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Jornal de Espiritismo nº 33 · Março 2009Página 133 min

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Opinião PUBLICIDADE PUBLICIDADE Ferramentaouarma? Brandido como arma na história o amor hoje entende-se como uma ferramenta capaz de trabalhar a favor dos outros e por arrastamento só faz bem a quem o transporta. Alegando o amor de Deus, verdugos vestidos de soldados massacraram populações na cruzadas medievais e dizendo amar a Divindade a Inquisição torturava e matava as suas vítimas. O amor, esta palavra tão pequena e difícil de definir bem em palavras, não se avilta pelo mau uso verbal e aparece em cada vida como uma luz que não se perde.

Como sentimento, difere dos bens materiais. Se dividimos um pão, ele diminui em quantidade. Quando oferecemos esta virtude ela nunca diminui, quando muito aumenta. Além disso, o amor filtra-se em várias cores. Há o amor filial, paternal, conjugal, familiar. Entre amigos chama-se amizade. Arma que não magoa Se quisermos defender a dama, em última instância, poderemos até dizer que o amor pode ser uma arma. Mas de defesa.

Ajuda sobretudo sem magoar. Jesus disse que toda a lei e os profetas se resumiam a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O amor é uma arma diante de quem nos quer prejudicar e pode chamar-se perdão. Os sentimentos sinceros de afecto são desconcertantes para quem não nos compreende: não gaste pouco! Qualquer falha de frequência nessa prestação afectiva relança tudo à estaca zero. A prática do perdão, sem que seja fácil, é vantajosa: liberta, torna qualquer consciência mais leve e mais luminosa.

Quando não sabemos lidar com os nossos sentimentos o amor é a força que ampara a liberdade de cada um se ocupar mentalmente com o que de melhor a vida pode ter para o progresso individual e colectivo. Como vai, Narciso? «Amar ao próximo como a si mesmo» não via defender o narcisismo. Nascisismo: que palavra é essa? Conta-se desde a Grécia antiga que Narciso, ao olhar o reflexo do seu rosto nas águas de uma fonte, se apaixonou pela própria imagem e ficou a contemplá-la até se consumir.

No lugar em que morreu, depois, nasceu a flor a que chamam hoje narciso. Longe de um incentivo ao narcisismo, aqui falamos de AUTO-ESTIMA. Para defender esse bem, cada um carece de se conhecer minimamente e saber que tem facetas a melhorar a partir de qualidades potenciais que possui. Só assim a caridade – que mais não é que o amor em movimento – começa a aparecer no quotidiano. Não é ouro sobre azul, há obstáculos. Um deles passa por, geralmente, apenas reagirmos.

Temos um padrão de respostas automáticas, resultantes de experiências anteriores, e é isso que sai no imediato da maioria das circunstâncias. Trata-se de uma economia de esforço, um mecanismo psicológico de evolução que visa libertar capacidade de resposta para outras adversidades. Como qualquer média ou estatística, em muitos casos não é o melhor a fazer. Reagir é muito menos do que agir. As reacções automatizadas arrastam o nosso comportamento para lugares que frequentemente já visitámos e onde não queremos voltar.

Ouve-se: «Sinto-me tão imperfeito, tão nulo, tão escuro, que nem sei como posso vir a ser melhor: não admira que ninguém goste de mim». Na verdade, somos todos diamantes em bruto. As forças dinâmicas da vida estão a burilar-nos, para que venhamos a cintilar, qual jóia perfeita, na luz do porvir. Responder à vida com atitudes construtivas é um padrão de elevada qualidade que podemos começar a implementar em nós próprios.

«Ah! Mas eu erro tanto!». Não seria de esperar outra coisa: errar é um caminho de aprendizado. E quanto mais MELHORAMOS o nosso conhecimento mais poder temos sobre nós próprios. Quando aprendemos a ler, na escola fazemos cópias. Na primeira cópia vimos erros… Eliminámo-los aprendendo. E nos ditados?! Mais ainda. Errar é cair enquanto se está a subir. E sobe- -se aprendendo. Depois, veja bem, quanto mais MELHORAMOS o nosso conhecimento mais poder temos sobre nós próprios e sobre as circunstâncias… O amor é uma arma defensiva que, se bem aplicada, não agride ninguém.

Mas é sobretudo uma ferramenta a que os espíritos chamam caridade, a maior entre todas as virtudes. Para existir, cristalina, supõe as demais. Sem caridade connosco próprios, não teremos como a passar a outros. Praticá-la de dentro para fora higieniza-nos mentalmente para sermos mais úteis e mais felizes. Evoluímos se trabalhámos para a nossa evolução, e não contra ela. Ideias de autopunição, de castigo ou até de perseguição reflectem visões atrasadas, antropomórficas, de Deus.

As grandes verdades ao nosso alcance encontram-se por dentro e por fora de nós. Para funcionarem, apenas pedem para ser, em essência, compreendidas e… aplicadas.