TVI, programa “As Tardes da Júlia”. O tema abordava o Espiritismo, nomeadamente as percepções de seres espirituais nas casas das pessoas. A Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal foi convidada para dar parecer sobre os três casos que iriam ser analisados. Aparentemente seria apenas mais um programa de televisão, onde esta tentaria auferir o maior número de telespectadores, num jogo de milhões.

Fomos convidados a opinar acerca das percepções que certas pessoas dizem ter, de seres espirituais, familiares ou não, que interferem nas suas vidas. Aparentemente seriam casos banais de pessoas com mediunidade (ou percepção extra-sensorial), que um simples estudo da Doutrina Espírita (ou Espiritismo) auxiliaria a entender e a catalogar como situações normais, banais e facilmente entendíveis. As luzes do palco, o brilho, o colorido do cenário, não conseguiam apagar as dúvidas, o sufoco, a problemática vivida pelas pessoas simples, gentis, que sem qualquer pretensão iam ali apenas para contarem a sua história.

Gente do povo, como usualmente se costumam apelidar os simples, como se tal fosse diminuí-los, quando afinal só os engrandece. Víamos ali duas realidades completamente diferenciadas: de um lado, uma televisão comercial, buscando o êxito; do outro, gente simples, buscando partilhar situações nem sempre entendíveis, mas que não temiam divulgar e afiançar a sua realidade. Três casos, onde, através da mediunidade, seres espirituais se comunicavam e onde essas pessoas, hoje em dia, tinham a certeza da imortalidade, através das experiências vivenciadas, vivências essas cada vez mais transversais à sociedade moderna.

Falámos da Doutrina Espírita, no afã de esclarecer e consolar, duplo objectivo do Espiritismo, procurando capitalizar ao máximo a preciosidade dos poucos minutos, que em televisão se transformam em horas. Embrenhando-nos nas situações ali relatadas, tentámos demonstrar à sociedade a veracidade das mesmas, a sua verosimilhança, no sentido de apontar caminhos, abrir portas que possam restituir a esperança àqueles que a perderam.

O Espiritismo demonstra ao homem a sua imortalidade, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnação, apontando a pluralidade dos mundos habitados nesse grande concerto que é a vida, sob a batuta da inteligência suprema do Universo, que convencionámos chamar Deus. Saindo dos acanhados caminhos das religiões, o Espiritismo apresenta-se à humanidade como doutrina universal e universalista, auxiliando o homem a encontrar Deus, tornando-o mais espiritualizado.

Víamos ali duas realidades completamente diferenciadas: de um lado, uma televisão comercial, buscando o êxito; do outro, gente simples, buscando partilhar situações nem sempre entendíveis, mas que não temiam divulgar e afiançar a sua realidade. O programa “As tardes da Júlia” tinha terminado, e no meio de um café final, enquanto nos despedíamos da jornalista que nos contactara, esta informava-nos de que durante o programa havia alguém que estava à beira de um ataque de nervos: a telefonista, que não conseguira dar vazão às dezenas de chamadas telefónicas, que caíam qual bátega de água sem fim.

Dois telefonemas foram marcantes para a jornalista que nos relatava os casos. Duas senhoras telefonaram para a televisão onde nos encontrávamos, não para questionar, não para pedir algo, mas tão só para, no meio de lágrimas de alguma felicidade, agradecer à TVI o ensejo do programa, porque «ao fim de tantos anos, finalmente descobrimos que afinal não estamos malucas…».